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Jacarandá-bico-de-pato

Machaerium nictitans

Fabaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 26 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: jacarandá-com-espinho, bico-de-pato, canjiquinha, jacarandá, jacarandá-ferro, tira-filho, cabiúna, maminha-de-porca, cauvi, guaximbé, cobi

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (antiga Leguminosae), subfamília Faboideae (Papilionoideae), a espécie tem como nome científico aceito Machaerium nictitans (Vell.) Benth., publicado em 1838. Está classificada na ordem Fabales segundo o sistema APG II. Já recebeu, na literatura, a sinonímia Nissolia nyctitans Vell. O nome do gênero deriva do grego machairion, que significa pequeno cutelo, referência ao formato do fruto. Na Argentina é conhecida como juquiri-busú-guaçú.

Descrição botânica

Árvore que varia de perenifólia a semidecídua, podendo chegar a cerca de 26 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito quando adulta. O tronco é reto ou pouco inclinado, sulcado e com tendência a formar multitroncos, geralmente com fuste curto de até 10 m. A ramificação é dicotômica e os ramos grossos exibem grandes espinhos; os ramos jovens são lenticelados e cobertos por pelos ferrugíneos, às vezes com acúleos pareados na base das folhas. A casca chega a 10 mm de espessura, com superfície externa marrom-escura esverdeada e ritidoma levemente gretado, apresentando lenticelas e acúleos achatados, rígidos e pontiagudos de cerca de 2 cm que se desprendem com facilidade. As folhas são compostas, com 11 a 31 folíolos cartáceos, alternos e discolores, de base arredondada e ápice obtuso; pecíolo, raque e peciólulo são ferrugíneo-tomentosos. As inflorescências formam amplas panículas terminais e axilares, com unidades em espigas globosas de 7 a 10 mm reunindo 6 a 12 flores. As flores têm corola vinácea de cerca de 6,25 mm, com estandarte obovado e densamente revestido de pelos ferrugíneos. O fruto é uma sâmara falciforme (raramente oblonga) de 5,5 a 7 cm de comprimento, com região seminífera escurecida de 9 a 11,5 mm de largura. A semente tem ápice e base arredondados.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícolamedicinal
Produtos e utilizações

A madeira é densa (cerca de 0,95 g/cm³), com alburno amarelado bem distinto e cerne violeta-escuro listrado, de aspecto mosqueado; tem textura fina, veio retilíneo e fibras entrelaçadas, sem sabor ou odor marcantes. É empregada em andaimes, construções leves e, quando recém-cortada, em cabos de ferramentas. O uso mais comum é como lenha, ainda que de qualidade considerada fraca, e a espécie não é adequada para produção de celulose e papel. É planta melífera, produtora de néctar. Por ser chamada de tira-filho em Minas Gerais, há indicação de investigar um possível efeito abortivo, de uso medicinal a confirmar.

Aspectos ecológicos

Há divergência entre autores quanto ao grupo sucessional, sendo classificada como pioneira, secundária inicial a tardia ou clímax exigente de luz. Na floresta primária aparece de forma isolada, mas em vegetação secundária, campos abandonados e margens de rodovias tende a formar agrupamentos. Está associada ao bioma Mata Atlântica, ocorrendo na Floresta Estacional Decidual e Semidecidual (onde alcança até 123 indivíduos por hectare), na Floresta Ombrófila Densa (até oito indivíduos por hectare) e na Floresta Ombrófila Mista com araucária, além de ambientes ripários e zonas de contato entre Floresta Estacional Semidecidual e Cerrado, em Minas Gerais.

Floração e frutificação

A floração ocorre de janeiro a abril em Minas Gerais, de fevereiro a abril no Paraná e de fevereiro a maio no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Os frutos amadurecem de março a dezembro em São Paulo, de setembro a outubro em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul e de outubro a novembro no Paraná.

Fauna associada

Espécie hermafrodita, polinizada sobretudo por abelhas sem ferrão (Meliponinae), como Melipona marginata, Melipona quadrifasciata, Melipona rufiventris, Paratrigona subnuda, Partamona helleri, Scaptotrigona bipunctata, Trigona fulviventris e Trigona spinipes. A dispersão dos frutos e sementes é feita pelo vento (anemocórica).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a cair naturalmente. Como a abertura do fruto e a retirada das sementes é praticamente inviável, os próprios frutos são usados para a semeadura. Cada quilo reúne cerca de 5.200 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. A viabilidade em armazenamento é curta, inferior a seis meses.

Produção de mudas

A semeadura deve ser feita logo após a colheita, diretamente em recipientes individuais; quando preciso, a repicagem ocorre 30 dias após o início da germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 10 e 20 dias e taxa geralmente baixa. As mudas crescem rápido e ficam aptas ao plantio definitivo em 5 a 6 meses. A espécie associa-se a bactérias do gênero Rhizobium, formando nódulos do tipo aeschynomenoide com atividade da nitrogenase, e apresenta baixa incidência de micorriza arbuscular.

Características silviculturais

Espécie heliófila que tolera temperaturas baixas. Costuma apresentar tronco curto com bifurcações, brotações basais (multitroncos) e fuste inclinado, com desrama natural deficiente, o que exige podas frequentes e periódicas, sobretudo de condução. Pode ser cultivada a pleno sol em plantio puro, com crescimento moderado mas forma inadequada, ou em plantio misto associada a espécies pioneiras para corrigir a forma do fuste; também pode ser implantada em faixas abertas na vegetação secundária e plantada em linhas. É indicada para uso como cerca-viva em sistemas agroflorestais.

Crescimento e produção

Há poucos dados disponíveis sobre seu crescimento. Segundo Lorenzi, o desenvolvimento no campo é apenas moderado, atingindo 2,5 m aos dois anos de idade.

Clima

A precipitação média anual varia de 900 mm, em Minas Gerais, a 2.100 mm, na Bahia, com chuvas bem distribuídas no Sul (exceto noroeste do Paraná) e na região de Ilhéus (BA) e chuvas periódicas nas demais áreas. A deficiência hídrica vai de nula a moderada conforme a região. A temperatura média anual fica entre 18,7 ºC (Laranjeiras do Sul, PR) e 24,3 ºC (Ilhéus, BA), com mínima absoluta de -6,4 ºC registrada em Colombo (PR) e ocorrência de 0 a 10 geadas por ano em média (até 15 no Paraná). Pela classificação de Köppen, abrange os tipos Af, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb.

Solos

É indiferente às condições físicas do solo.