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Foto de Ipê-amarelo

Foto: Lucas Christofides (CC BY) via GBIF

Ipê-amarelo

Tabebuia chrysotricha

Bignoniaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 35 mAltura
  • Muito grandePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: ipê-amarelo-miúdo, pau-d'arco-amarelo, ipê-tabaco, ipê-felpudo, ipê-mulato, ipê-peludo, piúva, piúva-amarela, piúna, ipê, ipê-do-morro, caraíba, ipê-amarelo-anão, ipê-amarelo-cascudo, ipê-pardo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (Angiospermae), classe Magnoliopsida (Dicotyledoneae), ordem Scrophulariales e família Bignoniaceae, no gênero Tabebuia. O nome aceito é Tabebuia chrysotricha (Mart. ex DC.) Standley, descrita em 1936. Entre os sinônimos botânicos mais citados estão Tecoma chrysotricha Mart. ex DC. e Handroanthus chrysotrichus (Mart. ex DC.) J. Mattos. Quanto à origem dos nomes, Tabebuia vem do tupi-guarani e significa algo como "que bóia, que flutua", enquanto o epíteto chrysotricha tem raiz grega (chrysous, áureo, e trix/trichós, cabelo) e faz alusão aos pelos dourados da planta.

Descrição botânica

Trata-se de uma planta decídua que varia de arbusto a árvore, com os maiores exemplares adultos alcançando cerca de 35 m de altura e 130 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo). O tronco costuma ser tortuoso, de seção cilíndrica e base sem deformações, com fuste de até 10 m. A ramificação é dicotômica ou simpódica e a copa é alta, densa e arredondada; os ramos jovens e os pecíolos exibem densa pubescência de cor ferrugem. A casca chega a 10 mm de espessura, com superfície externa acinzentada e finamente fissurada, que se desprende em pequenas placas retangulares, e parte interna branca, de textura curto-fibrosa e trançada. As folhas são opostas, cruzadas, compostas e digitadas, reunindo de 3 a 7 folíolos membranosos de pecíolo longo a médio; cada folíolo é obovado, apiculado no ápice e obtuso na base, com bordos inteiros na metade inferior e serreados na superior, verdes, rugosos e cobertos por pelos estrelados ferrugíneos nas duas faces, medindo de 2 a 10 cm de comprimento por 1,5 a 6 cm de largura. As inflorescências formam tirsos ou fascículos bastante curtos, com 8 a 10 flores, e brotam em ramos sem folhas. As flores são campanuladas, de cor amarelo-ouro, com 6 a 7 cm de comprimento. O fruto é uma cápsula que se abre na maturação, de 11 a 38 cm de comprimento por 0,8 a 2 cm de largura e tonalidade ocrácea, com valvas densamente cobertas por pelos ramosos ferrugíneos que vão se perdendo com a idade. As sementes são pequenas, com 6 a 9 mm de comprimento e 1,7 a 3,5 mm de largura, corpo castanho-escuro e asas membranáceas claras, quase brancas. Cerca de metade das sementes germinadas apresenta poliembrionia, sendo a maioria com 2 embriões (37%) e parcelas menores com 3, 4 ou até 5 embriões.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícolaenergia
Produtos e utilizações

A madeira é densa (massa específica aparente de 1,05 g/cm³), muito dura, flexível e resistente, com cerne de cor pardo-havana, do claro ao escuro, uniforme e com reflexos esverdeados; a superfície é lisa, irregularmente lustrosa, de textura média a fina, grã irregular a reversa, sem gosto ou cheiro marcantes. Esse material é usado em cabos de ferramentas e em diversas aplicações na construção civil e em obras expostas ou externas, além de carpintaria, marcenaria, mastros de barcaça, dormentes, esquadrias, vigas, forros, peças hidráulicas, mourões, móveis, postes, tabuados e vigamentos. A espécie também é indicada para a produção de carvão, mas não serve para celulose e papel. Da casca se extrai um corante empregado no tingimento de tecidos como seda e algodão.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária tardia, a espécie aparece em formações secundárias de encostas suaves, tanto em locais secos quanto úmidos, em solos que não sejam excessivamente secos. No bioma Mata Atlântica está presente na Floresta Estacional Semidecidual (formações submontana e montana em Minas Gerais e no Paraná, com cerca de um indivíduo por hectare), na Floresta Ombrófila Densa (formações de terras baixas, submontana e montana em Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo), na Floresta Ombrófila Mista ou de Araucária (formação montana no Paraná, com 0 a 3 indivíduos por hectare) e na vegetação de restinga (Paraíba, onde é rara, e Rio de Janeiro). No Cerrado, ocorre no cerrado em sentido amplo e no cerradão, este último onde é menos comum, ambos em Minas Gerais. Há ainda registros em ambientes ripários de Minas Gerais e em ecótono entre savana e restinga na Paraíba.

