Foto: Guillaume Delaitre (CC BY) via GBIF
Parapará
Jacaranda copaia
- até 30 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: caroba, caxeta, marupá, marupá-preto, caroba-manacá, caroba-do-mato, maruparana, carnaúba, marupá-falso, cajú-açu
Botânica
Pertencente à família Bignoniaceae, o parapará tem como nome científico Jacaranda copaia (Aublet) D. Don, descrito em 1823. Pelo sistema do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), enquadra-se na ordem Lamiales (classificada como Scrophulariales no sistema de Cronquist), dentro do gênero Jacaranda. A espécie acumulou diversos sinônimos botânicos ao longo do tempo, entre eles Bignonia copaia Aublet., Bignonia procera Willd., Kordelestris syphilitica Arruda, Jacaranda procera Spreng. e Jacaranda spectabilis Mart. O nome do gênero deriva de jacarandá, designação indígena de árvores desse grupo, enquanto o epíteto copaia vem do nome popular usado pela tribo dos Galibis, na Guiana Francesa.
Trata-se de uma planta perenifólia que varia de arvoreta a árvore, podendo chegar perto de 30 m de altura e 90 cm de diâmetro à altura do peito (DAP) quando adulta no Brasil; na Colômbia, alcança até 45 m. O tronco é reto, cilíndrico e de base reta, com fuste de até 15 m. Exemplares jovens costumam ser esbeltos, com copa reduzida e poucos galhos concentrados no topo. A casca chega a 20 mm de espessura, com superfície externa rugosa, acinzentada e levemente úmida ao corte. As folhas são compostas, bipinadas e opostas, com pinas imparipinadas que reúnem de 8 a 9 jugos de folíolos opostos; os folíolos têm ápice variável (agudo, acuminado, obtuso ou retuso) e base assimétrica a normal, com nervação broquidródoma de cor castanho-clara a escura. As flores reúnem-se em panículas terminais multifloras de 30 a 50 cm de comprimento por 23 cm de largura. São hermafroditas, vistosas, campanuladas, de tom lilás, azul-arroxeado ou azul-púrpura com a base interna da corola branca, medindo de 23 a 27 mm; possuem anteras de deiscência poricida e um estaminódio central que atrai os polinizadores. O fruto é uma cápsula de deiscência loculicida, achatada, oval e castanho-escura, de 6 a 16 cm de comprimento por 2,5 a 9 cm de largura e 2 cm de espessura, que ao amadurecer se abre por duas fendas longitudinais; cada um pode conter de 297 a 315 sementes aladas, obcordadas, planas e transparentes, de até 4 cm de comprimento por 2,5 cm de largura.
Uso e ecologia
A madeira do parapará é leve, com massa específica aparente entre 0,35 e 0,50 g/cm³ a 12% de umidade e densidade básica de 0,31 g/cm³. Cerne e alburno são indistintos, indo do branco-amarelado ao branco-palha levemente rosado, com listras vasculares mais escuras; os anéis de crescimento são pouco visíveis, a grã é direita, a textura média, o brilho moderado e o cheiro imperceptível. Em contato com o solo é perecível e suscetível a insetos e ao fungo da mancha-azul (Thermoascus aurantiacus), mas é fácil de preservar sob pressão, seca muito rapidamente (com leve tendência a torcer) e tem boa trabalhabilidade na serra e na plaina, aceitando bem prego, parafuso, tinta e verniz. É empregada principalmente em carpintaria, móveis leves, acabamentos internos, guarnições, molduras e moldes de fundição, além de embalagens, engradados, caixotaria leve, palitos de fósforo, compensados, laminados, brinquedos e construção de barcos. A madeira também serve à produção de polpa para papel, despertando interesse das indústrias amazônicas, e como lenha de baixa qualidade. Casca e madeira contêm tanino. Entre os constituintes fitoquímicos estão o alcaloide carobina, a resina balsâmica carobona (bálsamo de caroba), o ácido caróbico, outras substâncias resinosas, óleo e tanino.
