voltar ao catálogo
Foto de Mandiocão-do-cerrado

Foto: André Ribeiro Cardoso (CC BY) via GBIF

Mandiocão-do-cerrado

Schefflera macrocarpa

Araliaceae CerradoMata Atlântica
  • até 10 mAltura
  • Médio portePorte
Crescimento rápidoMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: fruto-de-tucano, mandiocão, tucaneiro, chapéu-de-frade, mandioqueira, pau-caixeta, mandioqueiro-açu

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Araliaceae, ordem Apiales (classificada como Umbelales no sistema de Cronquist), a espécie tem como nome científico aceito Schefflera macrocarpa (Cham. & Schltdl.) Frodin. Já recebeu outras denominações ao longo do tempo, hoje tratadas como sinônimos: Didymopanax macrocarpus, Didymopanax marginatum e Panax macrocarpum. O nome do gênero, Schefflera, homenageia o botânico dinamarquês C. Scheffler, enquanto o epíteto macrocarpa une os termos gregos macro (grande) e carpon (fruto). A alcunha popular mandiocão deriva da semelhança entre suas folhas e as da mandioca.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta que varia de arbustiva a arbórea, de folhagem perene (sempre-verde), com renovação das folhas ocorrendo em julho. Os indivíduos de maior porte chegam a cerca de 10 m de altura e 30 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo) quando adultos; nos campos rupestres da serra da Bocaina, em Minas Gerais, foram observados exemplares de apenas 3,50 m. O tronco vai de reto a ligeiramente tortuoso, com fuste curto, e a ramificação é dicotômica — nos exemplares mais velhos a árvore costuma se apresentar esguia e sem ramos, com copa de gemas e ramos terminais pilosos de tom cinza ou amarelado. A casca atinge até 5 mm de espessura: a externa (ritidoma) é cinza-clara e se desprende em pequenas placas irregulares, e a interna é amarelada. As folhas, agrupadas nas pontas dos ramos, são compostas, digitadas, alternas e espiraladas, formadas por 5 a 9 folíolos coriáceos; a lâmina, elíptica ou oboval, mede de 8 cm a 28,5 cm de comprimento por 3 cm a 8,5 cm de largura, com ápice emarginado, retuso ou arredondado e base aguda a arredondada; o pecíolo, que vai de densamente viloso a totalmente glabro, tem de 5 cm a 40 cm. As inflorescências surgem em umbela terminal de 14 cm a 50 cm de comprimento, com eixo floral cilíndrico de cerca de 20 cm e frequentemente mais de 500 flores — há umbelas só com flores masculinas e outras que reúnem flores hermafroditas e masculinas, estas últimas dispostas na periferia e abrindo antes das hermafroditas. As flores são dimórficas, com as bissexuadas maiores que as masculinas e pétalas livres, esverdeadas, de 3 mm a 3,5 mm de comprimento. O fruto é uma drupa obovoide e carnosa quando madura, de cor castanho-avermelhada ou arroxeada, comprimida lateralmente e com até 1,5 cm de diâmetro, contendo dois pirênios monospermos. As sementes são achatadas, rugosas, leves e pequenas, medindo até 0,2 cm.

Uso e ecologia
paisagismorecuperação de áreasmadeireiroapícolamedicinalenergético
Produtos e utilizações

Por seu porte alto e esguio, tem valor ornamental e pode ser empregada na arborização de praças e estradas. A madeira é moderadamente densa (massa específica aparente de 0,76 g/cm³ e básica de 0,68 g/cm³), com cerne e alburno indiferenciados, ambos de cor branco-encardida ou branco-acinzentada uniforme, textura média e grã direita; é de baixa resistência e sujeita ao apodrecimento e ao ataque de insetos xilófagos, sendo aproveitada apenas em itens simples como embalagens (caixas), brinquedos, carretéis, miolo de portas e painéis. Também serve para lenha e carvão, com rendimento de carvão vegetal de 32,2%, teor de carbono fixo de 77,1% e poder calorífico superior de 7.741 kcal/kg. Na medicina popular, é utilizada como analgésico. Apresenta ainda potencial apícola, oferecendo néctar e pólen às abelhas.