Floração e frutificação

A floração acontece em períodos variáveis conforme a região: de abril a novembro no Rio de Janeiro; de julho a outubro no Paraná; de agosto a setembro em São Paulo; de agosto a novembro em Minas Gerais e em Pernambuco; e de setembro a novembro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os frutos amadurecem em setembro em Minas Gerais, de novembro a dezembro no Paraná e de fevereiro a abril em Pernambuco.

Fauna associada

A espécie é monóica e apresenta protoginia, característica que favorece a polinização cruzada e torna importante a presença de polinizadores; ainda assim, produz frutos mesmo sob autopolinização, o que pode ajudar na reprodução quando faltam outros indivíduos próximos. A abelha Trigona spinipes é apontada como o principal polinizador, e a abelha-europeia (Apis mellifera) também parece visitar e polinizar as flores; em Irati, no Paraná, beija-flores foram vistos visitando as flores. A dispersão dos frutos e sementes é feita pelo vento (anemocórica).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começarem a se abrir naturalmente e, em seguida, expostos ao sol para que terminem a abertura e liberem as sementes. Cada quilo reúne de 86 mil a 101 mil sementes, que não exigem tratamento antes da germinação. O comportamento no armazenamento é ortodoxo: em sacos de polietileno semipermeáveis, com 8,5% de umidade, a germinação partiu de 78% e, após 8 meses em câmara fria (3 ± 2 ºC e 90% de umidade relativa), caiu para 65%, enquanto em ambiente comum e armazenamento seco despencou para 1% e 13%, respectivamente.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar para sacos de polietileno ou tubetes grandes de polipropileno, transferindo as plântulas de 25 a 30 dias após a germinação, quando atingem de 5 a 8 cm. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa de 8 a 15 dias depois da semeadura, com poder germinativo de sementes frescas geralmente entre 59% e 70%. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 5 meses após a semeadura. A raiz pivotante dificulta um pouco a formação das mudas, mas o ipê-amarelo-miúdo pode ser produzido com bom resultado em raiz nua, em fardos.

Características silviculturais

Espécie heliófila e tolerante a baixas temperaturas, tem hábito de forma irregular, com fuste principal pouco definido, simpodial, muitas bifurcações e fortes ramificações laterais. Como não faz desrama natural, exige podas frequentes de condução e de galhos. O plantio puro a pleno sol deve ser evitado; o mais indicado é o plantio misto associado a espécies pioneiras ou em meio à vegetação arbórea, em faixas abertas na vegetação secundária, disposta em linhas ou em grupos. A planta rebrota da touça e, no sul da Bahia, é mantida no sistema de cabruca, em que a mata atlântica nativa é raleada para abrigar o cultivo de cacau.

Crescimento e produção

O desenvolvimento do ipê-amarelo-miúdo é lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 800 mm, no Rio de Janeiro, a 2.100 mm, na Bahia, com chuvas bem distribuídas no Sul (exceto o norte do Paraná) e regime periódico nas demais regiões. A deficiência hídrica vai de nula, no Sul, até moderada a forte no inverno, no oeste de Minas Gerais, passando por níveis pequenos a moderados em diversas áreas costeiras e do Sudeste. A temperatura média anual fica entre 16,5 ºC (Colombo, PR) e 24,3 ºC (Ilhéus, BA), com mínima absoluta de -7 ºC registrada em Colombo. As geadas variam de 0 a 10 por ano, em média, podendo chegar a 30 no Paraná. Pela classificação de Köppen, a espécie ocorre nos tipos Af, Am, As, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb, abrangendo desde climas tropicais superúmidos do litoral baiano até subtropicais de altitude no sul de Minas Gerais.

Solos

A espécie aparece em ambientes variados, mas prefere sítios baixos de solos úmidos e profundos, com drenagem boa a regular e textura de franca a argilosa. Em plantios, seu melhor desempenho ocorre em solos quimicamente férteis, bem drenados e de textura argilosa.