Foto: mauro halpern (CC BY 2.0) via flickr
Ipê-roxo
Tabebuia impetiginosa
- 10 a 15 m (até 50 m na Amazônia)Altura
- Médio portePorte
Também conhecida como: ipê-rosa, ipê, ipê-preto, ipeúna, ipê-rosa-de-folha-larga, ipê-roxo-da-casca-lisa, ipê-roxo-de-bola, ipê-rosado, ipê-róseo, ipê-roxo-do-grande, ipê-de-flor-roxa, ipê-de-minas, pau-cachorro, pau-d'arco, pau-d'arco-rosa, pau-d'arco-roxo, piúna, piúna-roxa, piúva, piúva-preta
Botânica
O nome científico aceito é Tabebuia impetiginosa (Martius ex A. P. de Candolle) Standley, da família Bignoniaceae. A espécie já foi descrita sob outros nomes, hoje tratados como sinônimos: Tabebuia avellanedae Lorentz ex Grisebach e Tecoma impetiginosa Martius. O termo "Tabebuia" vem da língua indígena, originalmente aplicado à Tabebuia uliginosa, enquanto o epíteto "impetiginosa" faz referência ao uso medicinal da planta no tratamento do impetigo (sarna). Na Argentina é conhecida como lapacho rosado e, no Paraguai, como tajy.
Árvore caducifólia que, na Caatinga, costuma medir de 10 a 15 m de altura com cerca de 30 cm de diâmetro à altura do peito, mas que pode alcançar até 50 m e 100 cm de DAP em condições amazônicas, na fase adulta. O tronco é com frequência tortuoso, embora também ocorram exemplares retos e cilíndricos; o fuste é em geral curto, de 4 a 8 m, podendo chegar a 12 m. A ramificação é cimosa e a copa, larga e semiglobosa. A casca atinge até 12 mm de espessura: por fora é acinzentada e levemente áspera, com sulcos longitudinais rasos e fissuras horizontais curtas que se soltam em escamas retangulares e grossas; por dentro é fibrosa, de cor marrom-clara levemente rosada. As folhas são opostas e digitadas, com pecíolo de até 11 cm, normalmente compostas por cinco folíolos de margem inteira a levemente serreada, que apresentam tufos de pelos nas axilas entre a nervura principal e as secundárias. As flores, rosadas a lilás e bastante vistosas, são tubulares, medem de 4 a 7,5 cm e reúnem-se em panículas terminais que lembram cachos arredondados. O fruto é uma síliqua cilíndrica e estreita, deiscente, com 12 a 56 cm de comprimento e 1,3 a 2,6 cm de largura, contendo muitas sementes. As sementes são cordiformes a oblongas, planas, de superfície lisa e brilhante e cor marrom-clara, com asas membranáceas transparentes nas duas pontas, atingindo até 3 cm de comprimento.
Uso e ecologia
A madeira do ipê-rosa é densa (massa específica aparente de 0,92 a 1,08 g/cm³ a 15% de umidade e massa básica de 0,79 g/cm³). Alburno e cerne não se distinguem, exibindo cor pardo-acastanhada a pardo-havana-clara, em geral uniforme e por vezes com reflexos esverdeados. Tem superfície pouco lustrosa e medianamente lisa, textura fina a média e grã direita ou revessa, sem cheiro ou gosto perceptíveis. É naturalmente durável, resistente a organismos xilófagos, fungos e cupins, mas impermeável a soluções preservantes. Serrada ou roliça, presta-se a acabamentos internos, artigos esportivos, cabos de ferramentas e implementos agrícolas, e ainda a estruturas, dormentes, cruzetas, esquadrias, lambris, peças torneadas, tacos e assoalhos, vagões, carroçarias, instrumentos musicais, postes e diversos elementos da construção civil. Fornece lenha de boa qualidade, mas não serve para celulose e papel (fibras de 1,28 a 1,51 mm). Possui pouco alcaloide no lenho e na casca; dela já foi isolada a quinona, de comprovado efeito germicida. A casca e o lenho contêm tanino, tradicionalmente extraído na Chapada do Araripe, no Ceará.
Trata-se de espécie secundária tardia, ou clímax exigente de luz, de vida longa. Sua ocorrência é ampla, porém descontínua: em florestas primárias a densidade é muito baixa, com poucos indivíduos de grande porte emergindo no dossel e raros exemplares jovens no sub-bosque; em Minas Gerais transita das matas para os pastos como árvore isolada. Habita várias formações vegetais, sobretudo a Floresta Estacional Semidecidual Submontana e a Floresta Ombrófila Densa (amazônica e atlântica), além da Floresta Estacional Decidual no Mato Grosso do Sul, do Cerradão, da floresta aberta sem babaçu, ocasionalmente do Cerrado e da Caatinga ou Mata-Seca, do carrasco no Chaco sul-mato-grossense e do Pantanal mato-grossense; também aparece em áreas erodidas de calcário no sudoeste da Bahia. As densidades registradas são baixas: cerca de uma árvore por hectare na bacia do Rio Piranhas (PB) e no sertão pernambucano, até 18 por hectare no agreste de Pernambuco e três por hectare em Perdizes (MG).
