Foto: Marcio Santos Ferreira (CC BY) via GBIF
Mangaba
Hancornia speciosa
- 2 a 10 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: mangabeira, manga-de-leite, mangaba-de-leite
Botânica
Espécie da família Apocynaceae, gênero Hancornia, do qual é a única espécie reconhecida. Apresenta grande variabilidade morfológica ao longo de sua ampla distribuição, o que levou ao reconhecimento de variedades botânicas. O látex característico é uma marca da família.
Árvore de pequeno a médio porte, geralmente de 2 a 10 m de altura, com copa irregular e ramos tortuosos. O tronco é curto, com casca rugosa e fissurada, e toda a planta exsuda látex branco quando ferida. As folhas são simples, opostas, coriáceas, glabras, de formato elíptico a oblongo, com nervuras pouco salientes. As flores são brancas, perfumadas, com corola tubulosa de cinco lobos, reunidas em pequenas inflorescências terminais. O fruto é uma baga elipsoide a globosa, amarela com manchas avermelhadas quando madura, de polpa branca, suculenta e levemente ácida, contendo várias sementes achatadas envoltas pela polpa.
Uso e ecologia
O fruto, a mangaba, é amplamente consumido in natura e processado em sucos, polpas, sorvetes, geleias e licores, com forte importância econômica no extrativismo nordestino. O látex já teve uso histórico como fonte de borracha. Cascas e folhas são empregadas na medicina popular.
Espécie pioneira a secundária, rústica e adaptada a solos pobres e arenosos, tolerante à seca. Tem papel relevante na recuperação de áreas degradadas e na manutenção de ambientes de Cerrado e restinga. As flores perfumadas atraem polinizadores.
A floração ocorre principalmente na estação seca a início das chuvas, e a frutificação concentra-se ao longo do período chuvoso, variando conforme a região e o regime climático local.
Os frutos são consumidos por diversas aves e mamíferos da fauna nativa, que atuam como dispersores das sementes. As flores tubulosas e perfumadas atraem abelhas, mariposas e outros insetos polinizadores.
Plantio e silvicultura
As sementes são recalcitrantes e perdem rapidamente a viabilidade, devendo ser extraídas de frutos maduros, lavadas para retirada da polpa e semeadas o mais breve possível. A germinação costuma ser relativamente rápida quando as sementes estão frescas.
A produção de mudas é feita preferencialmente em recipientes individuais e com substrato bem drenado, dada a sensibilidade do sistema radicular ao transplante. Recomenda-se cuidado no manuseio das raízes e aclimatação gradual a pleno sol.
Espécie ainda em processo de domesticação, com cultivo concentrado em pomares e sistemas extrativistas. Adapta-se bem a solos pobres e arenosos, sendo indicada para plantios em áreas marginais e para enriquecimento de Cerrado e restinga.
O crescimento é considerado lento a moderado, e o início da produção de frutos pode levar alguns anos após o plantio.
Adaptada a climas tropicais quentes, com tolerância a longos períodos de estiagem. Desenvolve-se bem em regiões com estação seca definida, característica do Cerrado e dos tabuleiros litorâneos.
Prefere solos arenosos, profundos, bem drenados e de baixa fertilidade, sendo pouco exigente em nutrientes. Não tolera solos encharcados ou mal drenados.