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Foto de Mamona-do-mato

Foto: no rights reserved, uploaded by Kahio Tiberio Mazon (cc0) via iNaturalist

Mamona-do-mato

Oreopanax fulvus

Araliaceae Mata Atlântica
  • até 12 mAltura
  • Médio portePorte
Raras / ameaçadasMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: figueira-do-mato, mandioqueira, tamanqueira, tamanqueiro, embauvarana, figueira-brava

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Seguindo o sistema do The Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a mamona-do-mato pertence à divisão Angiospermae, classe Euasterídeas II, ordem Apiales (classificada como Umbelales no sistema de Cronquist) e família Araliaceae. Seu binômio é Oreopanax fulvus Marchal, descrito pela primeira vez em 1878 na Flora brasiliensis de Martius e Eichler. O nome do gênero Oreopanax tem origem incerta; já o epíteto fulvus deriva do latim e remete a tons amarelados.

Descrição botânica

Espécie de hábito arbustivo a arbóreo e folhagem semidecídua, cujos indivíduos maiores chegam a cerca de 12 m de altura e 35 cm de diâmetro à altura do peito quando adultos. O tronco é cilíndrico, reto ou ligeiramente tortuoso, geralmente com fuste curto de até 5 m. A ramificação é cimosa ou dicotômica e forma uma copa densa, arredondada ou semiglobosa, de grande valor ornamental. A casca chega a 10 mm de espessura, com superfície externa rugosa e levemente fissurada. As folhas são simples e palmatilobadas, com estípulas evidentes e lobos laterais de cerca de 2 cm; o pecíolo, cilíndrico e estriado, mede de 19 cm a 55 cm. A lâmina é submembranácea a cartácea, com 23 cm a 49 cm de comprimento por 22 cm a 35 cm de largura, dividida em 3 a 7 lobos, com a face superior glabrescente e a inferior recoberta por pelos estrelados, margem denticulada, ápice acuminado e base cordada; a nervação é actinódroma. A inflorescência é uma panícula terminal de capítulos, ereta, densamente coberta por pelos estrelados de tom ocre, com eixo principal de 8 cm a 15 cm; cada capítulo reúne em torno de 15 flores de 6 mm a 8 mm de diâmetro, sésseis e imersas no capítulo. O fruto é uma baga drupácea turbinada, subglobosa ou elíptica, de cerca de 6 mm por 6 mm, levemente 5-lobada ao secar; maduro, exibe polpa roxa e carnosa com 1 a 3 sementes. As sementes são pequenas, do tamanho dos lóculos, e têm endosperma ruminado.

Uso e ecologia
paisagismorecuperação de áreasapícolamadeireiro
Produtos e utilizações

Antigamente, sua madeira foi bastante usada na fabricação de cepas de tamancos, embalagens e brinquedos. Trata-se de uma madeira moderadamente densa (0,56 g/cm³ a 12% de umidade), de textura fina e grã reta, com alburno e cerne pouco distintos e ambos esbranquiçados; é pouco resistente e bastante sujeita ao apodrecimento. Como combustível, fornece lenha de qualidade muito baixa, e não serve para celulose e papel. A árvore tem grande apelo paisagístico, graças à copa e à folhagem marcantes e ornamentais, sendo bem aproveitada na arborização urbana. Apresenta ainda potencial melífero, produzindo néctar e pólen. Em plantios de cunho ambiental, seus frutos atraem muitos pássaros, que os consomem mesmo antes de amadurecerem por completo.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária tardia a clímax, hoje é considerada muito rara, com ocorrência descontínua. Aparece de preferência no interior de florestas primárias e em capoeirões. Em levantamento no sub-bosque de um trecho de Floresta Ombrófila Mista secundária, em Irati (PR), foram encontrados 14 indivíduos por hectare, com cerca de 2 m de altura. No bioma Mata Atlântica, ocorre na Floresta Ombrófila Densa, nas formações de Terras Baixas do Vale do Itajaí (SC), onde é muito rara, e na formação Alto-Montana da Serra da Mantiqueira (MG), além da Floresta Ombrófila Mista, com araucária, na formação Montana do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Floração e frutificação

A floração ocorre de dezembro a fevereiro no Paraná e de fevereiro a março em São Paulo. Os frutos amadurecem entre junho e julho no Paraná e entre agosto e setembro em Minas Gerais.

Fauna associada

Espécie trioica, de sistema polígamo-dioico, é polinizada por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão de frutos e sementes se dá essencialmente por zoocoria, com destaque para as aves, que buscam intensamente seus frutos.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos na própria árvore, antes do início da queda. Cada quilo reúne cerca de 35.600 sementes. Para germinar, elas precisam de escarificação mecânica ou química, processo que na natureza acontece no trato digestivo das aves. O comportamento fisiológico é recalcitrante: as sementes perdem rapidamente a viabilidade quando armazenadas.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar as plântulas para sacos de polietileno ou tubetes grandes de polipropileno; na região Sul, a repicagem pode ser feita de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea e as plântulas, fanerocotiledonares. A emergência costuma começar entre 7 e 60 dias após a semeadura, mas sementes colhidas fora do ponto de maturação e sem tratamento de quebra de dormência só iniciam a germinação entre 60 e 166 dias.

Características silviculturais

Comporta-se de esciófila a heliófila e tolera temperaturas baixas. O fuste tem forma variável, com bifurcações frequentes; um traço marcante é a ausência de ramos lenhosos nas fases iniciais, quando as folhas se inserem diretamente no tronco por meio de pecíolos longos. É indicada para plantio misto ou abertura de faixas na vegetação secundária, bem como para plantio em linhas ou em grupos. Vale destacar que a espécie é ameaçada de extinção: consta na lista vermelha do Paraná, na categoria rara, e na Lista Oficial da Flora Ameaçada do Rio Grande do Sul, na categoria vulnerável, sendo apontada como planta rara e no limiar da extinção.

Crescimento e produção

Há poucos registros sobre seu desenvolvimento em plantios, mas o crescimento é reconhecidamente lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.400 mm, em Minas Gerais, a 2.300 mm, no Rio Grande do Sul, com chuvas distribuídas de forma uniforme e deficiência hídrica nula na Serra da Mantiqueira (MG) e no Planalto Sul-Brasileiro. A temperatura média anual fica entre 13,4 °C, em Campos do Jordão (SP), e 17,6 °C, em Ponta Grossa (PR); a média do mês mais frio vai de 8,2 °C a 13,5 °C e a do mês mais quente, de 19,9 °C, em Curitiba, a 23,6 °C, em Irati (PR). A mínima absoluta registrada foi de -10,4 °C, em Caçador (SC). As geadas são frequentes em todo o Planalto Sul-Brasileiro, com média de 1 a 50 por ano e máximo de até 87, na região de Campos do Jordão. Pela classificação de Köppen, predominam os climas Cfa, no Maciço do Itatiaia (RJ) e no sul de São Paulo, Cfb, no centro-sul do Paraná, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e Cwb, na Serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais.

Solos

Cresce espontaneamente em terrenos que vão de rasos a profundos e de fertilidade variável, na maioria das vezes pobres, ácidos e bem drenados, com pH entre 3,5 e 5,5 e textura de franca a argilosa. Solos mal drenados, como os orgânicos e os Gleissolos Melânico alumínico e Háplico Tb distrófico, são pouco favoráveis ao seu desenvolvimento.