Foto: Mario Guzmán (CC BY) via GBIF
Mirindiba
Buchenavia tetraphylla
- até 28 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: amarelão, embiridiba, berindiba, embirindiba, imbirindiba, merindiba, esparrada, caicaro
Botânica
Pela classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a espécie pertence à divisão Angiospermae, clado das Rosídeas, ordem Myrtales, família Combretaceae e subfamília Combretoideae, dentro do gênero Buchenavia. O binômio Buchenavia tetraphylla (Aubl.) R. A. Howard foi publicado em 1983 e tem como sinônimo botânico Buchenavia capitata (Vahl.) Eichler. O nome do gênero homenageia o botânico Franz Buchenau, enquanto a origem do epíteto tetraphylla é desconhecida. A espécie recebe diferentes denominações conforme o estado: em Alagoas e no Rio Grande do Norte é chamada de mirindiba; no Ceará e no Piauí, amarelão; na Paraíba e em Pernambuco aparecem variações como berindiba, embiridiba, esparrada e imbirindiba.
O amarelão é uma árvore perenifólia, de folhagem sempre-verde, que nos maiores exemplares chega a 28 m de altura e cerca de 70 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo) na fase adulta. O tronco costuma ser pouco tortuoso, com fuste curto que não passa de 10 m. A ramificação é dicotômica e a copa, frondosa, com ramos cilíndricos, glabros, estriados e de tom acinzentado. A casca atinge até 10 mm de espessura, com ritidoma (casca externa) levemente fissurado. As folhas dispõem-se em espiral ou em roseta, concentradas na ponta dos ramos, com pecíolo de 4 mm a 5 mm e sem glândulas na base; a lâmina, de 3 cm a 4,5 cm de comprimento por 1,4 cm a 2,2 cm de largura, é obovada a oblanceolada, com base afilada e ápice arredondado a truncado, coriácea, brilhante, glabra e com nervuras salientes nas duas faces. As inflorescências formam capítulos densos, axilares ou terminais, de 0,8 cm a 1,2 cm, sustentados por pedúnculo de 1,4 cm a 2,1 cm. As flores são hermafroditas, esverdeadas e pequenas, de 0,2 cm a 0,3 cm. O fruto é uma drupa oval-elíptica e pontiaguda, de 1,6 cm a 1,8 cm por 0,7 cm a 0,9 cm, glabro, levemente costado e em geral escurecido quando maduro. A semente é pequena e um pouco achatada.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa, com massa específica básica entre 0,70 e 0,89 g/cm³, textura média e grã inclinada; cerne e alburno são pouco distintos, ambos de cor marrom-clara. Apresenta boa resistência mecânica em condições naturais e durabilidade moderada. É empregada na construção civil (caibros, tábuas e vigas) e em obras externas (mourões, estacas e varas para porteiras), além de fornecer lenha de boa qualidade. Para celulose e papel, porém, não é adequada. A copa ornamental favorece o uso em arborização e paisagismo, e a espécie é indicada para recuperação de áreas degradadas e restauração de matas ciliares. Os frutos servem de alimento a animais silvestres e a pequenos ruminantes, embora o consumo elevado por cabras em fase de amamentação possa provocar diarreia nos cabritos.
Trata-se de uma espécie pioneira, muito frequente na planície litorânea, sobretudo no Nordeste do Brasil. Ocorre em diversas formações vegetais: na Amazônia, na Floresta Ombrófila Densa submontana de Mato Grosso, com até dois indivíduos por hectare; na Mata Atlântica, em Florestas Estacionais Deciduais e Semideciduais e na Floresta Ombrófila Densa de terras baixas e montana, podendo chegar a oito indivíduos por hectare em Alagoas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte; no Cerrado, em cerradão na Bahia; e na Caatinga, em vegetação arbustiva subcaducifólia de Pernambuco e em Floresta Estacional Decidual montana no Ceará. No Pantanal, foi registrada na região dos rios Mortes-Araguaia, em Cocalinho (MT). Aparece ainda em matas ciliares, brejos de altitude nordestinos, campos rupestres, carrasco e restingas.
A floração foi observada em dezembro, na Paraíba, e os frutos amadurecem entre março e abril, no Piauí.
A polinização é feita principalmente por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão dos frutos e sementes ocorre sobretudo por zoocoria, ou seja, com participação de animais.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos da própria árvore quando começam a cair ou recolhidos do chão logo após a queda. Em seguida, são acondicionados em saco plástico até a polpa iniciar o apodrecimento, o que facilita a separação da semente por meio de lavagem em água corrente. Cada quilo reúne cerca de 375 sementes. Não é necessário tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento fisiológico recalcitrante e, por isso, mantêm-se viáveis por pouco tempo no armazenamento.
A semeadura é feita em canteiros sob meia-sombra, cobrindo as sementes com cerca de 1 cm de substrato peneirado. Ao alcançarem de 4 cm a 5 cm, as mudas são repicadas para recipientes individuais. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares; a emergência acontece entre 15 e 20 dias após a semeadura e a taxa de germinação costuma ser alta. Por volta de 5 a 6 meses depois da semeadura, as mudas atingem cerca de 20 cm de altura.
O amarelão cresce de forma monopodial, mas tende a formar galhos grossos que exigem desrama artificial. Recomenda-se o plantio em consórcio (misto).
Há poucos registros sobre o desempenho da espécie em plantios, mas seu crescimento é lento.
A precipitação média anual nas áreas de ocorrência varia de 600 mm a 2.200 mm, em Pernambuco e Alagoas, com chuvas periódicas e deficiência hídrica moderada na Bahia e forte no Ceará. A temperatura média anual fica entre 19,7 °C (Morro do Chapéu, BA) e 26,5 °C (Floresta, PE); a mínima absoluta registrada foi de 7,2 °C, em Morro do Chapéu (BA). Não há ocorrência de geadas. Quanto à classificação de Köppen, a espécie vegeta em climas Am, As, Aw, Bsh, Cwa e Cwb, além de áreas de transição entre As’ e BSh’ no Rio Grande do Norte.
No carrasco de Novo Oriente (CE), a espécie cresce sobre Areias Quartzosas.