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Foto de Jangada-brava

Foto: (c) Annika Lindqvist, some rights reserved (CC BY), uploaded by Annika Lindqvist (cc-by) via iNaturalist

Jangada-brava

Heliocarpus popayanensis

Malvaceae Mata AtlânticaCerradoAmazônia
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: jangada, algodoeiro, cuiteleiro, embira-branca, pau-jangada, sangue-de-drago-falso

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a espécie pertence à ordem Malvales e à família Malvaceae — que no sistema de Cronquist correspondia a Tiliaceae. Seu nome científico é Heliocarpus popayanensis HBK., do gênero Heliocarpus, com publicação original em Nov. Gen. Sp. 5: 341, de 1821. Entre os sinônimos botânicos mais citados na literatura regional estão Heliocarpus americanus (de autores, não de L.) e Heliocarpus americanus var. popayensis (H.B.K.) Meijer, embora a espécie possua sinonímia bem mais extensa. O nome do gênero vem do grego e quer dizer "fruto do sol". No Brasil, recebe denominações distintas conforme o estado: jangada, no Mato Grosso do Sul; jangada-brava, no Paraná; e algodoeiro, cuiteleiro, embira-branca, jangada-brava, pau-jangada e sangue-de-drago-falso, em São Paulo.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore decídua que, em plena maturidade, alcança cerca de 20 m de altura e até 70 cm de diâmetro à altura do peito. O tronco é reto, cilíndrico e sustentado por raízes tabulares na base, com fuste de até 8 m; nele aparecem arrugas horizontais que lembram cicatrizes foliares. A ramificação é dicotômica e forma uma copa estreita, arredondada e de folhagem rala. A casca é fina, com até 2 mm de espessura: por fora apresenta tom cinzento, superfície lisa, pequenos grânulos e lenticelas dispostas em fileiras verticais, ficando esverdeada quando raspada; por dentro é fibrosa e amarelada, tornando-se alaranjada ao contato com o ar, e libera uma secreção pegajosa quando o tronco é ferido. As folhas são alternas, simples, grandes e em forma de coração, com 10 a 20 cm de comprimento por 5 a 18 cm de largura e de 5 a 7 nervuras partindo da base; as jovens têm ambas as faces cobertas de pelos ferrugíneos, ao passo que as adultas ficam glabras na face ventral, com margem serreada e, em geral, três lóbulos curtos e pontudos. O pecíolo, largo e piloso, mede de 5 a 10 cm. As flores se reúnem em grandes panículas terminais de 10 a 25 cm, numerosas, sendo amarelas as masculinas e róseas ou lilases as femininas. O fruto é achatado, de 10 a 15 mm de diâmetro, com margens guarnecidas de cerdas rígidas e pelos, de cor roxo-purpúrea a castanha, e exibe inúmeros raios pilosos no corpo central que sugerem a figura de um sol. A semente é elipsóide, castanha e mede 2 mm.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreascelulose e papel
Produtos e utilizações

A madeira é muito leve (densidade de 0,25 a 0,30 g/cm³), de cor branca e textura porosa, com baixa resistência mecânica e pouca durabilidade quando exposta; seca com dificuldade por causa da alta contração volumétrica. Em outros países, é usada como substituta da madeira de balsa (Ochroma pyramidale). Presta-se a obras internas, caixotaria leve e à fabricação de brinquedos, lápis e miolo de compensado, além de servir como matéria-prima para pasta de papel. As cinzas da madeira são ricas em potássio. Já as fibras da casca são aproveitadas em trabalhos domésticos e rurais, como na confecção de sogas e cordas. Pelo florescimento vistoso, sobretudo nos exemplares femininos, a árvore tem grande valor ornamental e é indicada para o paisagismo.

Aspectos ecológicos

É uma espécie pioneira, típica das fases iniciais da sucessão, que coloniza florestas exploradas e tem dispersão irregular e descontínua. Aparece em bordas de mata, clareiras e, principalmente, em formações secundárias como capoeiras e capoeirões, sendo rara na floresta primária. Ocorre na Floresta Estacional Decidual da formação Submontana sobre afloramento calcário em Goiás; na Floresta Estacional Semidecidual das formações Submontana e Montana no Paraná e em São Paulo; e na Floresta Ombrófila Densa Submontana no Rio de Janeiro, com frequência em torno de um indivíduo por hectare. Também é encontrada em ambientes fluviais ou ripários em São Paulo.

Floração e frutificação

A floração vai de maio a agosto em São Paulo e de junho a agosto no Paraná. Os frutos amadurecem de julho a outubro no Paraná e de julho a novembro em São Paulo.

Fauna associada

Trata-se de uma espécie dióica, cuja polinização depende essencialmente de pequenos insetos variados. A dispersão de frutos e sementes é anemocórica, feita pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos são colhidos diretamente da árvore quando começam a cair naturalmente, cortando-se as inflorescências por inteiro. Estas são então postas ao sol para facilitar a semeadura, já que separar as sementes é quase impraticável. Cada quilo reúne cerca de 163 mil sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. O comportamento de armazenamento é recalcitrante, mantendo viabilidade superior a 90 dias.

Produção de mudas

Indica-se semear em sementeiras para posterior repicagem em recipientes, ou diretamente em tubetes de polipropileno de tamanho médio; a repicagem é feita quando as mudas alcançam de 3 a 5 cm. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 10 e 20 dias e poder germinativo irregular. As mudas ficam aptas ao plantio definitivo cerca de quatro meses após a semeadura. A espécie depende fortemente de fungos micorrízicos arbusculares.

Características silviculturais

É uma planta heliófila, sensível a baixas temperaturas. Seu hábito é irregular, sem dominância apical bem definida, com bifurcações frequentes e desrama natural deficiente. Adapta-se ao plantio puro a pleno sol e também pode ser empregada em plantios mistos ao lado de espécies secundárias e clímax.

Crescimento e produção

Há poucos registros de crescimento em plantios. O ritmo é considerado moderado, com produção volumétrica de até 11,90 m³/ha/ano aos 7 anos. Por outro lado, o desenvolvimento inicial em campo é extremamente acelerado, podendo atingir 5 m de altura já aos 2 anos.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.100 mm, no Rio de Janeiro, a 1.700 mm, no Paraná, com chuvas bem distribuídas no noroeste do Rio Grande do Sul e periódicas nas demais áreas. A deficiência hídrica de inverno vai de pequena a moderada no sul de Goiás, sul de Minas Gerais e centro-leste de São Paulo, e é moderada no norte e noroeste do Paraná e no Rio de Janeiro. A temperatura média anual fica entre 19,4 °C (Botucatu, SP) e 24 °C (São Domingos, GO); a mínima absoluta registrada foi de -4,2 °C (Foz do Iguaçu, PR), com média de 0 a 3 geadas por ano e até sete no Paraná. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Aw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

Desenvolve-se naturalmente em solos argilosos de boa fertilidade química e também em solos arenosos semi-úmidos.