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Foto de Pata-de-vaca

Foto: Denis Zabin (CC BY) via GBIF

Pata-de-vaca

Bauhinia forficata

Caesalpiniaceae AmazôniaMata AtlânticaCerradoCaatingaPantanal
  • 4 a 10 m (até 20 m)Altura
  • Médio portePorte
Raras / ameaçadasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: bauínia, capa-bode-grande, casco-de-vaca, mão-de-vaca, miroró, mororó, mororó-de-espinho, pata-de-boi, pata-de-vaca-branca, pata-de-vaca-com-espinho, unha-de-vaca-de-espinho, unha-d'anta, unha-de-boi, unha-de-vaca

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Cronquist, a espécie está posicionada na divisão Magnoliophyta (Angiospermae), classe Magnoliopsida (Dicotiledonae), ordem Fabales e família Caesalpiniaceae (subfamília Caesalpinioideae das Leguminosae). O nome aceito é Bauhinia forficata Link, descrito em 1821, tendo como sinônimos Bauhinia aculeata Vellozo e Bauhinia brasiliensis Vogel. O gênero foi batizado por Linnaeus em honra aos irmãos suíços Jean e Gaspard Bauhin, médicos e botânicos — uma homenagem oportuna, já que as folhas dessas plantas são formadas por dois folíolos unidos na base. O epíteto forficata remete ao formato das folhas, que lembram a pegada de uma vaca.

Descrição botânica

É uma arvoreta caducifólia que costuma medir de 4 a 10 m de altura, com DAP de 10 a 20 cm; na fase adulta pode chegar a 20 m e 30 cm de DAP. O tronco é tortuoso, curto e fino, com fuste que raramente passa de 5 m. A ramificação é cimosa e a copa, arredondada ou aberta e estendida. A casca atinge até 7 mm de espessura: por fora é cinza-escura, lisa ou levemente fissurada, e por dentro é branca e fibrosa, escurecendo para tom pardo após cortes. As folhas são alternas, simples, ovadas e coriáceas, medindo até 10 cm de comprimento por 6 cm de largura, bilobadas, com dois lóbulos que reproduzem o desenho típico de uma pata de vaca; a lâmina é lisa, brilhante na parte de cima e com uma glândula na base. Nos ramos jovens, há dois espinhos curvos funcionando como estípulas junto ao pecíolo. As flores são brancas, abrem-se à noite e reúnem-se em racemos axilares vistosos, com pétalas de até 9 cm e dez estames longos. O fruto é um legume achatado, marrom-acinzentado, de até 20 cm por 2,5 cm, com valvas lignificadas e abertura elástica em duas partes, contendo de 5 a 10 sementes castanhas a pretas, achatadas, porosas e com cerca de 1 cm.

Uso e ecologia
madeireiromedicinalpaisagismorecuperação de áreasapícolaforrageiro
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,66 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno e cerne indistintos e de cor branca; sua durabilidade ao tempo é baixa. O aproveitamento madeireiro é local e limitado, voltado a construção civil, obras internas e leves, caixotaria, estacas e carpintaria. Como lenha rende combustível de boa qualidade e a espécie também serve à produção de celulose e papel. Quimicamente, destaca-se a presença de uma heteróside chamada bauhinosídeo, além de esteróis, flavonoides (rutina e quercetina), pinitol, taninos, alcaloides e cumarinas. É excelente forrageira arbórea, rica em proteína e carboidratos — as folhas chegam a 15,5% de proteína bruta (19,7% quando fenadas). Na medicina popular, é tradicionalmente empregada por suas ações diurética e hipoglicemiante; pesquisas farmacológicas confirmam o efeito das folhas contra o diabetes, consumidas em chá. Folhas, casca, lenho e raízes são usados contra afecções urinárias, e o chá é indicado para rins, bexiga, garganta, tosses, bronquites e outros males. As folhas voltadas ao uso medicinal devem ser colhidas de preferência antes da floração e secas ao sol. As flores jovens têm efeito purgativo, e a raiz, embora tóxica, é usada em decocto como vermífugo; a fitoterapia também a indica no tratamento da elefantíase.

Aspectos ecológicos

Classifica-se como espécie pioneira a secundária inicial, sendo comum na vegetação secundária, sobretudo em capoeiras, beiras de estradas, caminhos e clareiras. Aparece com frequência nas matas ciliares da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica) na formação Submontana e na Floresta de Tabuleiro do norte do Espírito Santo, na Floresta Ombrófila Mista (com Araucária), na Floresta Estacional Semidecidual e na Floresta Estacional Decidual Baixo-Montana e Submontana do baixo Paranaíba, ocorrendo ocasionalmente também no Cerrado e no domínio da Caatinga; no Nordeste, vegeta sobretudo em encostas de serras e no litoral. A densidade varia bastante: uma árvore por hectare na Bacia do Rio Piranhas (RN), cinco árvores em encosta às margens do Rio do Peixe (SP) e, em Pernambuco, de 17 a 76 indivíduos por hectare no sertão e de 26 a 383 no agreste.

