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Foto de Ipê-amarelo

Foto: Alfredo Gutierrez Dipaz (CC BY) via GBIF

Ipê-amarelo

Handroanthus serratifolius

Bignoniaceae AmazôniaCerradoMata AtlânticaPantanal
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: pau-d'arco-amarelo, ipê, ipê-da-mata, ipê-ovo-de-macuco, pau-d'arco, pau-d'arco-de-flor-amarela, pau-d'arco-de-flores-amarelas, flor-de-algodão, piúva, piúva-amarela, tamurá-tuíra, opa

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Bignoniaceae, o pau-d'arco-amarelo tem como nome científico aceito Handroanthus serratifolius (Vahl) S. Grose, binômio publicado em 2007 (Syst. Bot. 32(3): 666). A espécie integra o gênero Handroanthus, dentro da ordem Lamiales, segundo o sistema APG III. Ao longo do tempo recebeu diversos sinônimos, entre eles Bignonia serratifolia, Tecoma serratifolia (Vahl) G. Don, Tabebuia serratifolia G. Nicholson e Handroanthus atractocarpus (Bur. & K. Schum.). O nome do gênero homenageia o botânico Handro, enquanto o epíteto serratifolius faz referência à margem nitidamente serrilhada das folhas.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore decídua que, na fase adulta, pode chegar a cerca de 25 m de altura e 90 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). Em situações particulares, como no nordeste de Goiás sobre afloramentos de calcário, foram encontrados exemplares com apenas 3,50 m. O tronco é reto ou ligeiramente tortuoso, com fuste que alcança até 20 m, e a ramificação é dicotômica, formando copa ampla de ramos acinzentados. A casca chega a 15 mm de espessura; sua porção externa é fina, dura, áspera, decorticante e de tom pardo-acinzentado, coberta por manchas claras de líquens e fissurada em placas que vão se soltando aos poucos. As folhas são compostas, glabras (raramente com leve pubescência), com folíolos de borda serreada, venação broquidódroma e pequenas domáceas nas axilas. As flores, livres ou reunidas em tríades de curto pedúnculo, agrupam-se em conjuntos umbeliformes nas pontas dos ramos; o cálice tem forma de sino, é pubérulo e mede de 10 mm a 15 mm, com lacínias arredondadas, e a corola amarelo-dourada varia de 6 cm a 10 cm de comprimento, com tubo infundibuliforme e limbo largo. Os frutos são cápsulas alongadas, deiscentes, coriáceas, glabras e pardas, com 19 cm a 40 cm de comprimento por 2,5 cm a 3,5 cm de largura, abrigando de 123 a 152 sementes cada. As sementes são retangulares, leves e aladas, medindo de 2,5 cm a 4,0 cm de comprimento por 9 mm a 13 mm de largura, com asa curta e núcleo central quadrado.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícolaenergético
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa a densa, com massa específica aparente entre 0,78 g/cm³ e 1,09 g/cm³ e densidade básica de 0,87 g/cm³. O cerne varia do pardo-claro ou pardo-oliváceo ao pardo-acastanhado-escuro, sempre com reflexo amarelo-esverdeado e pouco distinto do alburno, apresentando grã irregular, textura média e superfície moderadamente lisa, sem cheiro ou gosto marcantes. Por conter lapachol, é bastante resistente às intempéries. Seca com facilidade ao ar e em estufa, com poucos defeitos, e responde bem ao aplainamento, ao torneamento, à furação, ao lixamento e ao acabamento, recomendando-se perfuração prévia para pregar ou parafusar. É empregada em obras externas (dormentes, estacas, cruzetas, postes e carrocerias), na construção civil (vigas, caibros, tacos e tábuas de assoalho), na construção naval (estacas marítimas, quilhas e obras portuárias) e na fabricação de móveis, como pés de mesa e camas. Também rende lenha e carvão de boa qualidade, mas é imprópria para celulose e papel. A casca fornece tanino — aproveitado na Chapada do Araripe, no sul do Ceará — e a lenha já foi usada para tingir roupas. Na medicina popular, atribuem-se à planta propriedades anticancerígena, antirreumática e antianêmica, e o chá ou decocto das flores é empregado contra sífilis (registro de uso tradicional, sem qualquer recomendação terapêutica).

Aspectos ecológicos

Classifica-se como espécie secundária inicial a secundária tardia ou clímax, variando da exigência por luz à tolerância à sombra. Costuma ocupar o dossel superior ou a posição de emergente, tanto em florestas primárias quanto em formações secundárias (capoeira e capoeirão). Regenera-se com facilidade em áreas de pastagem, e estudos de estabelecimento de plântulas mostraram sobrevivência média de 18% em clareiras e de 6% sob dossel após 45 dias; em outro experimento, a sobrevivência chegou a 90,7% no centro de clareiras e a 68% a 40 m de distância, confirmando que locais mais iluminados favorecem o estabelecimento. Em condições de Cerrado, observou-se que a espécie transpira cerca de sete vezes menos que Eucalyptus camaldulensis e Corymbia citriodora. Quanto à frequência por hectare, ocorre com um indivíduo na Floresta Ombrófila Aberta amazônica, até quatro na Floresta Ombrófila Densa de terra firme, até dois na Mata Atlântica de terras baixas e até 56 na Floresta Estacional Semidecidual de Pernambuco; no Cerrado stricto sensu chega a 16 indivíduos por hectare, e em matas ciliares também até 16. Aparece ainda em brejos de altitude nordestinos, carrasco, florestas inundáveis e áreas de ecótono entre Amazônia e Cerrado.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: ocorre em maio na Bahia, de maio a outubro em Minas Gerais, de junho a novembro no Pará, de julho a setembro no Amazonas e de agosto a outubro no Maranhão. Os frutos amadurecem em julho no Pará, de agosto a dezembro em Minas Gerais, de setembro a outubro no Maranhão e de setembro a dezembro em São Paulo. A frutificação não é anual, repetindo-se a cada 3 ou 4 anos.

