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Juquiri

Mimosa regnellii

Fabaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 4 m (excepcionalmente 10 m)Altura
  • ArvoretaPorte
MadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: catarina

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema do The Angiosperm Phylogeny Group (APG II), o juquiri pertence à divisão Angiospermae, clado das Eurosídeas I, ordem Fabales (tratada como Rosales na classificação de Cronquist) e família Fabaceae (Leguminosae em Cronquist), dentro da subfamília Mimosoideae e do gênero Mimosa. A espécie é Mimosa regnellii Bentham, descrita em G. Bentham, Linnaea 22:529, em 1849. O nome do gênero deriva do grego mimein (mover) e meisthal (imitar), aludindo ao movimento das folhas de muitas espécies do grupo, que se recolhem ao menor toque. Já o epíteto regnellii homenageia Anders Fredrik Regnell, botânico sueco radicado no Brasil que financiou a vinda de outros pesquisadores suecos ao país.

Descrição botânica

Trata-se de um arbusto ou arvoreta de folhas persistentes e sem espinhos. Os exemplares mais desenvolvidos chegam a cerca de 4 m de altura e 10 cm de DAP (diâmetro medido a 1,30 m do solo) quando adultos; o maior porte já registrado, de 10 m, foi observado em plantios em Colombo, no Paraná. O tronco é tortuoso e, por vezes, surge na forma de multitroncos. A ramificação é racemosa e a copa, pequena, densa e de contorno irregular. A casca tem até 3 mm de espessura, sendo a camada externa (ritidoma) lisa e de cor marrom-avermelhada. As folhas são bipinadas, com 6 a 10 jugas e muitos folíolos, que somam de 12 a 33 pares por pina, próximos entre si e de formato linear. A inflorescência se dispõe em racemos apicais robustos e multicapitulados, com 14 a 67 cm de comprimento. As flores se reúnem em capítulos globosos a ovoides, de cor rósea ou lilás, medindo de 6 a 7 mm de diâmetro sem considerar os estames. O fruto é um legume curto e setuloso, de 0,6 a 1,7 cm de comprimento por 0,4 a 1,2 cm de largura, com forma oboval a oblonga e achatada; suas valvas cartáceas se abrem, soltam-se do septo e, em seguida, fragmentam-se parcialmente em articulações. Cada fruto encerra de 1 a 3 sementes, dispostas transversalmente.

Uso e ecologia
paisagismorecuperação de áreasapícolamadeireiro
Produtos e utilizações

Por causa do pequeno tamanho, há limitações ao aproveitamento da madeira serrada ou roliça; eventualmente ela pode servir como lenha em pequena escala, sobretudo no uso doméstico. Para celulose e papel, porém, a madeira é considerada inadequada. A massa específica básica é de 0,50 g/cm³, com alburno e cerne de tom castanho-claro. Ainda não existem estudos publicados sobre as propriedades físicas e mecânicas dessa madeira. No campo apícola, a planta tem bom potencial melífero: suas flores são atrativas e bastante procuradas por abelhas e outros insetos, fornecendo pólen e néctar. Pela floração precoce e pela beleza das flores róseas, o juquiri também é indicado para paisagismo, com a ressalva de que tem vida curta (de 5 a 10 anos) e copa que vai rareando e diminuindo com a idade, razão pela qual convém usá-lo como ornamental apenas até a primeira floração.

Aspectos ecológicos

O juquiri é uma espécie pioneira. Característica e exclusiva da Zona dos Pinhais e dos Campos no Paraná e em Santa Catarina, apresenta dispersão ampla e marcante, embora descontínua, por quase todo o Planalto Sul-Brasileiro. Cresce principalmente nas bordas dos capões e dos pinhais, em solos úmidos ou ao longo de cursos d'água, além de matas alteradas e capoeiras. Não raro forma agrupamentos densos, cuja presença é realçada pelos vistosos capítulos de flores arroxeadas, figurando entre as mimosas arbustivas mais expressivas do segundo e do terceiro planaltos paranaenses. Ocupa, no bioma Mata Atlântica, a Floresta Ombrófila Mista (mata com araucária) na formação Montana do Paraná, e, no bioma Cerrado, a savana ou cerrado stricto sensu, também no Paraná.

Floração e frutificação

A floração vai de setembro a janeiro em Minas Gerais, de dezembro a fevereiro no Paraná e de novembro a fevereiro em Santa Catarina. Os frutos amadurecem de março a novembro em Santa Catarina e em junho no Paraná. A reprodução começa cedo, já a partir do segundo ano de idade em plantios homogêneos.