A floração varia bastante conforme a região: de fevereiro a maio na Bahia; de maio a junho no Distrito Federal; de maio a novembro em São Paulo; em julho no Ceará e em Goiás; de julho a agosto em Minas Gerais; em agosto no Acre; e de setembro a outubro em Pernambuco. Os frutos amadurecem de junho a setembro em São Paulo, em agosto no Distrito Federal e de setembro a outubro em Minas Gerais. Em plantios, a reprodução começa por volta dos 5 anos de idade.
A polinização é feita principalmente por abelhas, com destaque para a mamangava (Bombus morio) e a irapuá ou arapuá (Trigona spinipes). A dispersão das sementes é anemocórica, ou seja, realizada pelo vento.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos quando passam do verde para uma tonalidade quase preta e começam a liberar as sementes, que podem ser retiradas manualmente. A maturidade fisiológica é alcançada por volta de cem dias após o florescimento, com teor de umidade acima de 20%. As sementes toleram dessecação e não apresentam dormência, dispensando tratamentos para superá-la. Um quilo reúne de 8.950 a 40.000 sementes. Quando o teor de umidade fica acima de 10%, a viabilidade cai rapidamente; já com cerca de 7,8% de umidade a germinação se mantém por mais de 270 dias. O comportamento de armazenamento é ortodoxo: podem ser conservadas a -20 ºC desde que com menos de 10% de umidade. Secagem em estufa a 40 ºC por mais de 5 minutos prejudica germinação e vigor.
Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes grandes de polipropileno. A profundidade ideal de semeadura fica entre 0,5 e 1 cm, e a repicagem deve ocorrer de 3 a 5 semanas após o início da germinação. A germinação é epígea, iniciando entre 10 e 30 dias no viveiro e entre 3 e 10 dias em germinador, com taxa alta (até 100% em germinador e até 70% em viveiro). As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 6 meses depois da semeadura. A propagação vegetativa é possível por enxertia (garfagem em fenda cheia), com 40% de pegamento após 30 dias.
Espécie heliófila que, ainda jovem, suporta sombreamento de intensidade média. É medianamente tolerante ao frio, resistindo a geadas fracas. O crescimento é simpodial, resultando muitas vezes em fuste de má forma, com bifurcações, tronco curto e ramificado; em plantios adensados apresenta boa desrama natural e cicatrização, mas em espaçamentos largos exige poda dos galhos. Pode ser plantada a pleno sol em plantios mistos junto a pioneiras, ou em vegetação matricial, em faixas abertas em capoeiras e capoeirões, plantada em linhas, e rebrota após o corte. A espécie está ameaçada de extinção e integra a lista do Instituto Florestal de São Paulo para conservação genética ex situ.
O ritmo de crescimento é lento a moderado. Em plantios, a maior produção volumétrica registrada foi de 5,50 m³/ha por ano. Na vegetação natural, estima-se que a árvore leve no mínimo 55 anos para atingir 40 cm de diâmetro.
A precipitação média anual vai de 440 mm, na Bahia, a 2.500 mm, em Pernambuco. As chuvas são uniformemente distribuídas no sudoeste paulista e nos arredores de Belém (PA), e periódicas, concentradas no verão ou no inverno, nas demais áreas. A deficiência hídrica é nula nessas regiões mais úmidas; de pequena a moderada no inverno em parte de São Paulo, sul de Minas Gerais e faixa costeira de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e trechos do Rio Grande do Norte, Pará, Amapá e Acre; moderada no oeste de São Paulo; de moderada a forte no inverno no oeste mineiro, sul de Goiás, centro do Mato Grosso, oeste baiano e depressão do sudeste mato-grossense; forte no norte do Piauí, sul do Maranhão e norte de Minas; e de forte a muito forte quase o ano inteiro no interior do Nordeste. A temperatura média anual varia de 18,1 ºC (Diamantina, MG) a 27,2 ºC (Mossoró, RN); a do mês mais frio, de 15,3 ºC (Diamantina, MG) a 25,4 ºC (Santarém, PA); e a do mês mais quente, de 20 ºC (Diamantina, MG) a 28,7 ºC (Mossoró, RN). A mínima absoluta registrada foi de -1,2 ºC (Assis, SP). No Sudeste ocorrem até 5 geadas por ano, mas o predomínio é de regiões sem geadas ou com geadas raras. Os tipos climáticos de Köppen incluem o tropical (Am, Aw, Af e As), o subtropical de altitude (Cwa) e o semiárido (BSw e BSh).
Desenvolve-se naturalmente em solos arenosos e úmidos, bem drenados e de textura franca a argilosa. Solos pobres em nutrientes limitam seu crescimento.