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Foto de Ingá-ferradura

Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF

Ingá-ferradura

Inga sessilis (Vell.) Mart.

Mimosaceae Mata Atlântica
  • 5 a 10 m, podendo chegar a 25 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: angá, ingá, ingá-açu-amarelo, ingá-arqueado, ingá-graúdo, ingá-de-macaco, ingá-peludo, ingá-veludo-grande, ingazeiro

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Mimosaceae (Leguminosae Mimosoideae), a espécie foi descrita como Inga sessilis (Vell.) Mart., tendo Mimosa sessilis Vell. como sinônimo botânico. O nome do gênero deriva de ingá, designação indígena da planta, enquanto o epíteto sessilis remete aos frutos sésseis, ou seja, desprovidos de pedúnculo. A palavra ingá tem origem na expressão tupi y-igá, traduzida como embebido, úmido ou ensopado, em referência à polpa que recobre a semente.

Descrição botânica

Árvore de folhagem permanente que normalmente mede entre 5 e 10 m, com diâmetro de 20 a 40 cm, mas que na fase adulta pode alcançar 25 m de altura e 60 cm de diâmetro. O tronco costuma ser tortuoso, de fuste curto que não passa de 5 m, e a ramificação é ascendente e desordenada, formando uma copa ampla, arredondada e densa que chega a 12 m de largura. A casca atinge até 10 mm de espessura: a porção externa é persistente, áspera, de tom marrom-acinzentado e coberta por numerosas lenticelas pequenas e redondas, enquanto a interna é curto-fibrosa, homogênea, de cor bege-amarelada, aquosa e sem aroma ou sabor marcantes. As folhas compostas alcançam 30 cm e reúnem de 5 a 8 pares de folíolos ovais (até 12 cm por 4 cm), pubescentes nas duas faces, com pecíolo e ráquis alados e glândulas raqueais salientes. As flores, brancas e com estames longos, medem até 2,5 cm e surgem em racemos axilares frouxos de até 10 cm, agrupando no máximo quatro flores. O fruto é um legume tomentoso, achatado, reto ou curvo, de coloração rubro-bronzeada e bordas espessas, medindo de 10 a 20 cm de comprimento por 2,5 a 3 cm de largura; as sementes são verde-escuras e ficam envoltas por uma polpa branca.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalalimentícioapícola
Produtos e utilizações

A madeira é leve (0,41 a 0,59 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno e cerne pouco distintos e tom bege-claro levemente rosado ou amarelado, superfície ligeiramente áspera e lustro irregular, textura média a grosseira e grã irregular, sem gosto nem cheiro perceptíveis; pouco durável, apodrece com facilidade quando exposta ao tempo. Seu uso na forma serrada ou roliça é restrito a aplicações locais em obras internas, esquadrias, forros, móveis, tabuados e palitos de fósforo. Fornece carvão e lenha de boa qualidade e é apropriada para celulose e papel, com fibras de 0,78 mm. A casca contém tanino e é aproveitada em curtumes. A forragem reúne 18,6% de proteína bruta e 3,3% de tanino. Os frutos são comestíveis e muito saborosos: a polpa branca em torno das sementes é doce e pode ser consumida in natura ou em sucos, ainda que a rigidez das vagens dificulte abri-las; é considerado um dos ingás mais gostosos da Ilha de Santa Catarina. As flores são melíferas, produzindo néctar e pólen.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária inicial, instala-se em planícies, fundos de vale e início de encostas, tanto em formações primárias quanto secundárias, surgindo em clareiras de menos de 60 m² na vegetação secundária. É característica da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica) nas formações de Terras Baixas, Submontana e Montana, onde tem ampla dispersão, e aparece com menor frequência na Floresta Estacional Semidecidual, na Floresta Estacional Baixo-Montana em Santa Maria (RS) e em campos rupestres de 1.000 a 1.400 m em Minas Gerais. É típica de mata ciliar nas diversas tipologias em que ocorre.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de fevereiro a setembro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, de abril a setembro em São Paulo, de maio a junho no Rio de Janeiro e de agosto a setembro no Paraná. Os frutos amadurecem de junho a janeiro no Rio Grande do Sul, de agosto a janeiro em Santa Catarina, de setembro a outubro no Paraná e de novembro a abril em São Paulo. Em plantios, a reprodução começa por volta dos 5 anos.

