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Foto de Maçaranduba

Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF

Maçaranduba

Manilkara subsericea

Sapotaceae Mata Atlântica
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMadeireirasRecuperação de áreas

Também conhecida como: massaranduba, sapatão, sapotão, macaranduva, abiu-da-restinga

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Sapotaceae e ao gênero Manilkara, a espécie tem como nome científico Manilkara subsericea (Martius) Dubard, descrita pela primeira vez em 1915. No sistema do Angiosperm Phylogeny Group (APG II) está posicionada na ordem Ericales (classificada como Ebenales no antigo sistema de Cronquist), dentro do clado das asterídeas. Entre seus sinônimos botânicos mais citados estão Mimusops subsericea Martius, Synarrhena subsericea (Martius) Fischer & Meyer e Kaukenia subsericea (Martius) O. Kuntz, embora a sinonímia da espécie seja consideravelmente mais extensa. O nome do gênero, Manilkara, tem origem desconhecida, enquanto o epíteto subsericea remete a algo "meio sedoso", em alusão à face inferior aveludada das folhas.

Descrição botânica

Árvore perenifólia (sempre-verde), com discreta troca de folhas, que na fase adulta pode alcançar cerca de 25 m de altura e 90 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto e cilíndrico, com fuste de até 15 m. A ramificação é racemosa e a copa, alta e em formato de leque, concentra folhagem abundante e acinzentada nas pontas dos ramos, formando uma copa múltipla muito característica que torna a árvore facilmente identificável na floresta. A casca chega a 20 mm de espessura, com superfície externa cinzenta e fissurada; ao ser cortada, a casca interna libera látex branco. As folhas são coriáceas, de formato obovado-oblongo a ovado-elíptico, com ápice arredondado, obtuso ou levemente entalhado, medindo de 4,6 a 12 cm de comprimento por 2,2 a 6 cm de largura, sustentadas por pecíolo glabro de 0,7 a 2,4 cm. A face superior é glabra e levemente sulcada na nervura central; a inferior é prateado-brilhante, recoberta por pelos muito densos que formam uma espécie de membrana, com nervura central evidente, 12 a 16 pares de nervuras secundárias e margens revolutas. As inflorescências têm pedúnculo de cerca de 1,5 cm e reúnem de 1 a 10 fascículos. As flores são perfumadas, de cor creme, com pedicelo de 0,7 a 1,6 cm e corola glabra de 4,5 a 6,5 mm. O fruto é uma baga elipsoide ou globosa, apiculada, de coloração variável entre alaranjada, avermelhada e bordô, com 1,5 a 3 cm de diâmetro e 1 a 2 sementes. As sementes são ovoides, comprimidas lateralmente, com tegumento duro de superfície castanho-escura e sutura lateral marcante, medindo de 1,2 a 1,5 cm de comprimento.

Uso e ecologia
madeireirorecuperação de áreasalimentício
Produtos e utilizações

O látex que escorre da casca é comestível e tem sabor agradável. A madeira, densa a muito densa, tem cerne que varia do vermelho-rosado ao vermelho-pardo ou tom de chocolate, com leve nuance violácea que escurece com o tempo; é lisa ao tato, de textura média, grã direita, superfície de pouco a bem lustrosa, cheiro distinto e sabor levemente adstringente. Está entre as madeiras mais resistentes à umidade, à putrefação e às brocas marinhas. É empregada em construção civil e obras externas, peças estruturais, mastros de embarcações, dormentes, tacos e pisos, vigas, além de estacas, mourões de cerca, mesas de bilhar e arcos de violino. Também fornece lenha de boa qualidade, mas não serve para a produção de celulose e papel.

Aspectos ecológicos

Classificada como espécie clímax, apresenta distribuição irregular e descontínua: é frequente em certos trechos da floresta e rara em outros, com intensa regeneração natural observada sob algumas matrizes. Ocorre em densidades de até oito indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração acontece de maio a julho no Paraná e em Santa Catarina, e de agosto a setembro no Rio de Janeiro. Os frutos amadurecem de dezembro a março no Rio de Janeiro e de fevereiro a abril no Paraná.

Fauna associada

É uma espécie monoica. A polinização é feita por abelhas e diversos insetos pequenos, enquanto a dispersão de frutos e sementes é zoocórica, realizada principalmente por aves.

Plantio e silvicultura
Sementes

A colheita é prejudicada pela predação por pássaros e pelo intenso ataque de brocas. Cada quilo reúne cerca de 3 mil sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. O comportamento fisiológico é recalcitrante, ou seja, perdem rapidamente a viabilidade e não toleram armazenamento prolongado. Em laboratório, a 25 ºC e em vermiculita, a germinação foi de 44,5%.

Produção de mudas

Recomenda-se semear duas sementes por recipiente, em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou em tubetes grandes de polipropileno; quando necessário, a repicagem pode ser feita de 2 a 3 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 34 e 83 dias após a semeadura e poder germinativo de até 72%. As mudas atingem porte adequado para o plantio cerca de 9 meses depois da semeadura.

Características silviculturais

Espécie esciófila e sensível a baixas temperaturas, apresenta crescimento monopodial, com galhos finos emitidos em ângulo de 90º ao longo do tronco. Tem boa derrama natural, mas a poda dos galhos é recomendada para obter madeira sem nós. As tentativas de plantio puro a pleno sol fracassaram; já em plantio misto a pleno sol, em solo de alta fertilidade, a espécie apresentou crescimento, forma e sobrevivência satisfatórios. Indica-se também o plantio em linhas ou grupos em vegetação matricial, em faixas abertas, em florestas secundárias ou em programas de enriquecimento e adensamento. No litoral do Paraná, costuma ser mantida em áreas de pastagem.

Crescimento e produção

Há poucas informações sobre o desempenho da espécie em plantios, mas seu crescimento é lento.

Clima

A precipitação média anual nos locais de ocorrência vai de 930 mm, no Rio de Janeiro, a 3.200 mm, no litoral de São Paulo, com chuvas bem distribuídas no litoral de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo e no litoral sul fluminense, e chuvas periódicas do litoral norte do Rio de Janeiro até o norte do Espírito Santo. A deficiência hídrica é nula nessas regiões de chuvas uniformes e moderada no inverno do litoral norte fluminense e no Espírito Santo. A temperatura média anual oscila entre 19,6 ºC (Paranaguá, PR) e 24,8 ºC (Bertioga, SP); no mês mais frio fica entre 16,5 ºC (São Francisco do Sul, SC) e 21,2 ºC (Cabo Frio, RJ), e no mais quente entre 24 ºC (Paranaguá, PR) e 26,6 ºC (Aimorés, MG), com mínima absoluta registrada de -0,9 ºC em Morretes, PR. Geadas são raras no litoral catarinense e paranaense. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, As, Aw e Cfa.

Solos

Cresce naturalmente nos tabuleiros arenosos da planície litorânea e, no norte do Espírito Santo, em terrenos tipicamente arenosos. Também é encontrada em encostas de aclive suave, sobre solos mais profundos e úmidos.