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Foto de Limão-do-mato

Foto: (c) Lorella Paola Cappelli, some rights reserved (CC BY-SA), uploaded by Lorella Paola Cappelli (cc-by-sa) via iNaturalist

Limão-do-mato

Randia ferox

Rubiaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 12 mAltura
  • Médio portePorte
Raras / ameaçadasMedicinaisOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: araribá-cruzeiro, espinho-de-santo-antônio, fruta-de-cachorro, ponteiro, agulheiro, erva-de-rato, espinheira, limão-bravo, cheirosa, esporão-de-galo, fruta-de-macaco, limoeiro-do-mato, espinho-de-folha, quina-quina, angélica, limãozinho-do-mato, limoeiro, fruta-de-jacaré, jasmim-do-mato, jenipapeiro-bravo, sol-de-mata, veludo, veludo-de-espinho

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação do The Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a espécie é uma angiosperma do clado das Euasterídeas I, ordem Gentianales (correspondente à ordem Rubiales no sistema de Cronquist), família Rubiaceae e gênero Randia. O binômio aceito é Randia ferox (Chamisso & Schlechtendal) A. de Candolle, descrito originalmente em 1830. Entre seus sinônimos botânicos figuram Gardenia ferox Cham. & Schltl. e Basanacantha spinosa Karst. var. ferox (Cham. & Schltl.) K. Schum. O nome do gênero Randia presta homenagem ao farmacêutico inglês Isaac Rand, autor em 1739 de um catálogo das plantas do jardim farmacêutico de Chelsea, em Londres; já o epíteto ferox deriva do latim e significa "sanguinolento", referência aos espinhos rígidos e perigosos da planta. No exterior, na Bolívia, é conhecida como crucecito del monte.

Descrição botânica

Trata-se de um arbusto ou arvoreta semidecídua. Os exemplares de maior porte alcançam, na fase adulta, cerca de 12 m de altura e 30 cm de DAP (diâmetro medido a 1,30 m do solo). O tronco costuma ser tortuoso, irregular e ramificado já a 30 cm do solo, coberto por pelos esteliformes e portando espinhos lenhosos solitários; o fuste é curto, de até 5 m. A ramificação é cimosa, com ramos divaricados que apresentam de 2 a 4 espinhos de 4 mm a 14 mm na região apical, lembrando os pés de uma ave. A casca chega a 5 mm de espessura, com superfície externa castanho-acinzentada a castanho-esverdeada, marcada por cicatrizes profundas e espinhos ramificados e pedunculados; internamente é creme-amarelada. As folhas são simples, opostas, de formato elíptico ou oblongo e consistência membranácea, com ápice agudo a acuminado e base aguda ou cuneada, pubescentes nas duas faces (mais na dorsal, sobretudo ao longo das nervuras); o limbo mede de 5 cm a 22 cm de comprimento por 2 cm a 10,5 cm de largura, com pecíolo delgado de 0,5 cm a 2 cm, frequentemente reunidas em rosetas nos ramos terminais. A inflorescência masculina é fasciculada, com 3 a 10 flores apoiadas por brácteas caulinares, enquanto a feminina é uniflora. As flores são unissexuais, de corola tubular branca, glabra por fora e pilosa por dentro, medindo de 3 cm a 4 cm de comprimento por 3 mm a 4 mm de largura, com aroma bastante agradável. O fruto é um anfissarcídio de pericarpo coriáceo e firme, com a cavidade interna repleta de sementes envoltas em polpa carnosa, sem lóculos definidos; tem forma oblonga a globosa, pequeno mamilo apical, casca um pouco rugosa e áspera que amarelece na maturação, medindo de 3,2 cm a 4,8 cm por 1,5 cm a 3,4 cm, com pedúnculo de cerca de 1,1 cm. A massa de cada fruto variou de 10,65 g a 18,71 g. A polpa é escura, quase preta, de consistência viscosa e sabor adocicado, e cada fruto guarda de 21 a 50 sementes. As sementes são pretas, de 3 mm a 6 mm de comprimento por 2 mm de largura, com superfície lisa, tegumento duro e envoltas em mucilagem viscosa.

Uso e ecologia
paisagismorecuperação de áreasmedicinalperfumaria
Produtos e utilizações

A madeira é leve a moderadamente densa (0,50 g/cm³ a 0,60 g/cm³), com alburno e cerne indistintos de tom branco-amarelado, superfície lisa ao tato, grã direita, textura fina e gosto e cheiro imperceptíveis. Por causa do pequeno porte dos indivíduos, não se presta à produção de madeira serrada ou roliça e tem reduzido valor econômico nesse aspecto, mas é considerada adequada para celulose e papel e fornece lenha de qualidade razoável. Na medicina popular, a casca da raiz tem princípio amargo de propriedades tônicas e febrífugas, e indígenas de várias etnias do Paraná e de Santa Catarina empregam as folhas ou o caule no tratamento de melena (diarreia com presença de sangue), cólica intestinal e pneumonia. Suas flores são aproveitadas pela indústria de perfumaria. No paisagismo tem grande apelo ornamental, com a ressalva dos espinhos. Em projetos ambientais, é valiosa por atrair muito a fauna.

