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Ingá-poca

Sclerolobium densiflorum

Caesalpiniaceae Mata AtlânticaCaatinga
  • até 30 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: ingá, ingá-açu, ingá-da-mata, ingá-de-porco, ingazeira-da-mata, ferreiro, ingá-cavalo, ingá-de-cavalo, ingá-porco

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertence à família Caesalpiniaceae (Leguminosae: Caesalpinioideae) e ao gênero Sclerolobium, sendo descrita cientificamente como Sclerolobium densiflorum Bentham. No sistema de classificação de Cronquist, enquadra-se na divisão Magnoliophyta (Angiospermae), classe Magnoliopsida (Dicotyledonae) e ordem Fabales. A publicação original data de 1870 (in Mart., Fl. Bras. 15 (2): 51). O nome do gênero, Sclerolobium, quer dizer "legume duro", enquanto o epíteto densiflorum faz referência à inflorescência muito densa da planta.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore perenifólia que, na fase adulta, pode alcançar cerca de 30 m de altura e até 60 cm de DAP (diâmetro medido a 1,30 m do solo). O tronco varia de reto a levemente tortuoso, com fuste de até 10 m. A ramificação é dicotômica e os ramos jovens apresentam sulcos longitudinais. A casca chega a 10 mm de espessura, sendo a parte externa lisa e de coloração cinzenta. As folhas são compostas e paripinadas, com 2 a 3 jugos de folíolos grandes e fortemente coriáceos; os folíolos terminais medem de 10 a 15 cm de comprimento por 5 a 8 cm de largura, são opostos, curtamente peciolulados, ovais, peninérveos, de base subaguda e ápice acuminado, com nervura principal assimétrica e bordos levemente revolutos. As inflorescências surgem nas pontas dos ramos, em panículas com aspecto de espigas, e as flores são sésseis, com pétalas linear-cuneiformes. O fruto é um legume samariforme pequeno, contendo duas sementes. A semente é amarelo-esverdeada, oblonga e alongada, de até 1 cm de comprimento, com superfície lisa, brilhante e subapical.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, de cor amarelada e pouca durabilidade natural, o que limita seu valor econômico; ainda assim, presta-se à produção de tábuas e pranchas. Em Alagoas e Pernambuco, é aproveitada como lenha e carvão, e a espécie também é adequada para a fabricação de celulose e papel. Por produzir flores melíferas, tem interesse apícola. Apresenta ainda grande potencial ornamental, sendo indicada para parques e arborização em geral.

Aspectos ecológicos

Classificada como espécie clímax, costuma formar agrupamentos moderadamente densos. É exclusiva da formação das Terras Baixas da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Pluvial Tropical Atlântica), no bioma Mata Atlântica, e também ocorre na Savana-Estépica (Caatinga do Semiárido), no Piauí.

Floração e frutificação

A floração acontece de julho a outubro e os frutos amadurecem entre setembro e dezembro, conforme registros em Pernambuco.

Fauna associada

Espécie monóica, tem a polinização realizada principalmente por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão das sementes combina o mecanismo anemocórico (pelo vento) com o autocórico do tipo barocórico (por gravidade).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando mudam da cor verde para a amarelada. Após a coleta, são mantidos em local ventilado para depois extrair as sementes manualmente. Cada quilo reúne cerca de 3.900 sementes. Por apresentarem dormência tegumentar, recomenda-se superá-la com escarificação em ácido sulfúrico concentrado por 10 minutos. As sementes têm comportamento ortodoxo, conservando a viabilidade por mais de 75 dias.

Produção de mudas

Indica-se semear duas sementes em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura e 7 a 10 cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. Caso necessário, a repicagem pode ser feita 2 a 3 semanas após a germinação, quando as plântulas atingem cerca de 4 cm de altura. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, com emergência entre 13 e 120 dias após a semeadura e taxa de 12% a 40%. Em viveiro, as raízes formam nódulos pela associação com bactérias do gênero Rhizobium, e convém investigar a eventual presença de fungos micorrízicos arbusculares.

Características silviculturais

A planta exibe dominância apical bem definida, ótimo vigor e boa desrama natural quando cultivada em plantio denso. Em espaçamentos amplos, como 3 x 3 m, é preciso podar os galhos. O cultivo recomendado é a pleno sol, em plantios puros e densos, podendo também integrar plantios mistos como tutor de espécies secundárias tardias ou clímax.

Crescimento e produção

Há poucos registros disponíveis sobre o desenvolvimento da espécie em plantios.

Clima

A precipitação média anual varia de 700 mm, no Piauí, a 2.500 mm, em Pernambuco, com chuvas uniformes ou periódicas no litoral da Bahia e em partes de Alagoas e Pernambuco, e periódicas na faixa costeira de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba, além do Piauí. A deficiência hídrica é nula a pequena no litoral baiano e em áreas de Alagoas e Pernambuco, de pequena a moderada na costa de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba, e de moderada a forte na Serra da Capivara (PI). A temperatura média anual fica entre 24,3 ºC (Ilhéus, BA) e 26,1 ºC (João Pessoa, PB), com mínima absoluta de 11,3 ºC (Maceió, AL) e ausência de geadas. Na classificação de Köppen, ocorre em clima Af na Bahia, Am na Paraíba e em Pernambuco, Aw na Serra da Capivara (PI) e As em Alagoas e Sergipe.

Solos

Desenvolve-se em solos profundos, bem drenados, de fertilidade química média e textura argilosa a argilo-arenosa, com pH baixo.