Foto: Gabriel O. Keller (CC BY) via GBIF
Mangue-formiga
Clusia criuva
- até 12 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: criuva, criúva, criúba, mangue, mangue-do-mato, mangue-de-formiga, manga-da-praia
Botânica
Seguindo a classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a espécie pertence à ordem Malpighiales (situada em Theales no sistema de Cronquist) e à família Clusiaceae (Guttiferae, segundo Cronquist). O nome científico aceito é Clusia criuva Cambessedes, publicado em 1828, tendo Clusia cambessedii Planch. & Triana como sinônimo. O gênero Clusia foi nomeado em homenagem ao renomado botânico Charles de L'Écluse.
Planta perenifólia de hábito variável, podendo apresentar-se como arbusto, arvoreta ou árvore, e raramente como hemi-epífita. Na fase adulta, os maiores exemplares chegam a cerca de 12 m de altura e 20 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo). O tronco é tortuoso, com fuste curto e, por vezes, ausente. A ramificação é cimosa e os ramos jovens têm forma angulosa. A casca atinge até 5 mm de espessura e, internamente, libera látex de cor branca a amarelada. As folhas são simples e de lâmina coriácea, com formato oboval a oboval-oblongo ou oblanceolado, variando de 2 a 14 cm de comprimento por 1,5 a 7 cm de largura; a face inferior é castanho-amarelada, o ápice obtuso a subagudo e a base cuneada a atenuada. As nervuras secundárias formam ângulo de 45º a 55º com a nervura central e ficam distantes de 1,5 a 3 mm entre si, enquanto os canais laticíferos são escuros; o pecíolo mede de 3 a 25 mm. A inflorescência é subcorimbiforme, reunindo de 3 a 12 flores femininas ou de 5 a 20 flores masculinas. As flores são unissexuais, aromáticas, de cor creme ou alvo-rosada, com 2,8 a 3,5 cm de diâmetro; as masculinas possuem numerosos estames e as femininas, de 5 a 7 estaminódios em uma única série. O fruto é uma cápsula globosa a subglobosa ou amplamente elíptica, verde, com 10 a 14 mm de diâmetro, de 5 a 10 lóculos e contendo duas ou mais sementes. As sementes são pequenas e de coloração clara.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa, com massa específica aparente de 0,60 g/cm³. Alburno e cerne são pouco distintos entre si, ambos de tom amarelado, com grã direita e textura média. Por suas características, não é apropriada para uso industrial, serraria ou produção de celulose e papel, sendo aproveitada basicamente como lenha. A espécie é melífera, fornecendo néctar e pólen, e tem valor ornamental, sendo recomendada para o paisagismo em regiões litorâneas. A subespécie parviflora, que se desenvolve próximo ao mar e tolera a salinidade, é indicada para plantios de finalidade ambiental.
Trata-se de uma espécie pioneira. É rara nas florestas altas, onde aparece como epífita, mas torna-se frequente em matas de topo de morro, capoeiras e restinga. Está associada ao bioma Mata Atlântica, ocorrendo na Floresta Estacional Semidecidual (formação Montana, em Goiás e Minas Gerais, com até três indivíduos por hectare) e na Floresta Ombrófila Densa (formações das Terras Baixas, Submontana, Montana e Alto-Montana, em Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Também é encontrada em vegetação de restinga (no Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo), em ambientes fluviais ou ripários (Distrito Federal), em caxetais (litoral paranaense) e em floresta de brejo (região de Campinas, SP).
A floração vai de setembro a fevereiro em São Paulo e ocorre entre novembro e dezembro no Paraná. Quando introduzida em Rolândia (PR), a planta começou a florescer cinco anos após o plantio. Em São Paulo, os frutos amadurecem entre junho e outubro.
Espécie dioica, polinizada principalmente por abelhas. A dispersão de frutos e sementes ocorre sobretudo por zoocoria, ou seja, por meio de animais.
Plantio e silvicultura
A colheita das sementes é feita normalmente na própria árvore, e a extração ocorre por maceração. Cada quilo reúne cerca de 4.150 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento recalcitrante, não se prestando a armazenamento prolongado.
Recomenda-se semear uma única semente em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubete grande de polipropileno (o chamado tubetão). A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, com a emergência iniciando entre 18 e 45 dias após a semeadura. O poder germinativo é irregular, variando de 15% a 50%, e as mudas atingem tamanho adequado para o plantio cerca de seis meses após a semeadura.
Espécie heliófila e moderadamente tolerante a baixas temperaturas. O hábito é de forma irregular, por vezes com formação de multitroncos. Para o cultivo, recomenda-se o plantio misto.
Há poucos registros de crescimento da espécie em plantios, mas os dados disponíveis indicam que o desenvolvimento é lento.
A precipitação média anual nas áreas de ocorrência varia de 1.300 mm, em Goiás, a 3.200 mm, no litoral paulista, com chuvas bem distribuídas do litoral catarinense ao fluminense e regime mais sazonal no restante da área. A deficiência hídrica é nula entre o litoral de Santa Catarina e o Rio de Janeiro, e de pequena a moderada no inverno do Distrito Federal. As temperaturas médias anuais oscilam entre 16,7 ºC (Bocaina de Minas, MG) e 24,8 ºC (Bertioga, SP); a mínima absoluta registrada foi de -6 ºC (Ponta Grossa, PR). A frequência de geadas vai de 0 a 8,7 por ano em média, podendo chegar a 22 no Paraná, embora predominem áreas sem geadas ou com geadas raras no litoral catarinense e paranaense. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos Af, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.
Em condições naturais, ocorre em solos aluviais mal drenados, em terrenos úmidos, brejosos e periodicamente inundáveis, de textura arenosa a franca e reação ácida (pH 4,5 a 6,0). No Paraná, dentro da Floresta Ombrófila Densa, restringe-se principalmente a superfícies pleistocênicas e holocênicas dominadas por organossolos e espodossolos hidromórficos, ambos de baixa fertilidade. Já nos plantios experimentais da Embrapa Florestas em Rolândia (PR), realizados em solos bem drenados, de textura franca a argilosa e fertilidade média a alta, a espécie apresentou bom desempenho, sem demonstrar exigência quanto à drenagem.