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Foto de Jacatirão

Foto: Clarice Dorocinski (CC BY) via GBIF

Jacatirão

Miconia sellowiana

Melastomataceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 11 mAltura
  • Médio portePorte
OrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: mexerico, pixirica, língua-de-tamanduá, quaresmeira, quaresminha, fruta-de-tiriva

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação APG III, a espécie pertence à ordem Myrtales e à família Melastomataceae, dentro do gênero Miconia. O binômio foi descrito por Naudin, com primeira publicação em 1851 (Ann. Sc. Nat. Ser. 3, vol. 16, p. 206). O nome do gênero homenageia o médico espanhol D. Micon, enquanto o epíteto sellowiana faz referência ao botânico alemão Friedrich Sellow. Os nomes populares variam conforme o estado: no Distrito Federal é chamada de jacatirão, língua-de-tamanduá e pixirica; em Minas Gerais, jacatirão, quaresmeira e quaresminha; no Paraná, mexerico e pixirica; em Santa Catarina, pixirica; e em São Paulo, fruta-de-tiriva e jacatirão.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta que vai de arbustiva a arbórea, com folhagem perenifólia (sempre-verde). Os indivíduos de maior porte chegam a cerca de 11 m de altura e 30 cm de DAP na fase adulta. O tronco varia de reto a um pouco tortuoso, com fuste geralmente curto, de até 5 m. A ramificação é dicotômica e a copa tem ramos e gemas terminais sem pelos, de tom avermelhado. A casca alcança até 5 mm de espessura, sendo a parte externa (ritidoma) esbranquiçada, quase lisa, acanalada e com poucas lenticelas. As folhas são simples, dispostas de forma oposta (dísticas ou cruzadas), bastante estreitas, com formato elíptico a lanceolado, medindo até 19 cm de comprimento por 3 a 5 cm de largura; têm ápice atenuado, base decorrente e margem recortada. A nervação é acródoma, perfeita e suprabasal, com cinco nervuras principais marcadas na face superior e salientes na inferior, e nervuras secundárias paralelas entre si e perpendiculares às principais; há domácias do tipo bolsa na junção das nervuras central e laterais, na face abaxial. Os pecíolos chegam a 1,2 cm e não há estípulas. Quando jovens, as folhas são coriáceas e discolores, glabras na face superior e pilosas na inferior. A inflorescência forma-se em panícula terminal de 4 a 8 cm. As flores são hermafroditas, brancas ou róseas, de até 0,2 cm de diâmetro, com 5 a 6 pétalas livres. Os frutos são bagas globosas de até 4 mm de diâmetro, que ao amadurecer ficam purpúreos, carnosos e coroados pelos restos do cálice, abrigando de 6 a 9 sementes cada. As sementes têm formato oval a anguloso e medem até 2 mm.

Uso e ecologia
apícolapaisagismorecuperação de áreasenergia
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,70 g/cm³ a 12% de umidade), com alburno bege levemente rosado e cerne esbranquiçado, bege-claro ou levemente rosado. Sua superfície é lisa ao tato e sem brilho, de textura média, grã direita a irregular, e cheiro e gosto pouco perceptíveis. A descrição anatômica completa pode ser consultada em Marcon e Costa. Por ter baixo valor comercial, a madeira tem aproveitamento apenas local; serve bem como lenha de boa qualidade, mas é inadequada para celulose e papel. A forragem da espécie contém 12,7% de proteína bruta e 34,5% de tanino, o que a torna pouco apropriada para alimentação animal. Já no aspecto apícola, destaca-se pelo grande potencial melífero, fornecendo néctar e pólen. Tem também forte apelo ornamental para paisagismo e mostra-se útil em plantios mistos e de enriquecimento voltados à reabilitação de áreas mineradas.