É classificada como pioneira ou secundária inicial, e também como clímax exigente em luz. O fotoblastismo, a sensibilidade ao frio e a faixa ótima de germinação entre 25 ºC e 30 ºC são traços típicos de uma pioneira tropical. Pouco frequente nas florestas primárias, torna-se comum em formações secundárias (capoeiras), onde pode alcançar o dossel superior. Foi registrada em floresta secundária com 70 anos de idade no Pará e surge espontaneamente em meio a plantios de Pinus e Eucalyptus na região do Jari, mostrando capacidade de se estabelecer em solos minerais pobres e expostos. Tem vida relativamente curta frente à maioria das madeireiras amazônicas. Na Amazônia ocorre em Floresta Ombrófila Densa de terra firme e de várzea (Acre, Amazonas, Mato Grosso e Pará) e em Floresta Ombrófila Aberta, com frequência de até três indivíduos por hectare. No Cerrado, aparece em savana (cerrado stricto sensu) no Amapá, e ainda em matas de galeria do Brasil Central.
A floração acontece de junho a outubro no Pará e em setembro no Amapá, sendo descrita como episódica por Coutinho e Pires. Os frutos amadurecem entre março e abril, no Pará.
A polinização é feita essencialmente pela abelha-mamangava. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, ou seja, realizada pelo vento.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos quando escurecem e começam a se abrir; em seguida, são postos ao sol para completar a abertura e liberar as sementes. Cada quilo reúne de 142.000 a 220.000 sementes (registro de 192.307 sementes em lote com 12,36% de umidade). Não é necessário tratamento pré-germinativo. A viabilidade é curta, inferior a 5 meses, recomendando-se estudar melhores formas de armazenamento. Em laboratório, as sementes não germinam no escuro; a faixa ótima de temperatura fica entre 25 ºC e 30 ºC, com mínima em torno de 15 ºC e máxima por volta de 40 ºC para a emissão da radícula.
A semeadura pode ser feita em sementeiras ou em recipientes, como sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou tubetes de polipropileno de tamanho médio. A repicagem ocorre de 4 a 5 semanas após a germinação, ou quando as plântulas chegam a 4 a 6 cm de altura. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência iniciando de 10 a 35 dias após a semeadura e taxas geralmente altas, de até 84%. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 6 meses após a semeadura. A espécie estabelece micorriza arbuscular, associando-se sobretudo a fungos dos gêneros Glomus e Sclerocystis. Na fase juvenil, as mudas se adaptam a diferentes níveis de luz e podem permanecer no viveiro até o sexto mês.
Espécie tipicamente heliófila e intolerante a baixas temperaturas, apresenta crescimento monopodial e boa desrama natural. Pode ser cultivada a pleno sol, em plantios puros ou mistos, e tem a capacidade de rebrotar da touça mesmo após a passagem do fogo. No espaçamento de 4 m x 4 m, atingiu o máximo rendimento anual em altura por volta dos 4,5 anos em Tumaco, na Colômbia. Recomenda-se plantá-la em floresta secundária, em clareiras médias (entre 400 m² e 600 m²). Funciona como excelente tutor vivo para a pimenta-do-reino e a baunilha e, na Bolívia, integra a fileira central de quebra-ventos, plantada de 4 a 5 m entre árvores. Apesar do bom crescimento, apresenta problemas de forma por causa da bifurcação, e os trabalhos de melhoramento genético são praticamente inexistentes; a espécie vem sendo conservada in situ em pontos da Amazônia.
O desenvolvimento é irregular, variando de moderado a rápido. No Pará chegou a uma produção volumétrica de até 17,50 m³/ha/ano aos 14 anos, enquanto no Mato Grosso alcançou até 25 m³/ha/ano aos 11 anos. Em plantios no norte do Mato Grosso, mostra bom estado silvicultural. No Pará, entre 1976 e 1996, foi utilizada em projetos de reposição florestal por 4% das empresas registradas no Ibama.
A precipitação média anual onde ocorre vai de 1.400 mm, no Maranhão e no Mato Grosso, a 3.000 mm no Pará, alcançando 3.500 mm na Colômbia. As chuvas são bem distribuídas no noroeste do Amazonas e nos arredores de Belém, e periódicas nas demais áreas, com deficiência hídrica nula a forte conforme a região. A temperatura média anual fica entre 24,8 ºC (Tarauacá, AC) e 26,7 ºC (Manaus, AM), com mínima absoluta de 6 ºC em Rio Branco; não há geadas. Pelo sistema de Köppen, enquadra-se nos tipos Af (tropical superúmido), Am (tropical chuvoso com curta estação seca) e Aw (tropical quente com seca de inverno).
Em condições naturais, o parapará cresce em solos de baixa fertilidade química e textura argilosa.