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Foto de Guaricica

Foto: (c) Henrique Bitencourt, some rights reserved (CC BY-SA), uploaded by Henrique Bitencourt (cc-by-sa) via iNaturalist

Guaricica

Vochysia bifalcata

Vochysiaceae Mata Atlântica
  • 10 a 15 mAltura
  • Médio portePorte
MadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: caixeta-do-interior, pau-de-vidro, pau-de-vinho, canela-santa, morici, murici, murici-vermelho, pau-amarelo, vinheiro

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Cronquist, a guaricica pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), ordem Polygalales e família Vochysiaceae. A espécie foi descrita como Vochysia bifalcata por Warming, em 1875, e tem como sinonímia botânica Vochysia laurifolia Warm. O nome do gênero Vochysia deriva de vochy, designação vernacular da planta na Guiana, registrada por Aublet ao descrever Vochy guianensis, espécie-tipo e exemplar mais antigo conhecido do gênero; já o epíteto bifalcata faz referência ao botão floral em formato de dupla foice.

Descrição botânica

Árvore perenifólia que costuma medir de 10 a 15 m de altura, com DAP de 20 a 40 cm, podendo chegar a 25 m e a 100 cm de DAP quando adulta. O tronco é reto, de seção cilíndrica, com fuste de até 18 m. A ramificação é dicotômica e racemosa, formando copa densa e em forma de guarda-chuva. A casca atinge até 15 mm de espessura: por fora apresenta tom acinzentado com manchas brancas, fissuras longitudinais e descamação em placas irregulares; por dentro é branco-amarelada. As folhas são verticiladas, com três por verticilo, subcoriáceas, glabras, brilhantes, de margem inteira e cor verde-amarelada, medindo de 8 a 15 cm de comprimento por 2 a 4 cm de largura, com pecíolo canaliculado de 0,5 a 1,5 cm, glabro ou levemente piloso. As flores, amarelas e vistosas, agrupam-se em inflorescências do tipo cacho terminal de 9 a 40 cm. O fruto é uma cápsula lenhosa e coriácea, de cor marrom, trígona, com deiscência loculicida dorsal, de 2,5 a 4 cm de comprimento, abrigando três sementes. Cada semente é alada, marrom-escura, com núcleo seminal basal e cerca de 3 cm de comprimento, asa incluída.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícolaenergético
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (massa específica aparente de 0,50 a 0,65 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno e cerne indiferenciados, de cor rósea-pálida com manchas esbranquiçadas. Apresenta superfície ligeiramente áspera, textura grosseira, grã direita e cheiro e gosto imperceptíveis. Serrada ou roliça, presta-se à fabricação de brinquedos, embalagens leves, caixotaria, tábuas, acabamentos internos e externos e remos; no Paraná é valorizada para laminados, havendo indicação, em serrarias de Antonina, da possibilidade de laminação a partir da tora crua. Fornece lenha de boa qualidade e é apropriada para celulose e papel. Sua seiva, o chamado "vinho de guaricica", é consumida in natura por moradores da planície litorânea e da Serra do Mar paranaense. A forragem contém de 9% a 10% de proteína bruta e 3,5% de tanino, e suas flores são melíferas. Como ornamental, de flores amarelas vistosas, é empregada na arborização urbana de Curitiba e indicada para parques.

Aspectos ecológicos

Trata-se de espécie secundária inicial, muito comum na vegetação secundária, onde forma agrupamentos densos e domina as fases de capoeira e capoeirão; também pode aparecer na floresta primária alterada. Sua longevidade média ronda os 30 anos, mas a partir dos 20 anos (DAP de 80 cm) já pode começar a morrer; a contagem de anéis de crescimento confirmou indivíduos com 30 anos e DAP de 100 cm. É característica da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), nas formações de terras baixas e submontana, onde ocupa os estratos superior e intermediário de forma abundante e frequente. Em São Paulo, também é encontrada na Floresta Estacional Semidecidual, embora ali seja rara.

