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Foto de Jacarandá-branco

Foto: demianlescano (CC0) via GBIF

Jacarandá-branco

Machaerium paraguariense

Fabaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
Raras / ameaçadasMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: jacarandá, cateretê, sapuvão, sapuvuçu, canela-do-brejo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema do Angiosperm Phylogeny Group (APG III), Machaerium paraguariense pertence à classe das angiospermas, dentro do clado das eurosídeas. Está na ordem Fabales (que Cronquist tratava como Rosales) e na família Fabaceae (Leguminosae em Cronquist), subfamília Faboideae (Papilionoideae), tribo Dalbergieae, gênero Machaerium. O binômio completo é Machaerium paraguariense Hassler, descrito pela primeira vez em 1907 (Bull. Herb. Boissier 7:358). O nome do gênero deriva do grego makairion, que designa uma pequena espada, faca ou sabre, em referência ao formato dos frutos em sâmara cultriforme; o epíteto paraguariense indica que o material-tipo foi coletado no Paraguai.

Descrição botânica

Árvore semidecídua cujos exemplares de maior porte alcançam cerca de 25 m de altura e até 80 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, aferido a 1,30 m do solo) na fase adulta. O tronco é cilíndrico, ereto ou um pouco tortuoso e sulcado, com fuste em geral curto, de no máximo 8 m. A ramificação é dicotômica e a copa costuma ser densa e larga, com ramos lenticelados e marcas evidentes dos catáfilos. A casca atinge até 10 mm de espessura: a externa (ritidoma) é marrom e se desprende em placas longitudinais finas e irregulares, enquanto a interna é esbranquiçada e, ao ser cortada, libera uma seiva semelhante a sangue. As folhas são compostas, alternas e imparipinadas, com 10 a 15 cm de comprimento e de 7 a 15 folíolos cartáceos, elípticos a elíptico-lanceolados, de base arredondada ou atenuada (raramente cordada) e ápice acuminado, com bordos lisos; a face superior é glabra e a inferior apresenta pelos ferrugíneos sobre a nervura central; cada folíolo mede de 4,1 a 7,5 cm de comprimento por 1,5 a 3 cm de largura. As inflorescências são racemos fasciculados, axilares ou terminais, reunindo de 5 a 50 flores. As flores são hermafroditas, sésseis, com corola creme-esverdeada de 4 a 7,5 mm de comprimento. O fruto é uma sâmara falciforme e oblonga, de 4,8 a 6,6 cm de comprimento, com asa acastanhada e reticulada. As sementes são pequenas e de cor marrom-escura.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, de cor marrom-clara com veteado decorativo, textura média e grã irregular a revessa; é macia ao corte e tem durabilidade mediana quando exposta. É aproveitada para chapas decorativas, lâminas de revestimento e cabos de ferramenta, sendo também muito empregada como lenha. Não serve para celulose e papel. As flores têm bom potencial melífero e atraem intensamente as abelhas. No paisagismo, oferece boa sombra e presta-se à arborização urbana. No Paraná, é indicada para recuperação florestal.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária, do estágio inicial ao tardio. Sua distribuição é bastante irregular e descontínua, em geral com frequência muito baixa, sendo mais comum em formações secundárias. Na regeneração natural, foi observada no sub-bosque de Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária) secundária em Irati, PR, com 21 indivíduos por hectare entre as plantas com altura igual ou superior a 2 m. Ocorre na Floresta Estacional Decidual (formação Submontana) em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, com até 25 indivíduos por hectare; na Floresta Estacional Semidecidual Montana em São Paulo; na Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas e Montana, no Vale do Itajaí, SC, onde é rara; e na Floresta Ombrófila Mista Montana, no Paraná. No Cerrado, aparece na Savana Florestada (Cerradão) do oeste paulista, onde é comum nas bordas. Também é encontrada em matas ciliares no Paraná e em São Paulo, com até 26 indivíduos por hectare, e em áreas alagáveis, como em Londrina, PR.

Floração e frutificação

A floração acontece de dezembro a janeiro no Rio Grande do Sul e em janeiro em São Paulo. Os frutos amadurecem de abril a junho no Rio Grande do Sul, de agosto a novembro em São Paulo e em janeiro no Paraná.

Fauna associada

A polinização é realizada principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão de frutos e sementes ocorre pelo vento (anemocoria) e também pela água (hidrocoria) quando a planta cresce em ambientes fluviais ou ripários, como as matas ciliares.

Plantio e silvicultura
Sementes

As sâmaras devem ser colhidas diretamente da árvore, antes de começarem a cair, e podem ir direto para a semeadura como se fossem sementes, já que retirar as sementes é trabalhoso. Há cerca de 3.100 sementes por quilo. Não é preciso fazer tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento recalcitrante e mantêm a viabilidade por menos de 6 meses em armazenamento.

Produção de mudas

A semeadura deve ser feita logo após a colheita, diretamente em recipientes individuais. Quando necessária, a repicagem pode ocorrer cerca de 30 dias após o início da germinação. A germinação é epígea e as plântulas são faneroepígeas, com hipocótilo curto. A espécie estabelece associação simbiótica com Rhyzobium, formando nódulos bacterianos.

Características silviculturais

É uma espécie de temperamento que vai do esciófilo ao heliófilo e tolerante a geadas. Costuma ter tronco curto, com bifurcações e fuste inclinado, além de desrama natural deficiente, o que exige podas frequentes e periódicas, sobretudo de condução. Pode ser cultivada a pleno sol em plantio puro, com crescimento moderado apesar da forma irregular; em plantio misto a pleno sol associada a pioneiras, principalmente para corrigir a forma inicial do fuste; e em vegetação matricial arbórea, plantada em linhas em faixas abertas na vegetação secundária. No Paraná, consta na Lista Vermelha de Plantas Ameaçadas de Extinção na categoria rara.

Crescimento e produção

As informações sobre o crescimento da espécie em plantios são escassas. Segundo Lorenzi, o desenvolvimento no campo é considerado apenas moderado.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.400 mm, no Paraná, a 2.300 mm, no Rio Grande do Sul, com chuvas uniformes no Planalto Sul-Brasileiro e periódicas no restante da área. A deficiência hídrica vai de nula no Planalto Sul-Brasileiro (exceto no norte do Paraná) a moderada ou forte no inverno do centro de Mato Grosso. A temperatura média anual oscila entre 15,7 °C (Lages, SC) e 24,7 °C (Goiás, GO), com mínima absoluta de -7,4 °C registrada em Lages. As geadas são frequentes no Sul e fracas ou ausentes no restante, com média de 15 por ano (de 0 a 33). Pela classificação de Köppen, ocorrem os tipos Aw, Cfa, Cfb e Cwa na área de distribuição.

Solos

Prefere terrenos altos, pedregosos e secos, de fertilidade média e drenagem rápida. O pH médio dos solos fica em torno de 4,87.