Fauna associada

A espécie é hermafrodita e predominantemente alógama, com endogamia presente porém não significativa. A polinização é melitófila: as flores são visitadas por mamangavas (Xylocopa spp.), que buscam néctar, e pela abelha amazônica Scaptotrigona fulvicutis, que coleta pólen. A dispersão dos frutos e sementes se dá pelo vento (anemocoria), e a predação de sementes por árvore variou de 21% a 42%.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos ainda fechados, na fase pré-dispersão, quando assumem coloração marrom-esverdeada. Cada quilograma reúne de 25.000 a 34.364 sementes. Não é necessário tratamento pré-germinativo, já que as sementes não apresentam dormência; testes de superação de dormência em lotes armazenados ou envelhecidos não aumentaram a germinação, sugerindo que outros fatores afetam o desempenho ao longo do armazenamento. As sementes têm comportamento ortodoxo e devem ser colhidas com teor de umidade de no máximo 9,68%, pois acima disso a germinação e o vigor já começam a cair. Em câmara fria, após 300 dias, a germinação foi de 60% com 9,5% de umidade, 50,5% com 12,8% e 40% com 13,4%; em câmara seca, foi de 55% com 10,9%, 6,5% com 11,6% e nula com 12,5%. Com 6% de umidade e germinação inicial de 100%, mantêm-se viáveis por 12 meses em câmara fria (8 °C ± 4 °C) e 46% de umidade relativa, ao passo que, em ambiente sem controle, a germinação zera por volta dos 9 meses.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes grandes de polipropileno, já que a raiz principal se desenvolve bastante. A repicagem deve ocorrer cerca de 60 dias após a germinação. O tamanho do recipiente influencia o ganho de massa seca das mudas, mas recipientes maiores que o necessário apenas elevam os custos de substrato. A germinação é epígea e as plântulas fanerocotiledonares, com emergência entre 8 e 30 dias após a semeadura e faculdade germinativa de 39% a 63%. As raízes formam micorrizas arbusculares, com até 56% de infecção fúngica e alta incidência em casa de vegetação.

Características silviculturais

Intolerante à sombra, a espécie tem forma irregular, com bifurcações e ramificações laterais, e não realiza desrama natural, exigindo podas frequentes de condução e de galhos. Na Amazônia, destacou-se quando cultivada sob sombra seletiva, embora haja recomendação de plantio a pleno sol; nesse caso, porém, a presença constante do fungo causador da mancha-foliar (Sclerotium coffeicolum) pode ser um fator limitante, sugerindo-se também o manejo da floresta natural para conduzir sua regeneração. Em sistemas agroflorestais, na Bolívia é indicada para enriquecer cortinas naturais e como árvore madeirável nas fileiras centrais de cortinas com três ou mais linhas, plantada com 4 m a 5 m entre as árvores. A exploração desordenada vem reduzindo fortemente suas populações; análises genéticas não revelaram divergência entre subpopulações de pastagem e de floresta, e a diversidade genética mostrou-se até maior na pastagem, indicando que essa subpopulação não sofreu gargalo genético severo.

Crescimento e produção

O crescimento é lento, com incremento volumétrico de até 6,56 m³ por hectare ao ano. Entre 1976 e 1996, em projetos de reposição florestal no Pará registrados no Ibama, a espécie foi plantada por 14% das empresas.

Clima

A precipitação média anual onde a espécie ocorre vai de 700 mm, na Paraíba, em Pernambuco e no Piauí, a 3.000 mm, no Amapá, com chuvas periódicas e período seco acentuado de maio a setembro na Paraíba e no Rio de Janeiro. A temperatura média anual situa-se entre 18,6 °C (Aiuruoca, MG) e 27,6 °C (Serra Negra do Norte, RN); no mês mais frio fica entre 13,2 °C e 25,9 °C, e no mais quente entre 21,6 °C e 29,2 °C. A mínima absoluta registrada foi de -2 °C, em Botucatu (SP). Na faixa entre Acre e Rondônia ocorre o fenômeno da friagem, queda brusca de temperatura provocada pelo avanço da frente polar, com médias em torno de 10 °C e podendo chegar a 4 °C por 3 a 8 dias. As geadas são raras no sul de Minas Gerais e ausentes no restante da área. Segundo Köppen, a espécie ocorre nos climas Af, Am, As, Aw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

A espécie é indiferente quanto aos solos mesotróficos, vegetando em terrenos com pH entre 3,9 e 5,6. No sudeste do Pará desenvolve-se sobre Terra Roxa Estruturada e, no carrasco de Novo Oriente (CE), em Areias Quartzosas.