Floração e frutificação

A floração ocorre de novembro a março no Rio de Janeiro e no Paraná, de janeiro a março em São Paulo e de fevereiro a abril em Minas Gerais. Os frutos amadurecem de novembro a dezembro no Paraná, de março a julho no Rio de Janeiro e em agosto em São Paulo, com frutificação anual abundante.

Fauna associada

A planta é hermafrodita e tem polinização realizada sobretudo por abelhas, com destaque para a mandaçaia (Melipona quadrifasciata) e a mamangava (Bombus morio), além de borboletas e outros insetos. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica, feita pelo vento.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos ainda fechados, pois, ao amadurecer, abrem-se e liberam as sementes ao vento; a abertura deve ser feita em local ventilado. As sementes são extraídas manualmente, batendo-se os frutos, e recomenda-se remover a asa antes da semeadura. Cada quilo reúne de 11.500 a 23.500 sementes. A dormência tegumentar é leve e pode ser superada com imersão em água à temperatura ambiente por 24 horas. Em condições não controladas, a semente perde a viabilidade após cerca de 6 meses.

Produção de mudas

Indica-se semear duas sementes por recipiente, em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio, fazendo a repicagem, quando necessária, de 4 a 6 semanas após a germinação. A germinação é epígea e inicia entre 20 e 50 dias após a semeadura, com poder germinativo baixo e irregular (22% a 50%); o tempo mínimo de permanência em viveiro é de 6 meses. As mudas desenvolvem uma raiz pivotante longa e espessa, da qual partem poucas raízes laterais, curtas e finas. No viveiro da Embrapa Florestas, em terra de subsolo, observaram-se plântulas heterogêneas, atraso no crescimento e mortalidade considerável, atribuídos a condições de viveiro e às características das raízes. Recomenda-se investigar a presença de fungos micorrízicos arbusculares nas raízes da espécie.

Características silviculturais

Espécie heliófila e sensível ao frio, apresenta crescimento monopodial com ramificação leve até a fase juvenil. A desrama natural é satisfatória em maciço, porém insatisfatória em espaçamentos largos, sendo aconselhável a poda. Por suas exigências ecológicas, o plantio puro a pleno sol é o método mais indicado; serve ainda como tutora de espécies secundárias e clímax e rebrota da touça após o corte.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre o desempenho da guaricica em plantios experimentais. Em Foz do Iguaçu (PR) houve mortalidade total, e em Dona Ema (SC) a baixa sobrevivência foi atribuída aos danos da geada de 1991, quando a temperatura mínima atingiu -5 ºC na relva. Em regeneração natural, contudo, a espécie cresce rapidamente em altura e em diâmetro.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.200 mm, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, a 2.200 mm em São Paulo, com chuvas bem distribuídas no litoral do Paraná, de São Paulo e de parte do Rio de Janeiro, e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica é nula no litoral do Paraná, de São Paulo, em parte do litoral fluminense, na Serra da Cantareira (SP) e na Serra dos Órgãos (RJ), e de pequena a moderada no inverno do leste paulista. A temperatura média anual fica entre 17,2 ºC (Nova Friburgo, RJ) e 22,6 ºC (Parati, RJ); a do mês mais frio, entre 13,7 ºC (Teresópolis, RJ) e 19,1 ºC (Parati, RJ); e a do mês mais quente, entre 21,3 ºC (Nova Friburgo, RJ) e 25,5 ºC (Parati, RJ). A mínima absoluta registrada foi de -1,4 ºC (Teresópolis, RJ), com no máximo cinco geadas por ano, predominando ausência de geadas ou pouca incidência. Os tipos climáticos de Köppen são o tropical (Af), o subtropical úmido (Cfa) e o subtropical de altitude (Cwa e Cwb).

Solos

Ocorre sobretudo em Cambissolos de encosta e, com menor frequência, em solos aluviais da planície quaternária. São solos úmidos, mas bem drenados, com textura que vai de arenosa a franca.