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Ingá-verde

Inga virescens Benth.

Fabaceae Mata Atlântica
  • até 15 mAltura
  • Médio portePorte
FrutíferasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: ingá, ingá-banana, ingá-bananinha, ingazeiro, catarina

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (antiga Leguminosae), o ingá-verde integra a subfamília Mimosoideae, a tribo Ingeae e a seção Pseudinga, dentro da ordem Fabales. A espécie foi descrita por Bentham, com primeira publicação no London Journal of Botany (vol. 4, p. 605), e tem como sinônimo botânico Feuilleea virescens (Benth.) Kuntze. O nome do gênero Inga deriva do tupi, com duas interpretações possíveis: a combinação de ib (fruto) com cá (caroço), ou uma corruptela de y-igá, que remete ao que é úmido ou embebido, em referência à polpa que envolve a semente. Já o epíteto virescens vem do latim e significa esverdeada.

Descrição botânica

Árvore decídua que, quando adulta, alcança cerca de 15 m de altura e 40 cm de diâmetro do tronco medido a 1,30 m do solo. O tronco é reto, podendo apresentar-se levemente tortuoso ou um pouco acanalado, com fuste de até 5 m; é comum notar nele a exsudação de uma resina gelatinosa, transparente e de tom pardacento. A ramificação varia de tricotômica a irregular e simpódica, formando uma copa baixa, arredondada, densa e de coloração verde-escura, com galhos longos. Os ramos são cilíndricos a um pouco angulosos, vilosos ou tomentosos quando jovens e glabros na maturidade, recobertos por lenticelas esbranquiçadas mais ou menos espaçadas. A casca chega a 10 mm de espessura: externamente é áspera, com descamação pulverulenta e lenticelas ordenadas, enquanto a parte interna tem cor amarelo-ouro, textura curto-fibrosa e estrutura trançada. As folhas são compostas, paripinadas, alternas e espiraladas, atingindo até 18 cm de comprimento; os folíolos, de 5,5 cm a 11,5 cm de comprimento por 1,8 cm a 4,5 cm de largura, têm forma lanceolada a elíptica, consistência membranosa a papirácea, base aguda a arredondada, ápice acuminado e margem levemente sinuada com pequeno múcron. A ráquis é alada, ambas as faces dos folíolos são pilosas (a superior um pouco mais escura) e há um pequeno nectário foliar filiforme entre cada par de folíolos opostos; os pecíolos medem de 0,7 cm a 1,5 cm, são cilíndricos ou alados e vilosos. As inflorescências são espiciformes e cônicas, adensadas e numerosas, surgindo de 1 a 4 por axila ou em nós sem folhas, com 30 a 50 flores cada. As flores formam uma espiga curta em forma de cone, pubescente, que se abre a partir da base, sustentada por pedúnculos de 1 cm a 6 cm. O fruto é uma vagem oblongo-comprimida de cor amarela, com 7 cm a 10,5 cm de comprimento, 1,4 cm a 1,8 cm de largura e 0,8 cm de espessura, de faces largas e bordo marcado, mas não saliente nem alado. As sementes lembram um grão de feijão: têm coloração castanho-esverdeada, formato de losango e medem de 0,9 cm a 1,2 cm por 0,6 cm a 0,8 cm.

Uso e ecologia
paisagismorecuperação de áreasalimentícioapícola
Produtos e utilizações