Aspectos ecológicos

Espécie pioneira, é típica e exclusiva do Cerrado e dos campos cerrados, onde se mostra abundante, com distribuição mais ou menos contínua, porém irregular, tanto em formações primárias quanto secundárias. No bioma Cerrado, aparece na savana ou cerrado stricto sensu (no Distrito Federal, em Goiás, em Minas Gerais e em São Paulo), com densidade de até 80 indivíduos por hectare, e na savana florestada ou cerradão (em Minas Gerais e São Paulo), com até sete por hectare. Na Mata Atlântica, ocorre em Floresta Estacional Semidecidual nas formações submontana e montana de Minas Gerais. Também é encontrada em matas ciliares de Goiás e Minas Gerais (até sete indivíduos por hectare), em campo sujo de encosta pedregosa em Goiás e em campos rupestres mineiros, como nas serras da Bocaina e do Ambrósio, onde é frequente.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de dezembro a julho em Goiás, de dezembro a agosto no Distrito Federal, de janeiro a março em São Paulo e de abril a julho em Minas Gerais. No Distrito Federal, a frutificação se estende de fevereiro a dezembro.

Fauna associada

Trata-se de uma espécie monoica; o vetor de polinização não foi registrado. A dispersão de frutos e sementes é nitidamente zoocórica, feita por animais. Os frutos, suculentos, são consumidos com avidez por diversas aves.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos assim que mudam de cor, passando do verde ao vermelho-vinoso; em seguida, são lavados, macerados em peneira fina e postos para secar ao sol. Cada quilo reúne de 150 mil a 180 mil sementes. Como o tegumento é impermeável, recomenda-se imergir as sementes em ácido sulfúrico concentrado por 5 minutos antes da semeadura. De comportamento fisiológico recalcitrante, as sementes conservam a viabilidade por cerca de 6 meses em ambiente com temperatura e umidade relativa variáveis.

Produção de mudas

Indica-se semear em sementeiras e, depois, repicar para sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho médio. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar: com sementes tratadas, a emergência começa por volta de 45 dias; sem tratamento, inicia-se cerca de 9 semanas após a semeadura. O poder germinativo é baixo (até 2%), e as mudas alcançam tamanho adequado para o plantio aos 8 meses.

Características silviculturais

Espécie heliófila, não suporta baixas temperaturas. O fuste tem forma variável, do crescimento monopodial à presença de bifurcações; nos estágios iniciais não forma ramos lenhosos, com as folhas ligadas diretamente ao tronco pelos pecíolos. Apresenta boa derrama natural e, nos exemplares bifurcados, recomenda-se poda de condução. Rebrota da touça ou de tocos. Para plantio, sugere-se sistema misto associado a espécies pioneiras em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas em capoeira e em capoeirões. Por seu crescimento rápido e pelos frutos apreciados pela avifauna, é excelente em plantios heterogêneos voltados à restauração de áreas degradadas de preservação permanente.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre a espécie em plantios, e seu ritmo de crescimento ainda é desconhecido.

Clima

A precipitação média anual fica entre 1.000 mm, em Minas Gerais, e 1.800 mm, em Goiás, com regime de chuvas periódicas e déficit hídrico que vai de pequeno a muito forte conforme a região. A temperatura média anual varia de 19,4 ºC (Lavras, MG) a 26,5 ºC (Bom Jesus do Piauí, PI); a mínima absoluta registrada foi de -3,7 ºC, em Coxim, MS, em julho de 1975. As geadas são raras no Mato Grosso do Sul, no sul de Minas Gerais e nos planaltos paulistas, e ausentes no restante da área. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Aw (tropical com inverno seco), Cwa (subtropical com inverno seco e verão quente) e Cwb (subtropical de altitude com inverno seco e verão ameno).

Solos

Na natureza, desenvolve-se em solos de baixa fertilidade, de textura argilosa e bem drenados.