Aspectos ecológicos

É uma espécie secundária tardia ou clímax, tolerante à sombra. Rara, ocorre tanto no interior da floresta quanto em vegetação secundária (capoeiras). No bioma Mata Atlântica, está presente na Floresta Estacional Decidual (formações das Terras Baixas, Submontana e Montana, no Rio Grande do Sul); na Floresta Estacional Semidecidual (formações Submontana e Montana, em Minas Gerais, no Paraná e em São Paulo, com frequência de até dois indivíduos por hectare); na Floresta Ombrófila Densa (formações das Terras Baixas, Submontana e Montana, na Bahia, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, com até cinco indivíduos por hectare); na Floresta Ombrófila Mista, com araucária (formação Montana, no Paraná e em Santa Catarina, com até três indivíduos por hectare); e na restinga (Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), onde é rara, com frequência de 0 a 14 indivíduos por hectare. No bioma Cerrado, aparece na Savana Florestada ou cerradão, em Minas Gerais e em São Paulo. Também é encontrada em ambientes fluviais ou ripários no Rio Grande do Sul e em São Paulo.

Floração e frutificação

A floração se estende de maio a fevereiro em Santa Catarina, de agosto a outubro no Paraná e ocorre em outubro em São Paulo. Os frutos amadurecem de maio a julho em Santa Catarina, de junho a novembro no Paraná e em setembro no Rio Grande do Sul.

Fauna associada

Sendo uma espécie dioica, a polinização é feita sobretudo por mariposas da família Esfingídeos, além de moscas, vespas, a abelha-irapuá (Melipona sp.) e outros insetos não identificados. A dispersão dos frutos e sementes combina mecanismos autocóricos do tipo barocórico (por gravidade) e zoocóricos (por animais), com destaque para macacos como o titi-de-cabeça-branca (Callicebus sp.) e o tamarino-de-cabeça-de-algodão (Saguinus oedipus).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos na transição da cor verde para a amarelada. Em seguida, são abertos e as sementes separadas manualmente, selecionando-se as morfologicamente perfeitas, sem preocupação com padronização de tamanho ou forma, e descartando-se as malformadas ou com dano mecânico aparente. Cada quilo reúne cerca de 5 mil sementes. A escarificação com ácido sulfúrico mostrou-se o tratamento pré-germinativo mais eficaz. As sementes têm comportamento recalcitrante e perdem rapidamente a viabilidade no armazenamento.

Produção de mudas

Recomenda-se semear uma semente por recipiente, em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou em tubetes de polipropileno pequenos (50 cm³). Quando necessária, a repicagem deve ocorrer de 1 a 2 semanas após a germinação. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, com emergência entre 15 e 45 dias após a semeadura e taxa de germinação de 30% a 75%. As mudas atingem porte adequado para o plantio em campo cerca de 8 a 12 meses depois da semeadura. A plântula tem sistema radicular pivotante, com raiz axial bem desenvolvida.

Características silviculturais

É uma espécie esciófila, de luz difusa até heliófila, que suporta baixas temperaturas. Seu hábito é variável e em geral irregular, com perda de dominância apical, bifurcação desde a base ou formação de galhos grossos, embora a forma monopódica não seja rara. Convém aplicar poda corretiva e desramas periódicas para elevar a altura comercial; a planta rebrota da touça. É indicada para plantio misto ou em capoeira, abrindo-se faixas na vegetação matricial com plantio em linhas. Atualmente está ameaçada de extinção e, por sua importância ambiental, merece ser estudada e preservada.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre seu desempenho em plantios, mas o crescimento é lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 730 mm, na Bahia, a 2.300 mm, no Rio de Janeiro. As chuvas são uniformemente distribuídas na Região Sul (com exceção do noroeste do Paraná), uniformes ou periódicas na faixa costeira do sul da Bahia e periódicas nas demais áreas. A deficiência hídrica é nula no Sul (exceto noroeste do Paraná), nula ou pequena no litoral sul baiano, pequena no verão do sul gaúcho, de pequena a moderada em Sergipe, moderada no nordeste capixaba e no inverno do noroeste paranaense, e de moderada a forte no inverno do oeste mineiro. A temperatura média anual vai de 16,6 ºC (Santa Vitória do Palmar, RS) a 24,3 ºC (Ilhéus, BA); a média do mês mais frio fica entre 11,3 ºC (Santa Vitória do Palmar, RS) e 22,1 ºC (Ilhéus, BA), e a do mês mais quente entre 19,7 ºC (Franca, SP) e 26,4 ºC (Angra dos Reis, RJ). A mínima absoluta registrada foi de -7 ºC (Irati, PR). O número de geadas por ano é em média de 0 a 10, chegando a um máximo absoluto de até 33 no Paraná. Pela classificação de Köppen, ocorre nas zonas Af, Am, As, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

Desenvolve-se naturalmente em solos úmidos. No Paraná, é encontrada junto a afloramentos rochosos de arenito.