Os frutos do ingá-verde são multisseminados e têm a sarcotesta (tegumento da semente) comestível, de sabor doce e agradável, consumida in natura. As flores produzem néctar e têm potencial apícola. A madeira é moderadamente densa (0,63 g/cm³ a 15% de umidade), com cerne e alburno indistintos de cor esbranquiçada, textura média a grosseira, grã irregular e superfície ligeiramente áspera, sem gosto ou cheiro marcantes; serve para celulose e papel, mas não tem valor comercial relevante na serraria, sendo aproveitada apenas localmente — na região metropolitana de Curitiba (PR), por exemplo, é indicada para cabos de ferramentas e utensílios domésticos. Como lenha, sua qualidade é considerada péssima. Pela copa arredondada de porte adequado e pela boa sombra, é uma planta muito atrativa para fins ornamentais e para a arborização de ruas, parques e áreas amplas.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária inicial, é comum em formações secundárias como capoeiras e capoeirões, mas torna-se rara na floresta primária. No Brasil, está associada ao bioma Mata Atlântica, ocorrendo em Floresta Estacional Decidual (formação Montana, em Santa Catarina), Floresta Estacional Semidecidual (formação Submontana, no Paraná e no Rio Grande do Sul), Floresta Ombrófila Densa (formação Montana, em São Paulo) e Floresta Ombrófila Mista, com araucária (formação Montana, no Paraná e no Rio Grande do Sul), nesta última com até cinco indivíduos por hectare. Aparece ainda em ambientes ripários e de mata ciliar no Paraná, também com até cinco árvores por hectare. Em levantamento de 43 estudos florísticos e fitossociológicos de floresta ciliar do Brasil extra-amazônico, foi encontrada em apenas dois deles (4,3%). Fora do país, ocorre na Selva Misioneira argentina.

Floração e frutificação

A floração acontece de agosto a novembro no Paraná e de outubro a dezembro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os frutos amadurecem de dezembro a fevereiro no Paraná e de dezembro a março no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Fauna associada

Espécie hermafrodita, é polinizada essencialmente por abelhas. A dispersão das sementes e dos frutos é zoocórica ou hidrocórica.

Plantio e silvicultura
Sementes

As vagens devem ser colhidas direto da árvore quando começarem a cair naturalmente, ou recolhidas do chão logo após a queda; em seguida são abertas à mão para retirar as sementes, que vêm envoltas pelo arilo. Há cerca de 1.890 sementes por quilo. Não é preciso fazer tratamento pré-germinativo. Por terem comportamento fisiológico recalcitrante, as sementes devem ser semeadas logo após a colheita.

Produção de mudas

Recomenda-se a semeadura direta em sacos de polietileno ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio, fazendo a repicagem com cuidado para não danificar o sistema radicial. A germinação é hipógea ou criptocotiledonar, com emergência iniciando entre 10 e 30 dias após a semeadura e poder germinativo alto, em torno de 80%. A espécie forma simbiose com Rhizobium, originando nódulos globosos.

Características silviculturais

Heliófila ou esciófila e tolerante a geadas, o ingá-verde tem tronco de ramificação acentuada. Pode ser cultivado a pleno sol em plantio misto, junto a espécies pioneiras e secundárias, e ainda se regenera por brotação de toco e de raízes. Em sistemas agroflorestais, é indicado para sombreamento de pastagens, pois sua copa irregular oferece sombra média; o gado aprecia tanto os frutos e folhas quanto a sombra da árvore.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre o desenvolvimento da espécie em plantios. As informações disponíveis indicam crescimento lento, da ordem de 1,25 m³/ha/ano aos 7 anos de idade, em Rolândia (PR).

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência varia de 1.100 mm, em São Paulo, a 2.300 mm, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano. A deficiência hídrica é nula nos planaltos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná (exceto no norte paranaense, onde é pequena, no inverno). A temperatura média anual fica entre 14,5 ºC (São Francisco de Paula, RS) e 20,6 ºC (Londrina, PR), com mínima absoluta registrada de -8,4 ºC em Guarapuava (PR). As geadas vão de raras, no norte do Paraná, a frequentes no inverno do planalto sul-brasileiro, com média anual de 3,4 a 15,4 e amplitude de 0 a 33 geadas. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Cfa (subtropical de verão quente), Cfb (temperado de verão ameno) e Cwa (subtropical de inverno seco e verão quente).

Solos

Cresce naturalmente em diversos tipos de solo, com textura que vai de arenosa a argilosa, suportando solos ácidos e mal drenados.