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Foto de Guatambu

Foto: Thomaz Ricardo Favreto Sinani (CC BY) via GBIF

Guatambu

Aspidosperma subincanum

Apocynaceae Mata AtlânticaCerradoPantanal
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: peroba-guatambu, pereira, piquiá, pequiá-amarelo, pereiro, pereiro-branco, piquiá-da-casca-fina

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação do APG III, a Aspidosperma subincanum integra a ordem Gentianales e a família Apocynaceae, dentro do clado das Euasterídeas I. O binômio foi descrito por Mart. e teve sua primeira publicação em 1837 (Flora 20 (2): 162). Reconhece-se como sinônimo botânico Aspidosperma pyricollum Mill. Arg. Quanto à origem do nome, o termo genérico Aspidosperma une as palavras aspido (escudo) e sperma (semente), aludindo à semente envolta por uma ampla asa circular, ou seja, "semente protegida por escudo"; já o epíteto subincanum faz referência à face inferior das folhas, de tom quase incano (branco-acinzentado).

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore perenifólia, de folhagem sempre-verde, embora no Vale do Paranã, no nordeste de Goiás, comporte-se como decídua. Os exemplares de maior porte chegam a cerca de 25 m de altura e 80 cm de DAP na fase adulta, mas também há indivíduos pequenos, com 4 m de altura e 6 cm de DAP. O tronco é reto e cilíndrico, com fuste de até 7 m. A ramificação é cimosa ou dicotômica, formando copa de ramos finos e rimosos, de cor marrom. A casca atinge até 10 mm de espessura, sendo a externa (ritidoma) castanho-escura e fendilhada. As folhas reúnem-se nas pontas dos ramos, têm textura finamente membranácea, vão de densamente cinéreo-pubescentes a glabras na face inferior e medem de 9 a 15 cm de comprimento por 5 a 8 cm de largura, com pecíolo de 1,5 a 3 cm. A inflorescência é subapical, em dicásio composto modificado e pubérula, com pedúnculo de 5 a 7 cm. As flores são actinomorfas, de corola branca a verde-amarelada, glabra com tricomas esparsos, tubo de 3 mm e lobos ovados de 1,5 a 2 mm, agudos e reflexos; os estames ficam no quarto superior do tubo e o ovário é glabro. O fruto é um folículo piriforme e castanho, com lenticelas e costa proeminente curto-vilosa, medindo cerca de 5 cm por 3,5 cm e abrigando em torno de seis sementes. As sementes são ovadas, com cerca de 4 cm de comprimento por 3 cm de largura e ala quase concêntrica.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,82 a 0,88 g/cm³), de textura muito fina e grã que vai de direita a irregular; quando seca apresenta cor bege, escurecendo com o passar do tempo, e o cerne mal se distingue do alburno. Mostra resistência moderada ao ataque de organismos xilófagos. É indicada para móveis finos, revestimentos e parquetes, além de fornecer lenha de boa qualidade, embora não sirva para celulose e papel. As flores são melíferas, com bom potencial apícola. No campo medicinal, pesquisas da Universidade de Brasília indicam o emprego da espécie como matéria-prima de fitoterápicos voltados ao diabetes e à hipercolesterolemia; no interior de Goiás, comunidades rurais preparam infusões ou chás de flores, sementes ou cascas para controlar o diabetes e o colesterol ruim (LDL), um conhecimento de raiz indígena herdado dos carajá. Vale ressaltar que esses registros de uso medicinal têm caráter informativo e não substituem orientação médica nem servem de base para prescrição de tratamentos.