Fauna associada

A espécie é monoica e a polinização é feita sobretudo por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão de frutos e sementes é autocórica, predominantemente barocórica, ou seja, ocorre pela ação da gravidade.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da planta assim que começam a abrir. Depois da coleta, ficam em local arejado para que as vagens se abram; o beneficiamento é feito em peneiras, para separar as sementes. Há cerca de 100 mil sementes por quilo. Como apresentam dormência tegumentar, é preciso aplicar tratamentos pré-germinativos: Fowler e Carpanezzi sugerem imergir as sementes em água a uma temperatura inicial de 50 ºC a 96 ºC, mantendo-as nessa mesma água por 12 horas, e também a imersão em ácido sulfúrico concentrado por 10 minutos. Para conservar as sementes por 12 meses, recomenda-se câmara fria com embalagem de polietileno (24 micras) ou sala de laboratório com embalagem de papel Kraft. Em laboratório, a germinação pode ser obtida em qualquer dos substratos testados combinados a temperaturas de 20 ºC, 25 ºC ou 30 ºC; ainda assim, os autores recomendam o substrato de areia, por ser atóxico às plântulas, livre de microrganismos, barato e reutilizável.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar para sacos de polietileno de no mínimo 14 cm de altura por 6 cm de diâmetro, ou para tubetes pequenos de polipropileno. A semeadura direta no campo, com cinco sementes por cova, também é viável. A repicagem deve ser feita entre 1 e 2 semanas após a germinação, que é epígea ou fanerocotiledonar. A emergência começa de 3 a 30 dias depois da semeadura e o poder germinativo é alto, em média 80%. As mudas alcançam o tamanho ideal para plantio cerca de 3 meses após a semeadura, e o sistema radicial é superficial. As raízes de M. regnellii formam nódulos e fixam nitrogênio em associação com Rhizobium sp.; em viveiros, observou-se nodulação espontânea e satisfatória quando se usou terra proveniente de bracatingais (Mimosa scabrella).

Características silviculturais

Trata-se de espécie heliófila e tolerante a baixas temperaturas. O hábito é bastante variável: a planta costuma ser bem esgalhada desde a base, com copa aberta, muito ramificada e bifurcada, embora existam indivíduos de crescimento monopodial. Não ocorre derrama natural, mesmo em espaçamento de 1 m x 1 m. O plantio recomendado é a pleno sol. Para recuperação de áreas, indica-se espaçamento inicial de 1 m x 1 m, que fecha o terreno em 6 meses, ou de 2 m x 2 m, que o fecha em 1 ano. Em geral, a espécie não rebrota após o corte.

Crescimento e produção

O crescimento de M. regnellii é rápido no primeiro ano após o plantio, quando a planta atinge de 1 m a 2 m de altura.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.300 mm, em Minas Gerais, a 2.300 mm, no Paraná, com chuvas distribuídas de forma uniforme ao longo do ano. A deficiência hídrica é nula no Sul do Brasil, exceto no norte do Paraná, e de pequena a moderada no inverno do Planalto Central paulista e do sul de Minas Gerais. A temperatura média anual fica entre 15,2 ºC (Curitibanos, SC) e 19 ºC (Garimpo, MG); a média do mês mais frio vai de 10,6 ºC (Curitibanos, SC) a 14 ºC (Itararé, SP), e a do mês mais quente, de 19,4 ºC (Curitibanos, SC) a 21,3 ºC (Jaguariaíva, PR). A temperatura mínima absoluta registrada foi de -10 ºC, em Palmas, no Paraná. As geadas variam de 0 a 13,4 por ano em média, podendo chegar a 28 no Sul do país. Na classificação de Köppen, a espécie ocorre nos tipos Cfa (subtropical úmido com verão quente) no Paraná e em São Paulo, Cfb (temperado sempre úmido com verão ameno) no Paraná e em Santa Catarina, e Cwb (subtropical de altitude com verões chuvosos e invernos frios e secos) no sul de Minas Gerais.

Solos

Naturalmente, o juquiri se desenvolve em solos úmidos, pedregosos e com afloramentos rochosos. Para fins ambientais, vai bem em terrenos hidromórficos com solos Glei Húmico, Glei Pouco Húmico e Cambissolo Gleico, bem como em solos mais bem drenados, sobretudo o Cambissolo Húmico.