Foto: Gonzalo Roget (CC BY) via GBIF
Louro-branco
Bastardiopsis densiflora
- 5 a 15 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: algodão, algodoeiro-da-mata, algodoeiro, barbanteiro, jangada-branca, jangada-de-areia, jangada-brava, jangada-brava-legítima, jangada-mansa, malva, malvão, pau-de-balsa, pau-jangada, pau-barbante, vassourão
Botânica
Pelo sistema de classificação de Cronquist, a espécie é uma angiosperma (divisão Magnoliophyta), pertence à classe das dicotiledôneas (Magnoliopsida) e à ordem Malvales, dentro da família Malvaceae. O nome aceito é Bastardiopsis densiflora (Hooker & Arnott) Hassler, descrito em 1910, tendo como sinônimo botânico Sida densiflora Hooker et Arnott. O nome do gênero remete à semelhança com o gênero Bastardia, enquanto o epíteto densiflora faz referência aos capítulos florais abundantes e adensados.
É uma árvore de folhagem perene a parcialmente decídua, que em geral mede de 5 a 15 m de altura e apresenta DAP entre 20 e 40 cm, podendo chegar a 25 m de altura e 82 cm de DAP quando adulta. O tronco é cilíndrico, praticamente reto, acanalado nos indivíduos de maior porte, com base reforçada e raízes tabulares pouco proeminentes; o fuste alcança até 12 m. A ramificação é racemosa e dicotômica, com ramos epicórmicos, e a copa é alongada, baixa e densa, de folhagem verde-acinzentada lembrando o louro-pardo (Cordia trichotoma). A casca chega a 15 mm de espessura: por fora é pardo-acinzentada escura, áspera, com fendas longitudinais e pequenas escamas que se soltam com facilidade, além de lenticelas dispostas em colunas; por dentro é branco-amarelada, muito fibrosa, de estrutura laminar, escurecendo ao contato com o ar. As folhas são simples, alternas, estipuladas, de ápice acuminado e base em forma de coração, com cinco nervuras principais bem marcadas e salientes na face inferior; são discolores, verde-acinzentadas na parte superior e esbranquiçadas embaixo, pilosas no dorso, medindo de 5 a 15 cm de comprimento nas plantas adultas e de 11 a 27 cm por 9 a 19 cm na fase jovem, com margem que varia de denticulada a quase inteira e pecíolo piloso de até 15 cm. As flores são pequenas, de cor amarela a quase branca, agrupadas em panículas terminais densas que atingem 25 cm. O fruto é uma cápsula seca e deiscente, piramidal e pentagonal, de 2 a 3 cm, densamente tomentosa, reunida em cachos e com dez arestas que lhe dão aparência de pequena aranha arredondada, contendo até cinco sementes. Cada semente é escura, pubescente, mais ou menos globosa e irregularmente comprimida, com dois apêndices semelhantes a hilos, medindo de 5 a 10 mm.
Uso e ecologia
A madeira é moderadamente densa (0,64 a 0,70 g/cm³ a 15% de umidade), com cerne branco-palha a levemente amarelado, uniforme, e alburno pouco diferenciado e um pouco mais claro. Tem superfície lisa e sem brilho, textura média, grã direita a levemente oblíqua e ausência de cheiro ou gosto perceptíveis. A durabilidade natural é de moderada a baixa diante de organismos xilófagos em condições adversas, e a madeira é moderadamente permeável a soluções preservantes sob pressão. É fácil de trabalhar e exibe desenho delicado, formado pela coloração mais escura do tecido fibroso. Entre os empregos da madeira serrada e roliça estão acabamentos internos, construção civil, carpintaria, caixas, entalhes, lambris, peças torneadas, portas e cabos de vassoura. Na Argentina, há demanda crescente para movelaria, laminação de boa qualidade, revestimentos internos, parquet, contraplacados e compensados. Como lenha, tem baixo poder calorífico, mas suas fibras relativamente longas a tornam adequada para celulose e papel.
É classificada como espécie pioneira a secundária inicial, embora alguns autores a considerem secundária tardia. Funciona como indicadora confiável de florestas que sofreram exploração intensa, sendo frequente em matas semidevastadas e, sobretudo, nas bordas. Em formações secundárias e áreas abertas pode formar pequenos agrupamentos quase puros, sendo rara no interior da floresta clímax. Adapta-se bem a condições de estresse, exigindo maior transporte de água por unidade de área foliar, característica típica de árvores de sucessão intermediária que crescem depressa aproveitando alta insolação. Ocorre em diversas formações vegetais, principalmente na Floresta Estacional Semidecidual da Bacia do Rio Paraná, de modo descontínuo e também em afloramentos calcários, na Floresta Estacional Decidual da Bacia do Rio Uruguai e na zona de contato entre a Floresta Estacional Semidecidual e a Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária). Em Misiones, na Argentina, sua frequência na Selva Misionera varia de 0 a 9 indivíduos por hectare, com os maiores valores em florestas degradadas ou capoeiras; numa floresta secundária de 25 anos, o número de árvores por hectare variou entre 297 e 637.
