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Foto de Macaúba

Foto: Samuel Peláez Vélez (CC BY) via GBIF

Macaúba

Acrocomia aculeata

Arecaceae CerradoMata AtlânticaCaatingaPantanal
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentais

Também conhecida como: macaubeira, bocaiúva, bocaiuveira, macaúva, coco-babão, coco-baboso, coco-de-catarro, coqueiro-de-espinho, macaibeira, mucajuba, bacaiúva, palmeira-macaúva

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a macaúba é uma angiosperma monocotiledônea da ordem Arecales e da família Arecaceae (designada Palmae no sistema de Cronquist). Pertence ao gênero Acrocomia, e seu nome científico completo é Acrocomia aculeata (Jacquin) Loddiges ex Martius, descrita em Historia Naturalis Palmarum, em 1845. Entre seus sinônimos botânicos mais citados estão Acrocomia sclerocarpa Mart. e Acrocomia totai Mart., embora a espécie reúna uma sinonímia bastante extensa. O nome do gênero, Acrocomia, remete à copa em forma de cabeleira no alto da planta, enquanto o epíteto aculeata aponta para os espinhos que cobrem o tronco. Já o nome popular macaúba tem origem no guarani: mboca (que estala ao quebrar) somado a ya (fruto) e iba (árvore).

Descrição botânica

Trata-se de uma palmeira que, na fase adulta, pode chegar a cerca de 20 m de altura e 30 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto, cilíndrico e liso, marcado por anéis horizontais e por fileiras de espinhos que variam de 3 cm a 12 cm de comprimento; a superfície externa exibe, sobretudo na porção superior e nos indivíduos jovens, espinhos pretos largos, agudos e achatados de até 7 cm. A copa, de 3 m a 4 m de diâmetro, reúne de 20 a 25 folhas arqueadas e pinadas. As folhas, sempre verdes, alternas e concentradas no ápice do tronco, medem de 1 m a 3 m e trazem folíolos numerosos de 30 cm a 60 cm de comprimento por 1 cm a 2 cm de largura, verde-lustrosos na face superior e mais claros na inferior; a raque é coberta por muitos espinhos castanho-escuros a pretos de 2 cm a 6 cm. A inflorescência é uma panícula de 50 cm a 100 cm, surgida entre as bases das folhas e protegida por uma espádice pilosa e espinhosa de 1 m a 1,5 m de comprimento por 20 cm a 40 cm de largura; a cada 1.000 flores femininas correspondem cerca de 85 mil flores masculinas, e em geral cada palmeira gera três inflorescências por ano. As flores são bissexuais, branco-amareladas, com menos de 1 cm, três sépalas e três pétalas, sendo as masculinas abundantes e apinhadas e as femininas escassas e localizadas na base. Os frutos são drupas globosas que passam de verde-oliva a amarelo, pardo ou marrom ao amadurecer; têm casca dura, polpa amarela e viscosa, medem de 2 cm a 4 cm de comprimento por 3 cm a 5 cm de diâmetro, pesam de 30 g a 50 g cada e abrigam uma única semente de valor comercial pelo óleo que contém. A semente guarda uma amêndoa redonda, dura, branca e oleaginosa de 1 cm a 2 cm de diâmetro.

Uso e ecologia
alimentícioóleoapícolapaisagismomedicinalmadeireiro
Produtos e utilizações

O fruto é a parte mais valiosa da macaúba, sobretudo pela produção de azeite. Em análises, os frutos renderam óleo da polpa (6%), óleo da amêndoa (5%), tortas diversas (21%), caroços (35%) e epicarpos (18%). O óleo da polpa tem qualidade excelente e lembra o azeite de oliva, podendo ser usado na cozinha, enquanto o óleo da amêndoa, incolor, é empregado na fabricação de sabão e tem grande aplicação na saboaria; no Paraguai, sua extração é uma indústria relevante. A polpa, doce e mucilaginosa, é consumida ao natural ou transformada em refresco, doces e geleias. A amêndoa pode ser comida torrada, como amendoim, ou crua na forma de doces, e é vendida em mercados como o de Belo Horizonte (MG). O palmito, cuja parte comestível pesa de 1 kg a 3 kg, rende pratos típicos, como o frango com macaúba. No Chaco paraguaio, os frutos são um recurso alimentar importante para os indígenas, que os comem crus ou assados. As folhas, por suas propriedades galactagogas, servem de forragem de boa qualidade para vacas leiteiras no período seco e no inverno. O óleo e a polpa também entram na produção caseira de sabão. Na medicina popular, a raiz é usada como diurética, o óleo como laxante e a seiva fermentada como febrífuga, além de aplicações contra abscessos e doenças respiratórias. A madeira é moderadamente densa, escura e de boa durabilidade: no Paraguai, os troncos partidos viram ripas, paredes e caibros, e na Bolívia, postes e construções rústicas; já como lenha tem péssima qualidade e não serve para celulose e papel.