Floração e frutificação

A floração ocorre de setembro a outubro em Minas Gerais, de outubro a dezembro no Ceará e em Pernambuco, de outubro a janeiro em São Paulo, de novembro a março no Paraná e de janeiro a março no Rio de Janeiro. Os frutos amadurecem de abril a maio no Rio Grande do Sul, de abril a julho no Paraná, de maio a setembro no Rio de Janeiro, de maio a dezembro em São Paulo, de junho a agosto em Minas Gerais e em setembro em Pernambuco. Em plantios, a espécie começa a reproduzir cedo, por volta dos 2 anos de idade.

Fauna associada

A planta é funcionalmente hermafrodita, com reprodução predominantemente cruzada e indícios de autoincompatibilidade — não ocorre agamospermia, mas pode haver geitonogamia. A polinização é feita principalmente por morcegos. A dispersão é autocórica, sobretudo barocórica, com deiscência explosiva que arremessa as sementes a grandes distâncias.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando passam do verde ao marrom-acinzentado, acompanhando-se de perto a maturação fisiológica, pois a deiscência explosiva lança as sementes a grande distância no ponto certo de maturação. As sementes saem com uma simples pressão dos dedos na vagem, ou então deixando-se os frutos ao sol até que se abram. Cada quilo reúne de 3.200 a 15.100 sementes. O tegumento não é impermeável como em muitas leguminosas, e parte das sementes germina sem qualquer tratamento; ainda assim, recomenda-se a maioria delas seja imersa em água quente, iniciando a 80ºC, por 10 minutos. As sementes têm comportamento ortodoxo e mantêm a viabilidade por mais de um ano tanto em ambiente comum quanto em câmara fria, embora haja registro de perda do poder germinativo a partir de 180 dias após a colheita. Em laboratório, a germinação é favorecida por substrato de vermiculita a 30ºC.

Produção de mudas

Recomenda-se semear duas sementes por saco de polietileno de no mínimo 11 cm de altura e 4,5 cm de diâmetro, ou em tubetes médios de polipropileno. Quando preciso, a repicagem é feita de 2 a 4 semanas após o início da germinação; as plântulas têm sistema radicular vigoroso. A germinação é epígea, começa entre 5 e 35 dias após a semeadura e tem alto poder germinativo, chegando a 91%. As mudas atingem tamanho adequado para o plantio cerca de 5 meses depois da semeadura. As raízes não formam associação com Rhizobium, mas as mudas dependem fortemente de fungos micorrízicos arbusculares. A espécie também se multiplica com facilidade por estacas de brotações de raízes e de cepas.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila e medianamente tolerante ao frio: em mata natural, árvores adultas suportam mínimas de até -6ºC. O hábito é irregular, muito bifurcado, de ramificação pesada e sem dominância apical definida; como não faz desrama natural, exige podas de condução e de galhos. Pode ser plantada a pleno sol, em plantio misto ou em vegetação matricial arbórea, em faixas de 4 m abertas na vegetação secundária e dispostas em linhas. Rebrota com vigor após o corte e também a partir da raiz, a mais de 1 m da planta original. É indicada para cercas vivas, em que cresce como arbusto espinhoso. Na região do Cariri paraibano, é considerada espécie em extinção.

Crescimento e produção

O crescimento é moderado. Em Santa Helena (PR), a espécie alcançou incremento médio de 8,90 m³/ha/ano, com casca, aos 6 anos de idade.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 600 mm, no Rio Grande do Norte, a 2.200 mm, em Santa Catarina. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano no Sul (exceto no norte e noroeste do Paraná) e concentradas no verão nas demais regiões. A deficiência hídrica é nula no Sul e de moderada a forte no Nordeste e na parte central de Minas Gerais, onde a estação seca pode durar até 5 meses. A temperatura média anual fica entre 16,5ºC (Curitiba, PR) e 27,2ºC (Mossoró, RN), com média do mês mais frio de 12,2ºC a 25ºC e do mês mais quente de 19,9ºC a 28,7ºC; a mínima absoluta registrada foi de -6,4ºC (Colombo, PR). O número de geadas varia de 0 a 11 por ano em média, com máximo absoluto de 33 no Sul. Os tipos climáticos de Koeppen abrangem tropical (Af, Am e Aw), subtropical úmido (Cfa), temperado úmido (Cfb) e subtropical de altitude (Cwa e Cwb).

Solos

É bastante plástica quanto ao solo, ocorrendo em quase todos os tipos, mas preferindo os profundos, permeáveis e de boa fertilidade química — chega a ser tida como planta indicadora de solos férteis. Solos pantanosos, muito rasos ou pedregosos devem ser evitados. Em plantio, vai bem em solos de textura franca a argilosa e drenagem boa a regular, tolerando períodos de encharcamento. Segundo Ramos e colaboradores, responde à adubação mineral na fase de muda, ganhando altura, diâmetro de colo e matéria seca; o fósforo foi o nutriente de maior resposta, seguido de nitrogênio e potássio, e a aplicação conjunta de N e P elevou o crescimento inicial das mudas em mais de 400% de matéria seca da parte aérea.