Foto: Yolanda M. Leon (CC0) via GBIF
Ingá-banana
Inga vera subsp. affinis
- até 25 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: ingá, ingá-ferradura, ingá-graúdo, ingá-de-beira-de-rio, ingá-do-brejo, angá, ingá-de-quatro-quinas, ingazeiro, ingá-mulambo
Botânica
Pertencente à família Fabaceae (Leguminosae no sistema de Cronquist) e à subfamília Mimosoideae, a espécie tem por nome científico aceito Inga vera Willd. subsp. affinis (DC.) T.D. Penn., publicado em Pennington (1997). Está inserida na ordem Fabales (Rosales segundo Cronquist) e no clado das eurosídeas I. Entre seus sinônimos botânicos mais citados estão Inga affinis DC. e Inga uraguensis Hook. & Arn., embora a espécie reúna uma sinonímia bastante extensa. O nome do gênero Inga deriva de ingá, designação indígena da planta. Os nomes populares variam conforme a região: ingá em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; ingá e ingá-ferradura em Minas Gerais; ingá e ingá-graúdo no Paraná; ingá, ingá-banana, ingá-de-beira-de-rio e ingá-do-brejo no Rio Grande do Sul; angá, ingá, ingá-banana, ingá-de-quatro-quinas e ingazeiro em Santa Catarina; ingá e ingá-do-brejo em São Paulo; e ingá-mulambo em Sergipe.
Árvore decídua que, quando adulta, pode alcançar cerca de 25 m de altura e 75 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, aferido a 1,30 m do solo). O tronco é reto ou levemente acanalado, com fuste de até 10 m. A ramificação é dicotômica e a copa, arredondada e de coloração verde-escura, exibe galhos longos. A casca chega a 10 mm de espessura, com superfície externa (ritidoma) lisa e lenticelas dispostas de modo regular; internamente apresenta tom rosado. As folhas são paripinadas e pilosas, de 8 cm a 20 cm de comprimento, com raque e pecíolo curtos e alados; reúnem de 3 a 6 pares de folíolos (em geral 4 a 5), lanceolados e pontiagudos, medindo de 3 cm a 12 cm de comprimento por 1,5 cm a 4 cm de largura, com uma glândula entre cada par. A inflorescência forma espigas axilares de 4 cm a 8 cm. As flores são brancas, pilosas e tubulares, com numerosos estames brancos e alongados (de 3 cm a 5 cm), que murcham em apenas um dia. O fruto é uma vagem amarelada e pilosa, de 4 cm a 12 cm, com quatro ângulos e polpa branca, doce e comestível, abrigando de 1 a 8 sementes. As sementes são oblongas, de cor castanho-escura, revestidas por um arilo mucilaginoso.
Uso e ecologia
A madeira é branca, moderadamente densa (0,58 g/cm³ a 0,77 g/cm³), pouco resistente e de baixa durabilidade natural. É aproveitada em caixotaria, obras internas e na fabricação de brinquedos e lápis, além de servir à produção de celulose e papel. Como lenha, porém, seu desempenho é muito ruim. Os frutos, multisseminados e de tegumento doce e agradável, são consumidos in natura. As flores, nectaríferas, têm valor apícola. A casca é empregada no curtimento de couro e na conservação de apetrechos de pesca, graças às substâncias tanantes. A espécie também se presta ao paisagismo, pois vegeta bem em terrenos secos, e é indicada para a restauração de ambientes fluviais e ripários em solos permanentemente encharcados. Quanto à composição química, as sementes não armazenam galactomanana como reserva polissacarídea no endosperma.
Trata-se de espécie pioneira ou de início de sucessão, típica e preferencial das margens de rios, onde com frequência domina barrancos e demais ecossistemas aquáticos. Ocorre quase que exclusivamente em formações secundárias (capoeiras e capoeirões). É a principal formadora das matas ribeirinhas, ciliares e de galeria do Sul do Brasil, aparecendo em Floresta Estacional Decidual nas Terras Baixas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, em Floresta Estacional Semidecidual nas formações Submontana e Montana de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná, no Pantanal Mato-Grossense, em florestas de brejo paulistas e em floresta psamófila gaúcha.
A floração ocorre de agosto a novembro em Minas Gerais, de dezembro a janeiro no Rio Grande do Sul e de janeiro a abril em Roraima; no Paraguai, a espécie floresce e frutifica duas vezes ao ano. Os frutos amadurecem em setembro no Paraná, de dezembro a fevereiro em Minas Gerais e de janeiro a fevereiro no Rio Grande do Sul.
Espécie monóica, polinizada essencialmente por abelhas. A dispersão é zoocórica e, em especial, ictiocórica: ao cair na água, o fruto ou parte dele é consumido por diversos peixes, com destaque para o pacu (Colossoma mitrei). Segundo Frisch e Frisch, o ingá-banana atrai ainda papagaios, beija-flores e maritacas, entre outros animais.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos na própria árvore quando começam a cair espontaneamente, ou recolhidos do chão logo após a queda; em seguida abrem-se as vagens à mão para retirar as sementes, mantendo intacto o arilo mucilaginoso que as envolve. Há cerca de 760 sementes por quilo e não é preciso aplicar tratamento pré-germinativo. O armazenamento é problemático: a viabilidade não passa de 15 dias, pois as sementes têm comportamento recalcitrante.
Recomenda-se a semeadura direta em saco de polietileno ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio; caso a repicagem seja necessária, deve ser feita com cuidado para não danificar o sistema radicial. A germinação é hipógea ou criptocotiledonar, com emergência entre 3 e 10 dias após a semeadura e poder germinativo elevado, em torno de 80%. A espécie associa-se a Rhizobium sp., formando nódulos globosos com baixa atividade da nitrogenase.
Planta heliófila e medianamente tolerante a geadas na fase jovem. Apresenta tronco de ramificação acentuada e regenera-se também por brotação de toco e de raízes. Em sistemas agroflorestais é indicada para o sombreamento de pastagens em Minas Gerais, pois sua copa irregular oferece sombra média, com diâmetro de 3 m a 5 m.
O crescimento é moderado, com produção volumétrica que pode chegar a 19,85 m³/ha/ano aos 10 anos de idade em Rolândia, PR.
A precipitação média anual varia de 1.300 mm em Mato Grosso a 1.700 mm no Rio Grande do Sul, com chuvas periódicas. A deficiência hídrica de inverno é pequena no noroeste do Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul, de pequena a moderada no Distrito Federal e no sul de Minas Gerais, e de moderada a forte no centro de Mato Grosso e no oeste de Minas Gerais. A temperatura média anual oscila entre 18,8 ºC (Santa Maria, RS) e 25,6 ºC (Cuiabá, MT); a média do mês mais frio vai de 12,9 ºC a 22 ºC e a do mês mais quente de 22,1 ºC (Lavras, MG) a 27,4 ºC (Cuiabá, MT), com mínima absoluta registrada de -5,3 ºC (Guaíra, PR). As geadas são de 0 a 2 por ano em média, podendo chegar a seis no Sul. Os climas de Köppen onde ocorre incluem Aw, Cfa, Cwa e Cwb.
Desenvolve-se naturalmente em solos úmidos, muito úmidos e até brejosos.