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Imbuia
Ocotea porosa
- 10 a 20 m, podendo chegar a 30 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: canela-broto, canela-preta, imbuia-clara, imbuia-escura, canela-embuia, canela-imbuia, canela-de-imbuia, embuia, imbuia-amarela, imbuia-brasina, imbuia-lisa, imbuia-parda, imbuia-preta, imbuia-rajada, imbuia-revessa, imbuia-zebrina, umbuia
Botânica
Pelo sistema de classificação de Cronquist, a imbuia pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e ordem Magnoliales, dentro da família Lauraceae. Seu nome científico aceito é Ocotea porosa (Nees et Martius ex. Nees) J. Angely, publicado em 1956. Já foi descrita sob os sinônimos Oreodaphne porosa Nees et Martius ex Nees e Phoebe porosa (Nees & Martius) Mez. Quanto à origem dos nomes, Ocotea vem de uma designação popular usada na Guiana, enquanto o epíteto porosa faz referência aos poros visíveis na madeira.
Trata-se de uma árvore de folhagem perene a semidecídua, que em geral mede de 10 a 20 m de altura e apresenta DAP entre 50 e 150 cm, podendo, quando adulta, alcançar 30 m e mais de 320 cm de diâmetro. O tronco é tortuoso e irregular, marcado por protuberâncias arredondadas conhecidas como "papos-de-imbuia"; o fuste costuma ser curto, normalmente com até 6 m, chegando excepcionalmente a 11 m. A ramificação é cimosa e dicotômica, formando copa larga e arredondada, de densidade baixa e folhagem verde-clara bem característica. A casca é espessa, com até 35 mm; em árvores velhas exibe fissuras profundas e se solta em placas irregulares, deixando cicatrizes côncavas, ao passo que nos exemplares jovens (até cerca de 50 cm de DAP) tem tom acinzentado e fissuras leves que se destacam em pequenas lâminas retangulares. A casca interna vai do bege ao salmão, tem odor forte e oxida com rapidez. As folhas são simples, alternas, coriáceas, inteiras e de formato oblongo-lanceolado, medindo de 6 a 10 cm de comprimento por 2 a 4 cm de largura, com nervuras maiores basais e 2 a 3 domácias alongadas em forma de bolsa na face inferior. As flores, pequenas e de cor branco-amarelada, têm o cálice coberto de pelos dourados e se organizam em racemos simples axilares de 2 a 4 cm. O fruto é uma drupa (ou baga) globosa a elíptico-globosa, unilocular e com uma única semente, de superfície lisa e brilhante, coloração roxo-escura a vermelho-arroxeada com pequenos pontos avermelhados, ápice mucronado e base arredondada; apoia-se numa cúpula carnosa em forma de disco, de bordas recortadas e 13 a 17 mm de diâmetro. A semente é castanha, lisa e estriada, com 12 a 20 mm de diâmetro, e a amêndoa se divide em duas metades semiglobosas.
Uso e ecologia
A madeira é o principal produto da imbuia: moderadamente densa (0,60 a 0,70 g/cm³ a 15% de umidade, com massa específica básica de 0,54 g/cm³), apresenta alburno pouco distinto do cerne, que varia muito de tonalidade, do pardo-amarelado ao pardo-escuro-acastanhado. Tem superfície irregularmente lustrosa e lisa, com veios ou estrias paralelas, textura média e grã direita a reversa, além de cheiro agradável e sabor amargo e adstringente. É madeira de boa durabilidade natural e resistente a organismos xilófagos, porém impermeável a soluções preservantes mesmo sob pressão; sua secagem ao ar é de média a difícil, lenta nas peças mais espessas e sujeita a colapso e rachaduras internas, exigindo secagem artificial lenta. Serra-se e usina-se com facilidade, recebendo bem verniz e pintura; convém alertar que o pó fino gerado no beneficiamento pode causar dermatite, sendo recomendável que os operários se lavem logo após o contato. Seus veios pretos, castanhos ou avermelhados, ora retos, ora ondulados, conferem grande valor estético. É empregada em mobiliário de luxo, lâminas faqueadas decorativas, peças torneadas, painéis compensados e divisórias, sendo bastante exportada para a movelaria. Na construção civil serve para vigas, caibros, ripas, forros, tábuas, tacos de assoalho, batentes, venezianas, molduras e lambris, e ainda em carpintaria, marcenaria, entalhes, coronhas de armas, estacas, esquadrias, instrumentos musicais, escadarias e dormentes. Fornece lenha de boa qualidade, mas não é adequada para celulose e papel. Por destilação extrai-se dela um fixador para perfumaria tido como superior ao próprio sândalo. A forragem contém de 13% a 16% de proteína bruta e de 5% a 8% de tanino.
A imbuia é classificada como espécie secundária tardia ou clímax tolerante à sombra, embora por vezes se comporte como secundária, ocupando florestas mais abertas e capoeirões. É provavelmente a árvore mais longeva da Floresta de Araucária, ultrapassando os 500 anos; em Santa Catarina chegou-se a registrar um exemplar com mais de 2.700 anos, capaz de render 31 m³ de madeira. É característica da Floresta Ombrófila Mista Montana (Floresta com Araucária), onde ocupa o segundo estrato do dossel e por vezes forma agrupamentos densos, os chamados imbuiais; no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, aparece de forma muito rara na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica). A espécie consta da lista oficial da flora brasileira ameaçada de extinção, na categoria vulnerável, sendo considerada rara ou ameaçada também nas listas de Santa Catarina e do Paraná, o que torna imperativa sua conservação genética, sobretudo ex-situ, diante da erosão genética provocada pelo desmatamento.
