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Foto de Oiti

Foto: Denis A. C. Conrado (Attribution) via Wikimedia

Oiti

Licania tomentosa

Chrysobalanaceae Mata Atlântica
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: oiti-da-praia, oitizeiro, oiti-cagão, oiti-mirim, goiti, oiti-trumbá, guaiti, morcegueira

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema do The Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a espécie se enquadra na divisão Angiospermae, clado das Eurosídeas I, ordem Malpighiales (classificada como Rosales no sistema de Cronquist), família Chrysobalanaceae e gênero Licania. O binômio aceito é Licania tomentosa (Benth.) Fritsch, descrito pela primeira vez em 1889. Entre os sinônimos botânicos estão Moquilea tomentosa Benth. e Pleragina odorata Arruda da Camara ex Koster. O nome do gênero deriva de "calignia", denominação vernacular da planta na Guiana Francesa, possivelmente um anagrama; já o epíteto tomentosa faz referência aos ramos jovens, recobertos por densa pilosidade lanosa.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore perenifólia (sempre-verde), cujos exemplares maiores alcançam cerca de 20 m de altura e 60 cm de DAP na fase adulta. O tronco varia de reto a um pouco tortuoso, com fuste de até 7 m de comprimento, e a ramificação é dicotômica, formando uma copa densa e bastante ornamental. A casca pode chegar a 10 mm de espessura, com ritidoma (casca externa) levemente fissurado. As folhas são simples, alternas, de formato elíptico a lanceolado; ao brotarem apresentam pelos em ambas as faces, mas se tornam glabras com a maturidade, e a pilosidade fica evidente ao se esfregar a folha. As flores, pequenas e brancas, reúnem-se em espigas ramificadas de 15 cm a 30 cm de comprimento. O fruto é uma drupa de epicarpo carnoso e formato oval, medindo de 5 cm a 16 cm quando maduro, contendo uma única semente (caroço). Essa semente é grande, envolvida por uma polpa amarela; madura, exibe casca amarelada e, apesar de pegajosa e fibrosa, é saborosa e tem aroma agradável.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismoalimentícioapícolarecuperação de áreas
Produtos e utilizações

A madeira, densa (de 0,65 a 0,98 g/cm³), apresenta grã direita, textura média a grossa, boa resistência e durabilidade elevada; o alburno quase não se distingue do cerne, de tom esbranquiçado. Pode ser empregada serrada ou roliça em construção civil e obras hidráulicas, além de render lenha de boa qualidade, embora não seja indicada para celulose e papel. Os frutos são comestíveis in natura e abrigam uma amêndoa rica em óleo, o que motiva o cultivo da espécie; também servem de alimento para animais, sobretudo porcos. A planta tem grande potencial melífero, fornecendo pólen e néctar de qualidade. É muito utilizada na arborização urbana de várias cidades, como Manaus, Aracaju, Fortaleza, Brasília e municípios paulistas, ainda que suas raízes laterais possam danificar calçadas, muros e construções próximas.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária inicial, ocorre tanto no interior de florestas primárias densas quanto em formações abertas e secundárias. Na Mata Atlântica, está presente na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica), nas formações de Terras Baixas (Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, com até cinco indivíduos por hectare) e Submontana (Rio de Janeiro), além de aparecer, de forma rara, em Santa Catarina. Caracteriza a Floresta de Restinga em Pernambuco e também integra ambientes ripários (mata ciliar) em Minas Gerais.

Floração e frutificação

A floração vai de julho a setembro em São Paulo e ocorre em outubro no Rio de Janeiro. Os frutos amadurecem de janeiro a março em São Paulo, de fevereiro a março no Rio de Janeiro e de fevereiro a abril em Minas Gerais.

Fauna associada

Espécie hermafrodita, é polinizada principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes ocorre por gravidade (autocórica) e por animais (zoocórica), com destaque para os morcegos.

Plantio e silvicultura
Sementes

As sementes maduras podem ser derrubadas dos galhos com auxílio de vara ou recolhidas do chão. Em seguida, são espalhadas em terreiro amplo para secar ao sol, revolvendo-as diariamente com rodo ou rastelo a fim de evitar a fermentação. Cada quilo reúne de 70 a 93 sementes (caroços). Não é necessário tratamento pré-germinativo. Por terem comportamento fisiológico recalcitrante, as sementes não devem ser armazenadas.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou em tubetes de polipropileno de 120 cm³. A germinação é hipogeal, com plântulas criptocotiledonares; a emergência começa entre 10 e 89 dias após a semeadura, com taxa de germinação de até 23%. As mudas ficam aptas ao plantio em 4 a 6 meses.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila e sensível a baixas temperaturas. O hábito de crescimento é irregular, sem dominância apical e com ramificação pesada; como a derrama natural é deficiente, exigem-se desramas e podas frequentes (de condução e dos galhos). Deve ser plantada em sistema misto, após as pioneiras, de modo a obter algum sombreamento na fase inicial de desenvolvimento. O número cromossômico da espécie é 2n = 22.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre o desempenho da espécie em plantios, mas o crescimento registrado é lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 600 mm, no Piauí, a 2.500 mm, em Pernambuco, com chuvas periódicas e déficit hídrico moderado na faixa litorânea. As temperaturas médias anuais ficam entre 20,9 °C (Natal, RN) e 25,5 °C (Recife, PE); a média do mês mais frio vai de 20,5 °C a 23,9 °C e a do mês mais quente, de 23,5 °C a 26,6 °C, com mínima absoluta de 14 °C registrada em Recife. Geadas não ocorrem em sua área natural. Segundo Köppen, a espécie aparece nos climas As (Rio Grande do Norte e Sergipe), Aw (Fernando de Noronha e Rio de Janeiro) e Bsh (sudeste do Piauí), tendo sido introduzida com sucesso em clima Cfa no norte do Paraná e em Santa Catarina.

Solos

Adapta-se a solos variados, com preferência pelos de textura arenosa.