voltar ao catálogo
Foto de Mulungu

Foto: filipeprates (CC BY) via GBIF

Mulungu

Erythrina verna

Fabaceae Mata AtlânticaCerradoPantanal
  • até 17 mAltura
  • Médio portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: mulungu-coral, corticeira, capa-homem, eritrina, murungu, sapatinho-de-judeu, sananduva, suinã, tiricero, amansa-senhor

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a espécie pertence à divisão Angiospermae, clado Eurosídeas I, ordem Fabales (classificada como Rosales no sistema de Cronquist), família Fabaceae (Leguminosae em Cronquist), subfamília Faboideae (Papilionoideae), tribo Phaseoleae e gênero Erythrina. O binômio aceito é Erythrina verna Vell., com primeira publicação em Fl. Flum. 304. São reconhecidos como sinônimos botânicos os nomes Erythrina mulungu Mart. e Erythrina flammea Herzog. Quanto à etimologia, o nome do gênero deriva do grego erythros, que significa vermelho, referência à cor das flores; já a origem do epíteto verna é desconhecida.

Descrição botânica

Árvore decídua que, em sua fase adulta, pode chegar perto de 17 m de altura e 80 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto, com fuste que alcança até 7 m de comprimento. A ramificação é dicotômica e os ramos apresentam acúleos triangulares e achatados. A casca pode ter até 60 mm de espessura, com fissuras longitudinais no ritidoma. As folhas são compostas e trifoliadas, presas a um pecíolo de 4 cm a 10 cm; o folíolo central é quase circular, enquanto os laterais têm forma elíptico-oblonga, são glabros e coriáceos, com 7 cm a 10 cm de comprimento por 5 cm a 8 cm de largura. A floração se dá em panículas terminais grandes e vistosas, que despontam quando a árvore já perdeu toda a folhagem. As flores, abundantes, vão do amarelo ao alaranjado. O fruto é um legume lenhoso, achatado, deiscente e de cor marrom, com 6 cm a 12 cm de comprimento, abrigando de 1 a 6 sementes acastanhadas que ficam aderidas à parede do fruto.

Uso e ecologia
paisagismorecuperação de áreasmedicinalapícolaalimentíciomadeireiro
Produtos e utilizações

A madeira é leve (densidade aparente de 0,39 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno indistinto do cerne, este de cor branco-amarelada que pode chegar ao amarelo-pardacento; tem textura grossa, grã direita e não é durável. Por sua baixa resistência mecânica, é pouco aproveitada no país, sendo destinada a móveis rústicos, obras internas, pranchões, tacos, cepas para calçados, caixas, janelas, gavetas, estojos de instrumentos de precisão, armações de montaria, objetos ortopédicos, esculturas e mourões de cerca em áreas de brejo. A madeira também serve para celulose e papel, mas rende lenha de péssima qualidade. A cortiça é uma de suas características marcantes: friável, mais farta nas árvores jovens, macia, flexível e amarela, formando-se desde os primeiros anos de cultivo — qualidade que rendeu à espécie a reputação de principal corticeira nacional. Entre os constituintes químicos figuram alcaloides como eretrina, erisopina, erisodina, eritramina e eritratina, além de esteroides. Tem ainda potencial melífero, produzindo néctar e pólen, e suas flores são consideradas comestíveis.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie pioneira, presente na vegetação secundária, em capoeiras e capoeirões. Sua ocorrência é irregular: aparece em abundância em alguns locais e é rara em outros. Costuma crescer nas margens de cursos d'água, no sopé de grandes serras com neblina e em grotas. Está associada à Floresta Estacional Decidual e à Floresta Estacional Semidecidual, na formação Submontana (Minas Gerais e São Paulo), a áreas inundáveis no Pantanal de Mato Grosso do Sul, a matas ciliares em Goiás, ao Chaco em Mato Grosso do Sul e à Floresta Estacional Decidual de Encosta sobre afloramento calcário no nordeste de Goiás (Vale do Paranã), onde chega a cinco indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A espécie é hermafrodita. A floração ocorre de junho a setembro em São Paulo, em julho no Mato Grosso do Sul e em setembro no Rio de Janeiro. Os frutos amadurecem entre setembro e outubro em São Paulo e em novembro no Rio de Janeiro.

Fauna associada

A polinização é feita basicamente por beija-flores, e a dispersão de frutos e sementes ocorre por aves (ornitocoria). As flores, ricas em néctar, atraem aves como periquitos e tirivas (Pyrrhura spp.), e os macacos-prego (Cebus apella nigritus) também se alimentam delas.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando mudam do verde para o marrom-escuro, e as sementes são retiradas à mão depois que as vagens se abrem. Cada quilo reúne cerca de 1.700 sementes. Elas apresentam dormência tegumentar leve, contornada com imersão em água fria por 24 horas para embebição. Quanto ao armazenamento, o comportamento fisiológico das sementes é do tipo intermediário.

Produção de mudas

Recomenda-se semear duas sementes em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio; quando preciso, a repicagem é feita 1 a 2 semanas após a germinação. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares, e a emergência começa entre 9 e 130 dias após a semeadura. O poder germinativo é elevado, chegando a 90% e ficando em média na casa dos 70%. As mudas alcançam tamanho adequado para o plantio por volta de 6 meses depois da semeadura. As raízes formam associação simbiótica com Rhizobium, com nódulos grandes e ativos do tipo aeschynomenoide, concentrados na região do colo da muda e com atividade da nitrogenase.

Características silviculturais

Espécie esciófila, tolera sombreamento de intensidade baixa a moderada, mas não suporta temperaturas baixas. O hábito é irregular, sem dominância apical, com tronco curto e muito ramificado, bifurcações e brotações na base, o que exige desrama artificial por meio de podas de condução e dos galhos. Pode ser cultivada em plantio misto junto a espécies pioneiras e secundárias iniciais, sobretudo para corrigir sua forma, ou em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas na vegetação secundária (capoeirão e floresta secundária).

Crescimento e produção

Há poucos dados disponíveis sobre seu desempenho em plantios; ainda assim, sabe-se que o crescimento é lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.000 mm em Minas Gerais a 1.600 mm no Distrito Federal, com chuvas periódicas e deficiência hídrica moderada. A temperatura média anual fica entre 21,1 °C (Brasília, DF) e 23,3 °C (Posse, GO); a média do mês mais frio entre 19,1 °C e 21,7 °C e a do mês mais quente entre 22,5 °C e 24,7 °C, nas mesmas localidades. A mínima absoluta registrada foi de 1,6 °C, em Brasília. Não há ocorrência de geadas. Pela classificação de Köppen, predominam os climas Aw (tropical com inverno seco, subtipo Cerrado) no nordeste de Goiás, em Mato Grosso do Sul e no norte de Minas Gerais, e Cwa (subtropical úmido, com inverno seco e verão chuvoso) em São Paulo.

Solos

A espécie é típica de terrenos calcários e das áreas vizinhas a eles.