Aspectos ecológicos

A macaúba é uma palmeira pioneira ou clímax exigente de luz, comum em encostas de morros e bastante tolerante ao fogo. Sua capacidade de recuperação após queimadas é notável: deixa de produzir apenas no ano da queima e volta a frutificar no ano seguinte. Com frequência forma povoamentos puros.

Floração e frutificação

A floração ocorre de julho a dezembro em Minas Gerais, de setembro a janeiro em Mato Grosso do Sul e de novembro a dezembro em São Paulo. Os frutos maduros aparecem de outubro a dezembro em Mato Grosso do Sul e de outubro a janeiro em São Paulo, levando de 13 a 14 meses para amadurecer.

Fauna associada

Espécie monoica, é polinizada principalmente por diversas abelhas, com destaque para a abelha-iraxim ou abelha-limão (Lestrimelitta limao), além de pequenos insetos como o besouro curculionídeo (Derelomus sp.). A dispersão dos frutos e sementes é tanto barocórica (por gravidade) quanto zoocórica, com participação de muitos animais, entre eles o tatu-peba, bovinos, equinos, suínos, roedores, emas e araras. A polpa dos frutos é muito apreciada por aves como araras, baitacas, papagaios, periquitos, gaviões e corvos.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser recolhidos do chão. Plantas isoladas e sem manejo rendem de 15 kg a 25 kg de frutos cada (de 240 a 720 unidades), mas com manejo adequado é possível chegar a 50 kg a 60 kg por planta, ou 23 t/ha; reduzir a frequência de corte das folhas para forragem ajuda a aumentar a produção. Cada quilo reúne de 25 a 35 frutos. A germinação é considerada difícil e pode levar anos até a emergência, e as sementes perdem rapidamente a viabilidade no armazenamento.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em recipientes grandes, como sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno. A germinação é hipógea (criptocotiledonar) e a propagação é problemática: a emergência costuma ser lenta, entre 90 e 150 dias, e a taxa de germinação é apenas moderada. As mudas alcançam o tamanho ideal para plantio cerca de 12 meses após a semeadura. Também é possível produzir mudas a partir de embriões por cultura in vitro.

Características silviculturais

Heliófila e medianamente tolerante ao frio, a macaúba pode ser plantada a pleno sol, em sistemas puros ou mistos. Por ter raízes profundas, integra bem sistemas agroflorestais (SAFs), onde reduz a competição com ervas daninhas. A grande variação natural em peso do fruto, cor do epicarpo, espessura das cascas e taxa de crescimento indica bom potencial para programas de melhoramento genético voltados a uma variedade domesticada de alta produção.

Crescimento e produção

O crescimento é moderado, com taxa média em torno de 0,50 m de altura por ano.

Clima

A precipitação média anual varia de 900 mm, no oeste de Minas Gerais, a 1.700 mm, no extremo noroeste do Paraná, com regime de chuvas periódicas. A deficiência hídrica vai de pequena (inverno do noroeste do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul) a forte (norte de Minas Gerais e Pantanal Mato-Grossense). A temperatura média anual fica entre 20,9 ºC (Sete Lagoas, MG) e 25,6 ºC (Chapada dos Guimarães, MT); a mínima absoluta registrada foi de -5,3 ºC (Guaíra, PR). As geadas são em média de 0 a 2 por ano, podendo chegar a seis, mas são raras no sul de Mato Grosso do Sul, no noroeste do Paraná e no centro de São Paulo. Pela classificação de Köppen, ocorre em climas Aw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

Espécie calcífila, é indicadora de boas condições químicas do solo. Prefere solos bem drenados, roxos e arenosos, com teor de areia entre 0% e 85%.