Jatobá-mirim
Guibourtia hymenaeifolia
- até 20 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: jatobá-mirim, copaíba-mirim, copaibeira
Botânica
Pelo sistema de classificação do The Angiosperm Phylogeny Group (APG II, 2003), Guibourtia hymenaeifolia (Moric.) J. Léonard pertence à família Fabaceae (chamada Leguminosae no sistema de Cronquist), subfamília Caesalpinioideae e tribo Detarieae, dentro da ordem Fabales. A espécie já recebeu outros nomes ao longo do tempo, hoje considerados sinônimos: Copaifera hymenaeifolia Moric., Copaiba hymenaeifolia (Moric.) Kuntze e Pseudocopaiva hymenaefolia (Moric.) Britt. & P. Wilson. O nome do gênero, Guibourtia, tem origem desconhecida, enquanto o epíteto específico hymenaeifolia faz referência à semelhança de suas folhas com as do gênero Hymenaea.
Árvore semidecídua que, quando adulta, chega a cerca de 20 m de altura e 70 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto e cilíndrico, com fuste de no máximo 8 m, casca de até 15 mm de espessura e ritidoma (casca externa) que se desprende em placas. A ramificação é dicotômica e a copa, alongada. As folhas são alternas e compostas por dois folíolos, presas a um pecíolo de 1 cm a 3 cm. Os folíolos são opostos, sésseis, inteiros, subcoriáceos, glabros nas duas faces, brilhantes na parte de cima e com pontuações visíveis contra a luz; são inequiláteros, discolores, com nervuras aparentes em ambas as faces, e medem de 4 cm a 10 cm de comprimento por 2 cm a 4,4 cm de largura. As flores, brancas e pequenas, reúnem-se em panículas axilares bem reduzidas, de 1 cm a 2 cm. O fruto é uma vagem (legume) deiscente e glabra, que abriga uma única semente de cor vermelha.
Uso e ecologia
A madeira é densa (1,00 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno róseo-claro e cerne róseo-castanho, textura média e uniforme e grã direita. Bem protegida das intempéries, mostra-se dura ao corte, mecanicamente resistente e bastante durável. Por essas qualidades, é empregada na construção civil, em móveis de luxo, esquadrias, batentes de portas e janelas, além de tacos e tábuas de assoalho. Também rende lenha de boa qualidade, embora não seja recomendada para celulose e papel. Pelos atributos ornamentais, a árvore se presta à arborização paisagística.
Trata-se de uma espécie secundária tardia a clímax, típica e exclusiva das matas secas e calcárias do Pantanal mato-grossense e da Caatinga, onde é rara a ocasional e apresenta distribuição irregular e descontínua. Ocorre na Savana-Estépica (Caatinga arbustiva-arbórea do sertão árido), no Pantanal mato-grossense e em formações semideciduais do Mato Grosso do Sul, além de matas ciliares, onde costuma ocupar o estrato superior, tanto nesse estado quanto em Minas Gerais.
No Mato Grosso do Sul, floresce entre maio e junho e frutifica de julho a outubro. A produção de frutos foi estimada em 11,3 kg/ha em julho e 15,7 kg/ha em agosto.
Espécie hermafrodita, polinizada sobretudo por abelhas de várias espécies e por diversos insetos pequenos. A dispersão de frutos e sementes é essencialmente zoocórica, feita principalmente por pássaros.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a abrir e cair naturalmente, ou recolhidos no chão logo após a queda; em seguida, devem secar à sombra até abrirem por completo e liberarem as sementes. Cada quilo reúne cerca de 1.400 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. Em armazenamento, mantêm a viabilidade por cerca de 6 meses.
Recomenda-se semear em sementeiras para posterior repicagem, ou colocar duas sementes em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou ainda em tubetes de polipropileno de tamanho médio; a repicagem deve ocorrer de 2 a 4 semanas após a germinação. A germinação é epígea-carnosa (fanerocotiledonar) e a emergência começa de 28 a 35 dias após a semeadura. Em geral é baixa, chegando a até 50%, e as mudas crescem devagar, ficando aptas ao plantio cerca de 9 meses depois da semeadura. As raízes estabelecem associação simbiótica com Rhizobium.
Heliófila a esciófila e medianamente tolerante ao frio, a espécie cresce de forma simpodial, sem fuste principal bem definido e com forte ramificação lateral. A derrama natural é deficiente, exigindo podas de condução e de galhos frequentes e periódicas; a planta brota da touça ou cepa. Pode ser usada em plantio misto a pleno sol, em conjunto com espécies pioneiras.
Existem poucos dados sobre o desenvolvimento da espécie em plantios, mas o crescimento é lento. Aos 8 anos, registrou-se incremento médio anual em volume de 0,80 m³/ha/ano.
A precipitação média anual varia de 1.000 mm, em Minas Gerais, a 1.700 mm, no Mato Grosso do Sul, com chuvas periódicas e deficiência hídrica de moderada a forte no inverno, no sudoeste mato-grossense-do-sul. A temperatura média anual fica entre 20,9 ºC (Ponta Porã, MS) e 26,1 ºC (Bonito, MS); a do mês mais frio, entre 16,4 ºC (Ponta Porã) e 21,1 ºC (Corumbá); e a do mês mais quente, entre 23,6 ºC (Ponta Porã) e 27,2 ºC (Corumbá). A mínima absoluta registrada foi de -8 ºC, em Ponta Porã, em 5 de junho de 1988. Geadas são raras no sudoeste do Mato Grosso do Sul. Pela classificação de Köppen, predomina o clima Aw (tropical com inverno seco) no sudoeste mato-grossense-do-sul e no norte de Minas Gerais.
Desenvolve-se preferencialmente em terrenos secos de aclives suaves, sobre solos calcários, bem drenados e de alta fertilidade.