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Foto de Guaritá

Foto: Photo by David J. Stang (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia

Guaritá

Astronium graveolens

Anacardiaceae Mata AtlânticaCerrado
  • 10 a 20 m (até 30 m)Altura
  • Grande portePorte
Raras / ameaçadasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: aderne, aderno, garibu-preto, gibatão, aroeira, aroeirão, gonçalo, pau-ferro, quebra-machado, chibatão, chuatã, gonçalo-alves

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação de Cronquist, a espécie é uma angiosperma da divisão Magnoliophyta, classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), ordem Sapindales e família Anacardiaceae. Seu nome científico, Astronium graveolens, foi descrito por Jacquin em 1763. O gênero Astronium remete a astro, em referência ao fruto que exibe cinco sépalas dispostas em forma de estrela; já o epíteto graveolens alude ao odor intenso da planta.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore caducifólia que normalmente mede de 10 a 20 m de altura e tem DAP entre 40 e 60 cm, mas que, já adulta, pode alcançar 30 m e até 100 cm de DAP. O tronco é reto, raramente oco, com sapopemas na base e fuste em geral bastante longo, que supera com facilidade os 15 m, chegando a 20 m. A ramificação é dicotômica e a copa, pequena tanto em altura quanto em largura se comparada ao tronco. Entre agosto e setembro a folhagem assume tonalidade laranja-avermelhada, efeito ornamental que permite reconhecer a planta mesmo a distância. A casca é fina, com até 5 mm de espessura; a parte externa é lisa, não deiscente e de cor cinza-azulada, característica útil na identificação. As folhas são compostas imparipinadas, com pecíolo de 13 a 15 cm e de 4 a 7 pares de folíolos glabros, oblíquo-ovados a oblongos, acuminados ou agudos e finamente denteados, de tamanhos desiguais — os maiores com 6 a 8 cm e os menores com 3 a 4 cm — exalando cheiro típico de manga (terebintina); a margem é crenada ou serreada e as nervuras, esbranquiçadas e salientes na face inferior. As flores são vermelhas ou rosadas, reunidas em panículas axilares. O fruto é uma baga fusiforme de superfície lisa e endocarpo delicado, e a semente é alada e alongada.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícola
Produtos e utilizações

A madeira do guaritá é densa (massa específica aparente de 0,97 g/cm³ a 15% de umidade) e de grande durabilidade quando exposta, fincada no solo ou submersa — sendo a madeira de árvores maduras bem mais resistente que a das jovens — além de resistente a organismos xilófagos; ainda assim, estacas enterradas por 20 anos indicam vida média inferior a 12 anos. O cerne tem cor uniforme e bem distinta do alburno: bege-rosado recém-polido, escurecendo para castanho-avermelhado ao contato com o ar, e podendo chegar ao vermelho com veios escuros sob o sol. O alburno é branco-amarelado, com cerca de 7 cm de largura. A superfície é lisa e de pouco brilho, a textura média, a grã levemente inclinada, e cheiro e gosto são imperceptíveis. A madeira é impermeável a soluções preservantes mesmo sob pressão, difícil de partir e libera uma seiva de odor forte. O cerne presta-se a acabamentos internos, dormentes, mourões, postes, esquadrias, cruzetas, estruturas, folhas faqueadas, vagões e carrocerias, móveis, lambris, peças torneadas, tacos e tábuas de assoalho. Também rende lenha de boa qualidade, mas é inadequada para celulose e papel.

Aspectos ecológicos

É classificada como espécie secundária inicial a secundária tardia. No interior da floresta ocorre com baixa frequência; a céu aberto é menos comum e, nessa situação, a árvore tende a ser mais baixa e de tronco liso, podendo surgir em cultivos de café, eucalipto e similares. Trata-se de planta longeva, que costuma formar agrupamentos descontínuos em terrenos rochosos e secos. É característica da Floresta Estacional Semidecidual Submontana, onde ocupa o estrato emergente, sendo comum na mata ciliar da bacia do Rio Tibagi, no norte do Paraná. Também aparece na Floresta Estacional Decidual Submontana, no Baixo Paranaíba; na Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas (floresta de tabuleiro) em Linhares (ES); na restinga de Saquarema (RJ); e no cerradão. Em levantamento fitossociológico à margem do Rio do Peixe (SP), foram contadas nove árvores por hectare na encosta da área.