Aspectos ecológicos

Em termos sucessionais, classifica-se como pioneira a secundária tardia. Sua ocorrência é descontínua e irregular, em geral com baixa densidade, tanto no interior das florestas quanto em formações secundárias. Na Mata Atlântica aparece em Floresta Estacional Decidual (formações Submontana e Montana, no Ceará e em Minas Gerais, com até quatro indivíduos por hectare), em Floresta Estacional Semidecidual (formação Submontana, no oeste de Minas Gerais) e em Floresta Ombrófila Densa (formação de Terras Baixas, no norte do Espírito Santo e no Rio de Janeiro). No Cerrado, surge no cerrado stricto sensu de Goiás, Minas Gerais e Tocantins (até dois indivíduos por hectare) e no cerradão de Minas Gerais (até um indivíduo por hectare). No Pantanal, ocupa Floresta Estacional Decidual e ambientes de terra firme não inundável (cordilheira) no Mato Grosso do Sul. Também é encontrada em matas ciliares (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, com até 21 indivíduos por hectare), no carrasco cearense, no Complexo de Campo Maior (PI), em florestas inundáveis de Tocantins e em matas mesofíticas da Bahia e de Goiás.

Floração e frutificação

A floração vai de setembro a novembro em São Paulo e ocorre em outubro no Mato Grosso do Sul. Os frutos amadurecem entre agosto e outubro no Distrito Federal.

Fauna associada

É uma espécie hermafrodita, cuja polinização se dá por mariposas e abelhas. A dispersão dos frutos e sementes acontece pelo vento (anemocoria).

Plantio e silvicultura
Sementes

Como os frutos liberam as sementes quase logo após mudarem do verde para o castanho-claro, a colheita deve ser feita antes da dispersão para não haver perda. Depois de colhidos, os frutos são deixados em local arejado para abrir e liberar as sementes. Cada quilo reúne cerca de 3.300 sementes, que não exigem tratamento para quebra de dormência. Por terem comportamento recalcitrante, conservam a viabilidade por menos de cinco meses no armazenamento.

Produção de mudas

Indica-se semear diretamente em recipientes, seja em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, seja em tubetes grandes de polipropileno. Caso necessário, a repicagem é feita de 4 a 6 semanas após a germinação. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares, e a emergência começa entre 5 e 27 dias após a semeadura, com poder germinativo elevado, de até 97%. A espécie apresenta de baixa a alta incidência de micorriza arbuscular, mas não foi colonizada pelos fungos Glomus etunicatum e Gigaspora margarita.

Características silviculturais

Heliófila e tolerante a baixas temperaturas, a peroba-guatambu deve ser cultivada a pleno sol e em plantio misto. Apesar do crescimento marcadamente apical, muitos exemplares acabam bifurcando, aparentemente em razão do ataque de uma broca.

Crescimento e produção

Há pouca informação sobre o desempenho da espécie em plantios, mas sabe-se que seu crescimento é lento. O fator de forma registrado foi de 0,75.

Clima

A precipitação média anual varia de 800 mm, no Ceará, a 1.600 mm, em Minas Gerais, com chuvas periódicas e deficiência hídrica moderada. As temperaturas médias anuais ficam entre 20,1 °C (Cerro Azul, PR) e 25,8 °C (Crateús, CE); no mês mais frio, vão de 15,3 °C a 23,7 °C, e no mais quente, de 22,5 °C (Brasília, DF) a 29 °C (Crateús, CE). A mínima absoluta registrada foi de -2,4 °C, em Cerro Azul (PR). As geadas são ausentes em quase toda a área de ocorrência, tornando-se fracas no nordeste do Paraná, com média de 0 a 4 ocorrências e amplitude de até 7. Pela classificação de Köppen, predominam os tipos Aw (tropical com inverno seco) na maioria dos estados, Cwa (subtropical com inverno seco e verão quente) no nordeste de Goiás, em Minas Gerais e em Campo Maior (PI), e Cwb (subtropical de altitude, inverno seco e verão ameno) em Minas Gerais.

Solos

Prefere solos pedregosos de encostas e espigões, com boa drenagem e pH entre 4,6 e 5,5. No carrasco de Novo Oriente (CE), desenvolve-se sobre Areias Quartzosas.