Aspectos ecológicos

É uma espécie pioneira, frequente na vegetação secundária. Sua regeneração natural já foi registrada no sub-bosque de povoamentos de bracatinga (Mimosa scabrella) em área minerada de Poços de Caldas (MG), sob plantios de Eucalyptus grandis em Bom Despacho (MG) e no estrato regenerativo da Floresta Estacional Semidecídua do Parque do Sabiá, em Uberlândia (MG). No bioma Mata Atlântica, aparece em áreas de contato entre Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila Mista, na Floresta Ombrófila Densa (formações Montana e Alto-Montana, no Maciço do Itatiaia, no Vale do Itajaí e em São Paulo) e na Floresta Ombrófila Mista com araucária, além da Floresta Estacional Semidecidual em Minas Gerais, onde podem ocorrer até 400 indivíduos por hectare. No Cerrado, está presente no cerrado stricto sensu de Minas Gerais, Paraná e São Paulo, com frequência de até 35 indivíduos por hectare, e no cerradão paulista. Também ocorre em mata ciliar (DF e MG), campos de altitude (PR) e em mosaicos de floresta supermontana no Planalto de Poços de Caldas, onde pode chegar a 45 indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração acontece de julho a setembro em São Paulo, de agosto a novembro no Distrito Federal e no Paraná, e de agosto a dezembro em Minas Gerais. Os frutos maduros surgem de abril a agosto no Distrito Federal e de junho a janeiro em São Paulo.

Fauna associada

A polinização é feita por abelhas e por diversos insetos pequenos. Tanto frutos quanto sementes são dispersos sobretudo pelas aves, com destaque para a tiriva (Pyrrhura frontalis).

Plantio e silvicultura
Sementes

A maturação dos frutos é desuniforme, tanto na copa quanto dentro de cada infrutescência, e os frutos maduros são logo consumidos pelos pássaros. Podem ser colhidos já maduros (quando ficam violáceo-escuros) ou ainda verdes, pois geram sementes viáveis durante toda a safra. Cada quilo reúne cerca de 900.000 sementes. Não é preciso aplicar tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento fisiológico ortodoxo no armazenamento, conservando a viabilidade por mais de um ano.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeira e depois repicar as plântulas para sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho médio, colocando de 7 a 10 sementes por recipiente; a repicagem deve ser feita cerca de 3 meses após a germinação. A germinação é epígea e as plântulas, fanerocotiledonares; a emergência começa entre 20 e 70 dias depois da semeadura. O poder germinativo é bastante irregular, variando de 0% a 50%. As mudas atingem o tamanho ideal para o plantio aproximadamente 9 meses após a semeadura.

Características silviculturais

Espécie semi-heliófila e tolerante a baixas temperaturas. Apresenta crescimento monopodial e boa derrama natural quando em espaçamento reduzido; em espaçamento amplo, exige desrama artificial. Pode ser cultivada a pleno sol, em plantio puro ou misto, servindo como tutora de espécies secundárias e clímax. Rebrota da touça.

Crescimento e produção

Há poucas informações sobre o desempenho da espécie em plantios, mas seu crescimento é considerado lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.100 mm, em São Paulo, a 2.500 mm, no Rio de Janeiro, com chuvas uniformes no Planalto Sul-Brasileiro e periódicas no restante da área. A deficiência hídrica é nula no Planalto Sul-Brasileiro e em Campos do Jordão (SP). A temperatura média anual fica entre 13,4 °C (Campos do Jordão, SP) e 21,1 °C (Brasília, DF); a média do mês mais frio vai de 8,2 °C a 19,1 °C e a do mês mais quente, de 19,7 °C (Bocaina de Minas, MG) a 26,4 °C (Viçosa, MG). A mínima absoluta registrada foi de -7,3 °C, em Campos do Jordão, em 1º de junho de 1979. As geadas são frequentes no Planalto Sul-Brasileiro e em Campos do Jordão e ausentes no resto da área. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

No Paraná, ocorre sobre afloramentos de arenito.