A floração ocorre de maio a junho em Minas Gerais e de junho a agosto no Paraná e em São Paulo. Os frutos amadurecem de julho a agosto em Minas Gerais, de agosto a setembro no Paraná e em São Paulo e de dezembro a fevereiro no Rio Grande do Sul. Em plantios feitos em solos férteis, a reprodução tem início por volta dos 2 anos de idade.
A planta é hermafrodita e tem nas abelhas seus principais polinizadores. A dispersão dos frutos e sementes é feita pelo vento (anemocórica).
Plantio e silvicultura
A colheita deve ser feita coletando os frutos diretamente da árvore assim que começarem a cair espontaneamente. Como as sementes são muito pequenas, recomenda-se secar a inflorescência inteira sobre lona plástica em local ventilado e depois bater com vara para extraí-las. Cada quilo reúne de 371 mil a 850 mil sementes. Não há necessidade de quebrar dormência, pois as sementes não a apresentam. Por outro lado, são recalcitrantes e mantêm a viabilidade por pouco tempo, no máximo três meses em sala; há indícios de algum benefício no envelhecimento das sementes, ainda não totalmente esclarecido.
Indica-se semear em sementeiras e depois repicar as plântulas para sacos de polietileno de pelo menos 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, transferindo-as de 3 a 5 semanas após o início da germinação. A germinação é epígea e começa entre 5 e 60 dias após a semeadura; o poder germinativo é bastante variável entre árvores, indo de 0% a mais de 50%, com média de cerca de 3%. As mudas permanecem no viveiro por pelo menos 6 meses. Como há registro de doenças e mortalidade nessa fase, possivelmente por substrato inadequado, recomenda-se cultivo a meia-sombra e substrato composto por partes iguais de areia, matéria orgânica e argila.
Trata-se de espécie heliófila e medianamente tolerante ao frio, com árvores adultas suportando temperaturas mínimas de até -5ºC em florestas naturais. Apresenta crescimento monopodial e boa desrama natural. Pode ser cultivada a pleno sol em plantio puro, em plantio misto associada a espécies secundárias ou clímax, servindo inclusive de tutoramento a elas, ou ainda no enriquecimento de bosques nativos. Nesse último caso, abrem-se faixas no sentido Leste-Oeste, com largura inicial de 1,5 m e distância de 25 m entre si, com cortes de melhoria; em Misiones, na Argentina, adotou-se densidade de 80 indivíduos por hectare, plantando as mudas a cada 5 m na faixa. A espécie rebrota da touça após o corte.
Há poucos registros de crescimento em plantios experimentais no Brasil. O maior incremento médio observado no Paraná foi de 4,4 m³/ha/ano aos 9 anos, em Santa Helena. Ainda assim, o crescimento é rápido, chegando a 2,0 m de altura por ano na fase juvenil, ritmo mantido também na regeneração natural. Na Argentina, em plantio de enriquecimento com plantas de regeneração natural, o crescimento médio em altura foi de 51 cm por ano, com sobrevivência de 60% no terceiro ano.
A precipitação média anual varia de 1.200 mm, em São Paulo, a 2.300 mm, em Santa Catarina, com chuvas bem distribuídas no Sul e concentradas no verão no Sudeste e no sul de Mato Grosso do Sul. A deficiência hídrica é nula no Sul, leve no sul de Minas e moderada, com estação seca de até 4 meses, no oeste de São Paulo e no sul de Mato Grosso do Sul. A temperatura média anual fica entre 18,3ºC (Telêmaco Borba, PR) e 22,3ºC (Jaú, SP); a média do mês mais frio vai de 13,5ºC (Telêmaco Borba, PR) a 19,5ºC (Sete Lagoas, MG) e a do mês mais quente de 22,4ºC (Telêmaco Borba, PR) a 25,9ºC (São Borja, RS), com mínima absoluta de -5,2ºC em Palotina (PR). As geadas variam de 0 a 10 por ano em média, podendo chegar a 18 no Sul, mas predominam regiões sem geadas ou com geadas pouco frequentes. Os tipos climáticos de Köppen abrangem o subtropical úmido Cfa (Sul), o subtropical de altitude Cwa (oeste de São Paulo) e Cwb (sul de Minas Gerais) e o tropical Aw (sul de Mato Grosso do Sul).
É considerada indicadora de solos quimicamente férteis. Prefere terrenos úmidos com boas propriedades físicas, como drenagem adequada e textura que varia de areno-argilosa a argilosa.