Foto: Rony Ristow (CC BY) via GBIF
Munguba
Pachira aquatica
- 6 a 20 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: mamorana, cacau-selvagem, castanha-do-maranhão, castanheiro-do-maranhão, monguba, carolina
Botânica
Pertence à família Malvaceae (anteriormente classificada em Bombacaceae), no gênero Pachira. A espécie Pachira aquatica Aubl. foi descrita por Aublet e é próxima de outras mungubas amazônicas como Pachira glabra. Não deve ser confundida com a paineira (Ceiba speciosa, antiga Chorisia) nem com a sumaúma (Ceiba pentandra), embora todas integrem a mesma família botânica.
Árvore de copa ampla e tronco geralmente reto, às vezes com base alargada, casca acinzentada e relativamente lisa nos exemplares jovens. As folhas são alternas, compostas digitadas, com 5 a 9 folíolos glabros, oblongo-lanceolados, reunidos no ápice de um longo pecíolo. As flores são grandes e vistosas, com pétalas estreitas e creme-esverdeadas que se recurvam, expondo um denso feixe de numerosos estames longos, avermelhados ou rosados nas pontas, muito ornamentais. O fruto é uma cápsula lenhosa grande, elipsoide a globosa, marrom, que se abre liberando muitas sementes grandes envoltas por polpa; as sementes são comestíveis após assadas ou cozidas.
Uso e ecologia
As sementes são comestíveis e apreciadas regionalmente, consumidas torradas, cozidas ou na forma de farinha, com sabor lembrando castanha ou amendoim. As flores e a casca têm registros de uso na medicina popular. É também muito cultivada como árvore ornamental e de sombra em praças e parques, e em pequeno porte é comercializada como planta de interior com o tronco trançado.
Planta característica de ambientes aquáticos e ripários, importante na estabilização de margens de rios e na ocupação de áreas alagáveis. É adequada para recuperação de matas ciliares e áreas úmidas degradadas, por tolerar inundação e produzir sementes dispersas pela água (hidrocoria).
A floração e a frutificação podem ocorrer em mais de um período ao longo do ano, em geral com floração na estação mais quente e úmida e maturação dos frutos alguns meses depois; o calendário varia conforme a região.
As flores grandes e ricas em néctar atraem abelhas, morcegos e outros visitantes noturnos, sendo importante recurso para polinizadores. As sementes servem de alimento para peixes e fauna ribeirinha, que participam de sua dispersão nas águas.
Plantio e silvicultura
As sementes são grandes, recalcitrantes e perdem rapidamente a viabilidade, devendo ser semeadas logo após a colheita dos frutos maduros. Não toleram secagem nem armazenamento prolongado. A germinação costuma ser rápida e com boa taxa quando as sementes são frescas.
A propagação por sementes é a mais comum, com semeadura direta em sacos ou recipientes mantidos úmidos. As mudas crescem com vigor e atingem porte para plantio em campo em poucos meses, especialmente sob boa disponibilidade de água.
Espécie pioneira a secundária inicial, adapta-se bem a plantios em áreas úmidas, margens de cursos d'água e terrenos sujeitos a inundação. Pode ser usada em plantios de enriquecimento e recuperação de mata ciliar, tolerando pleno sol.
Apresenta crescimento moderado a rápido, sobretudo em solos úmidos e férteis, respondendo bem à disponibilidade hídrica.
Espécie tropical, prefere clima quente e úmido, com temperaturas elevadas e boa pluviosidade. Não é tolerante a geadas e desenvolve-se melhor em regiões sem inverno rigoroso.
Adapta-se a solos úmidos, mal drenados e periodicamente alagados, situação em que se destaca frente a outras espécies. Também vegeta em solos bem drenados desde que haja boa umidade, preferindo terrenos férteis e ricos em matéria orgânica.