Floração e frutificação

A floração vai de junho a outubro em São Paulo, ocorrendo com a planta inteiramente sem folhas, e de julho a agosto em Minas Gerais. Os frutos amadurecem de julho a setembro em Minas Gerais e de setembro a novembro em São Paulo. A produção das primeiras sementes acontece por volta dos 15 a 20 anos de idade.

Fauna associada

A planta é hermafrodita e a polinização é feita sobretudo por abelhas, com participação de diversos pequenos insetos. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica (pelo vento), o que explica a presença do guaritá em matas secundárias e, mais raramente, em locais isolados.

Plantio e silvicultura
Sementes

A colheita é feita diretamente na árvore, assim que os frutos começam a cair naturalmente. Como são facilmente levados pelo vento, recomenda-se cortar toda a inflorescência com cuidado e em dias calmos, já que, iniciada a maturação, todos os frutos caem em menos de uma semana. Depois de colhidos, os frutos são postos ao sol para secar, o que facilita remover manualmente as sépalas aderentes. Separar a semente do fruto é praticamente inviável, de modo que se semeia o próprio fruto sem sépalas, como se fosse semente. Cada quilo contém de 15.000 a 31.800 sementes. Não há necessidade de tratamento para quebra de dormência, pois a espécie não a apresenta. Em condições de ambiente não controladas, a viabilidade não passa de 4 meses; já em ambiente frio (5 ºC), as sementes conservam-se por mais tempo.

Produção de mudas

Indica-se semear em sementeiras e depois repicar as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio; a repicagem pode ser feita a partir de 4 semanas após a germinação, levando-se em seguida as mudas para canteiros semissombreados. A germinação é cripto-epígea, inicia-se entre 8 e 30 dias após a semeadura e costuma ter alto poder germinativo, acima de 80%. Cerca de 6 meses após a semeadura as mudas atingem porte adequado para o plantio. Como substrato de enchimento dos recipientes, recomenda-se uma mistura de solo organo-argiloso. Mudas de raiz nua pegam muito bem, mesmo em plantas de 1 m de altura ou mais. As mudas são altamente dependentes da associação simbiótica com fungos micorrízicos arbusculares.

Características silviculturais

O guaritá é uma espécie semi-heliófila e medianamente tolerante a geadas — embora haja registro de que seja resistente a elas. Tem hábito de crescimento monopodial, com boa desrama e cicatrização. Não é adequado para plantio puro a pleno sol; o ideal é o plantio misto associado a espécies pioneiras, ou o estabelecimento em vegetação matricial arbórea com abertura de faixas. Rebrota da touça após o corte. Em São Paulo e no norte do Paraná costuma ser poupado nas lavouras de café e nas pastagens. A espécie está ameaçada de extinção e consta da lista de conservação genética do estado de São Paulo.

Crescimento e produção

O crescimento é lento a moderado, atingindo de 2 a 3 m de altura aos 2 anos. Em Cosmópolis (SP), exemplares de 20 anos tinham altura média de 10,50 m e DAP de 10,5 cm; em Ilha Solteira (SP), em plantio misto, alcançaram em média 1,25 m de altura aos 12 meses.

Clima

A precipitação média anual varia de 800 mm a 2.200 mm (Paraíba), com chuvas periódicas concentradas no verão. A deficiência hídrica é moderada, com estação seca de até 3 meses no norte do Espírito Santo e de até 6 meses na Paraíba. A temperatura média anual fica entre 18,3 ºC (Telêmaco Borba, PR) e 26,1 ºC (João Pessoa, PB); a média do mês mais frio vai de 13,5 ºC a 23,7 ºC e a do mês mais quente, de 22,4 ºC a 28,2 ºC, com mínima absoluta de -5 ºC em Telêmaco Borba (PR). O número de geadas por ano é em média de 0 a 10, com máximo absoluto de 18 no Paraná, predominando situações sem geadas ou com geadas pouco frequentes. Os tipos climáticos de Köppen abrangem o tropical (Am e Aw), o subtropical úmido (Cfa) e o subtropical de altitude (Cwa).

Solos

A espécie ocorre tanto em Nitossolo Vermelho eutroférrico (terra roxa estruturada) de textura argilosa, no norte do Paraná, quanto em cerradões de solos rasos ou profundos, especialmente os enxutos e de drenagem rápida. É considerada indicadora de solos quimicamente pouco férteis e de textura arenosa.