Fauna associada

Planta hermafrodita, é polinizada sobretudo por morcegos e por diversas espécies de beija-flores. A dispersão das sementes é zoocórica, com destaque para pacus e macacos, e também hidrocórica, favorecida por sua presença habitual às margens de cursos d'água. Flores e frutos servem de alimento ao macaco-bugio (Alouatta fusca), e a polpa pode ser uma fonte alimentar relevante para outros animais.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos são abertos à mão ou com faca, e a limpeza das sementes é feita por lavagem com maceração; após retirar toda a mucilagem, elas são levadas a peneiras para secar. Cada quilo reúne de 3 mil a 5 mil sementes, que não exigem tratamento para quebra de dormência por não apresentarem dormência. O comportamento é recalcitrante: muito sensíveis à desidratação, perdem por completo a viabilidade em uma a duas semanas. Ainda assim, sementes secas à sombra por 24 horas e guardadas em recipiente bem fechado, em ambiente não controlado, mantiveram 85% de germinação após 8 meses.

Produção de mudas

Recomenda-se semear diretamente em sacos de polietileno de pelo menos 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. Quando preciso, a repicagem é feita 2 a 3 semanas após a germinação. A germinação é hipógea, começa entre 10 e 30 dias e tem poder germinativo elevado, chegando a 100%; as mudas ficam prontas para o campo cerca de 4 meses depois da semeadura. O pegamento com mudas de raiz nua é difícil. As raízes formam associação simbiótica com Rhizobium, originando nódulos globosos com atividade de nitrogenase.

Características silviculturais

Espécie heliófila que, jovem, suporta sombreamento moderado, mas não resiste a baixas temperaturas. Apresenta hábito irregular, ramificação pesada e ausência de dominância apical, exigindo podas de condução e de ramos. Pode ser cultivada a pleno sol em plantio puro, desde que em áreas livres de geadas; em plantio misto com espécies pioneiras e secundárias; ou em faixas abertas em capoeiras dentro de vegetação matricial arbórea, plantada em linhas. Rebrota da touça após o corte. É empregada na arborização de cultivos perenes, sobretudo cafezais, e indicada para sombrear pastagens.

Crescimento e produção

Embora haja poucos registros de plantios experimentais, o desenvolvimento da espécie em cultivo é considerado de moderado a rápido.

Clima

A precipitação anual média vai de 1.000 mm no Rio de Janeiro a 3.700 mm na Serra de Paranapiacaba (SP), com chuvas bem distribuídas no Sul e em Paranapiacaba e concentradas no verão no Sudeste. A deficiência hídrica é moderada, com estiagem de até 3 meses no norte do Espírito Santo e no nordeste de Minas Gerais. A temperatura média anual oscila entre 18,1 ºC (Nova Friburgo, RJ) e 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ); a média do mês mais frio fica entre 13,8 ºC e 21,3 ºC, e a do mês mais quente entre 21,7 ºC (Ouro Preto, MG) e 26,5 ºC (Joinville, SC, e Rio de Janeiro, RJ), com mínima absoluta de -5,5 ºC (Rio do Sul, SC). As geadas variam de 0 a 10 por ano, com máximo absoluto de 18 no Sul, sendo na maior parte das áreas ausentes ou raras. Os tipos climáticos de Köppen são tropical (Af e Aw), subtropical úmido (Cfa) e subtropical de altitude (Cwa e Cwb).

Solos

Desenvolve-se naturalmente em solos úmidos, profundos e de drenagem regular, sendo incomum em terrenos pouco úmidos. Apesar de preferir ambientes bem drenados, cerca de 40% de suas sementes germinam mesmo sob hipoxia. Em experimentos, o melhor crescimento ocorreu em solo de alta fertilidade química, bem drenado e de textura argilosa.