A floração ocorre de agosto a dezembro no Rio de Janeiro, de setembro a novembro em São Paulo e de outubro a dezembro no Paraná e em Santa Catarina. Os frutos amadurecem de novembro a março em São Paulo, de fevereiro a março no Rio de Janeiro, de fevereiro a abril no Paraná, de abril a maio no Rio Grande do Sul e em maio em Minas Gerais. O processo reprodutivo começa por volta dos 6 anos após o plantio em solos férteis (Campo Mourão, PR) ou a partir dos 13 anos em solos de baixa fertilidade (Piraí do Sul, PR).
A polinização é feita sobretudo por abelhas, e a planta é hermafrodita. As flores são muito atrativas para as abelhas, o que dá à imbuia também qualidade de essência melífera. A dispersão de frutos e sementes é zoocórica, realizada principalmente por aves e mamíferos.
Plantio e silvicultura
A colheita deve ser feita quando o fruto muda da cor verde para a violácea. Em geral os frutos são recolhidos sob a árvore, onde já estão mais fáceis de despolpar manualmente, bastando a pressão dos dedos enquanto ainda estão frescos e úmidos; alternativamente, podem ser colocados em um tambor com água e macerados. Depois, seguem para peneiras e secam em local ventilado. Muitos frutos já chegam ao chão livres da polpa, num beneficiamento natural feito por formigas e pássaros. Cada quilo reúne de 400 a 780 sementes. A semente tem forte dormência tegumentar, recomendando-se escarificação mecânica e estratificação em areia ou serragem úmida; uma alternativa prática é molhar as sementes e expô-las ao sol, pois, após secar, o tegumento se rompe com facilidade e elas podem ser semeadas. Para pequenas quantidades, vale retirar o tegumento e semear a semente nua, o que acelera a germinação. As sementes são recalcitrantes, com alto teor de umidade: lotes com germinação inicial de 65%, guardados em sacos de papel kraft, caíram para 7,2% (em laboratório) e 1% (em câmara fria) após 12 meses.
Recomenda-se semear duas sementes por saco de polietileno de pelo menos 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, ou em tubetes grandes de polipropileno. Quando necessária, a repicagem é feita logo após a emissão do hipocótilo ou em até 3 semanas após a germinação. A germinação é hipógea e tem início entre 15 e 105 dias da semeadura; sem o tratamento pré-germinativo, demora mais de 90 dias e pode se estender por até 18 meses. A taxa de germinação é irregular, chegando a 91%, com média em torno de 70%. As mudas ficam aptas ao plantio por volta de 9 meses após a semeadura. Para obter maior sobrevivência e melhor diâmetro do colo, a produção deve ocorrer sob cerca de 30% de sombreamento. Há também relato de propagação vegetativa: segmentos nodais de cerca de 2 cm, retirados de mudas de 2 anos e cultivados em meio MS/2 com 2,46 mM de AIB, alcançaram 64% de enraizamento.
Espécie esciófila, a imbuia precisa de sombreamento de intensidade baixa a média nas fases juvenil e intermediária. Embora tolere o frio, sofre com temperaturas negativas nos dois primeiros anos a céu aberto — a forte geada de julho de 1975 matou 25% das plantas em um plantio em Piraí do Sul, PR. O hábito é variável, indo do crescimento monopodial à ramificação irregular, com bifurcações e brotos-ladrões na base do colo; até cerca de 10 anos costuma crescer de forma monopodial, e convém aplicar poda de condução para formar um fuste único, além de poda anual dos galhos. Plantios puros a pleno sol em pequenas parcelas (até 150 plantas) funcionam bem em solos de alta fertilidade, mas o usual é plantá-la em consórcio com espécies pioneiras, para evitar a insolação direta e os danos de geada. Pode ser implantada ainda em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas na capoeira ou em linhas e grupos. Rebrota vigorosamente após o corte, formando multitroncos a partir da cepa, sendo recomendável o manejo por talhadia.
O crescimento vai de lento a moderado, alcançando 9,65 m³/ha/ano. Ainda assim, dados de Campo Mourão, PR, em solo fértil, mostram incrementos médios anuais de 0,84 m em altura e 1,5 cm em diâmetro no oitavo ano, o que desfaz a ideia, comum no Sul do país, de que a imbuia seria a árvore nativa de crescimento mais lento. Nesse caso, seu desenvolvimento inicial supera o de outras nativas produtoras de madeira-de-lei, como alecrim, cabriúva, canela-sassafrás e peroba-rosa.
A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 1.200 mm, no Rio de Janeiro, a 2.300 mm, no Paraná, com chuvas bem distribuídas no Sul do Brasil e mais sazonais no Rio de Janeiro e no sul de Minas Gerais. A deficiência hídrica é nula no Sul e na região serrana fluminense, sem estação seca definida, tornando-se pequena no sul de Minas e do Estado de São Paulo. A temperatura média anual oscila entre 13,2 ºC (São Joaquim, SC) e 21,8 ºC (Ibiporã, PR); a média do mês mais frio fica entre 9,4 ºC e 18 ºC, e a do mês mais quente entre 17,2 ºC e 24,9 ºC. A mínima absoluta registrada foi de -10,4 ºC (Caçador, SC), podendo chegar a -15 ºC na relva. O número de geadas por ano vai de 0 a 30, com máximo absoluto de 57 no Sul. Pela classificação de Köppen, predominam os tipos Cfb (temperado úmido, maior área), Cfa (subtropical úmido) e Cwb (subtropical de altitude, no sul de Minas, no Rio de Janeiro e na capital paulista).
A imbuia se desenvolve em solos variados, desde os de baixa fertilidade química e com altos teores de alumínio até os de fertilidade média a elevada. Em plantios experimentais, porém, tem apresentado melhor desempenho em solos com boas propriedades físicas — férteis, profundos, bem drenados e de textura argilosa.