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Foto de Limoeiro-do-mato

Foto: Victor Farjalla Pontes (CC BY) via GBIF

Limoeiro-do-mato

Seguieria langsdorffii

Phytolaccaceae Mata Atlântica
  • até 30 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: bico-de-beija-flor, pau-fedorento, laranja-do-mato, laranjeira-braba, laranjeira-do-mato, limão-bravo, limão-do-mato, limoeiro, pau-de-alho, ibirarema, limeira-do-mato, limoeiro-bravo, falso-pau-d'alho

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação do The Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a espécie pertence à ordem Caryophyllales e à família Phytolaccaceae, dentro do clado das eudicotiledôneas core (Angiospermae). Seu nome científico é Seguieria langsdorffii Moq., descrito pela primeira vez em DC., Prodromus XIII, 2. Já recebeu diversos sinônimos botânicos, entre eles Albertokuntzea langsdorffii (Moq.) O. Kuntze, Seguieria glaziovii Briq., Seguieria affinis Heimerl, Seguieria mammifera H. Walter e Seguieria rigida H. Walter. O nome do gênero homenageia J. Fr. Seguier, enquanto o epíteto langsdorffii é uma referência ao botânico russo Langsdorff.

Descrição botânica

De porte que varia de arbustivo a arbóreo, é uma planta sempre-verde (perenifólia, com troca gradual de folhas) e nunca trepadeira. Os exemplares de maior porte chegam perto de 30 m de altura e 130 cm de diâmetro à altura do peito (DAP), mas o mais comum é não passar de 20 m de altura e 70 cm de DAP. O tronco é irregular, costuma ser bem alargado na base e afina em direção ao topo, com fuste de até 10 m; pode apresentar espinhos de até 50 mm, muito pequenos, ou estar sem eles. A ramificação é dicotômica e a copa, alongada e assimétrica, é formada por galhos horizontais ou voltados para baixo, com ramos finos, angulosos, estriados e glabros. A casca chega a 10 mm de espessura, sendo a externa (ritidoma) acinzentada. As folhas são alternas, elípticas ou ovadas, de consistência geralmente coriácea quando maduras, com 3 a 13 cm de comprimento por 2 a 6,5 cm de largura, ápice levemente emarginado e mucronado, base arredondada, salpicadas de pequenas pontuações translúcidas; os pecíolos têm de 2 a 8 mm e na base trazem duas estípulas transformadas em acúleos. As inflorescências formam panículas quase eretas, cilíndricas e adensadas, em geral axilares, com 4,5 a 30 cm de comprimento e de 10 a 80 flores amareladas. Os frutos são sâmaras frágeis, achatadas e sésseis, de 22 a 46 mm, com núcleo seminífero arredondado e ala apical oblonga de 25 a 35 mm, de consistência membranácea a papirácea. As sementes são globosas a reniformes, levemente comprimidas, com 6 a 7 mm em ambas as dimensões, tegumento pardo-avermelhado, membranáceo e enrugado, e perisperma em parte farinoso e castanho-escuro, em parte viscoso e claro.

Uso e ecologia
paisagismorecuperação de áreasmedicinalapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,60 g/cm³), com alburno e cerne indistintos de cor branco-palha uniforme; tem grã irregular a reversa, textura média, superfície lustrosa e lisa, sem cheiro ou gosto marcantes, lembrando a madeira do pau-d'alho (Gallesia integrifolia). Em situações desfavoráveis, sua durabilidade é muito baixa. Por isso, não serve para madeira serrada ou roliça e não tem valor econômico nesse sentido, prestando-se apenas a caixotaria leve; também é inadequada para celulose e papel e produz lenha de péssima qualidade. Entre os usos viáveis, destaca-se o potencial apícola, já que fornece néctar e pólen, o emprego medicinal popular como diurética, o uso paisagístico em arborização rural e a aplicação ambiental na restauração de matas ciliares e na recuperação de ecossistemas degradados.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie pioneira. É bastante comum em capoeiras e matas no Estado de São Paulo, porém rara nas florestas e capoeiras da Ilha de Santa Catarina e pouco frequente na mata do Vale do Itajaí. No bioma Mata Atlântica, ocorre na Floresta Estacional Semidecidual (formações submontana e montana, em Minas Gerais, Paraná e São Paulo, com até três indivíduos por hectare), na Floresta Ombrófila Densa (formações das terras baixas, submontana e montana, no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo) e na Floresta Ombrófila Mista, com araucária (formação montana, no Paraná, com cerca de um adulto por hectare). Aparece ainda em matas ciliares de Minas Gerais e do Paraná, em ecótono entre Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila Mista e em floresta higrófila, ambos no Paraná.

Floração e frutificação

A floração ocorre de outubro a abril no Paraná e de dezembro a fevereiro em Santa Catarina. Os frutos amadurecem em abril em Santa Catarina e em São Paulo, e de abril a junho no Paraná.

Fauna associada

Espécie hermafrodita, é polinizada sobretudo por abelhas e por vários insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes é feita pelo vento (anemocórica).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos na própria árvore assim que começarem a cair naturalmente e podem ser semeados inteiros, já que retirar a semente de dentro deles dá muito trabalho. Cada quilo reúne cerca de 8.600 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. De comportamento fisiológico ortodoxo, mantêm a viabilidade por mais de cinco meses quando guardadas em condições de sala.

Produção de mudas

O recomendado é a semeadura direta em sacos de polietileno de 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou em tubetes de polipropileno de 120 cm³. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 10 e 30 dias após a semeadura e taxa geralmente baixa, em torno de 50%. Por volta de seis meses depois da semeadura, as mudas alcançam cerca de 20 cm de altura.

Características silviculturais

Espécie heliófila, é medianamente tolerante ao frio na fase jovem. Quando nova, cresce de forma monopodial e com galhos finos; tem boa desrama natural, mas é indicada a poda artificial periódica dos galhos quando há cicatrização regular. Rebrota da touça ou cepa. É recomendada para plantio misto ou em faixas abertas em capoeirões, plantada em linhas. Em sistemas agroflorestais, costuma ser conservada nas pastagens do leste paulista.

Crescimento e produção

As informações sobre o desenvolvimento em plantios são escassas. Sabe-se que o crescimento é lento, podendo render uma produção volumétrica de até 3,50 m³/ha/ano aos 8 anos de idade, no Paraná.

Clima

A precipitação anual média vai de 1.000 mm, em Minas Gerais, a 1.800 mm, em São Paulo, com chuvas bem distribuídas no Paraná e em Santa Catarina e mais concentradas nas demais regiões. A deficiência hídrica é nula nos planaltos do Paraná e de Santa Catarina e de pequena a moderada no inverno dos planaltos central e leste de São Paulo. A temperatura média anual fica entre 13,4 ºC (Campos do Jordão, SP) e 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ), com mínima absoluta de -7,3 ºC registrada em Campos do Jordão. As geadas variam de frequentes no inverno do Planalto Sul-Brasileiro a raras no litoral do Paraná e de Santa Catarina. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Naturalmente, ocorre em solos úmidos de planície e nas margens de rios e regatos. Em plantios, desenvolve-se melhor em solos de fertilidade alta e textura argilosa.