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Foto de Guapuruvu

Foto: mauro halpern (CC BY 2.0) via flickr

Guapuruvu

Schizolobium parahybae

Caesalpinioideae Mata Atlântica
  • 10 a 25 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: bacurubu, bacuruvu, garapuvu, ficheira, fava-divina, pau-de-canoa, guaperuvu, bandarra, paricá, pau-de-vintém, pinho-branco, espanador-do-céu

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Caesalpinioideae (Leguminosae), a espécie tem como nome científico aceito Schizolobium parahybae (Vellozo) S. F. Blake. Ao longo do tempo recebeu outras designações botânicas hoje tidas como sinônimos, entre elas Cassia parahyba Vellozo, Schizolobium excelsum Vogel e Schizolobium parahybum Blake. O nome do gênero, Schizolobium, faz alusão ao fruto duro em forma de legume, enquanto o epíteto parahybae homenageia o Rio Paraíba, onde Vellozo registrou a planta pela primeira vez.

Descrição botânica

Árvore semicaducifólia que normalmente alcança de 10 a 25 m de altura e tronco de 30 a 60 cm de diâmetro (DAP), embora exemplares adultos possam ultrapassar 40 m e 120 cm de DAP. O tronco é cilíndrico, marcado pelas cicatrizes deixadas pela queda das folhas, eventualmente com sapopemas, e o fuste chega a 15 m. A copa é bastante larga e tem formato de guarda-chuva (umbeliforme), resultado da ramificação cimosa. A casca, de até 5 mm de espessura, é praticamente lisa, verde nos exemplares jovens e acinzentada nos adultos, ornamentada por marcas transversais ovaladas em relevo e por lenticelas; internamente é esbranquiçada e fibrosa. As folhas são alternas, bipinadas, compostas, podendo medir até 1 m, com até 22 pares de pinas e pecíolo de até 15 cm. As flores são grandes e chamativas, de pétalas amarelo-vivas, agrupadas em racemos terminais de até 30 cm. O fruto é uma criptosâmara achatada, obovado-oblonga, séssil, de consistência coriácea a sublenhosa, esverdeado quando imaturo e bege a marrom ao amadurecer, medindo de 8,5 a 16 cm de comprimento por 3 a 6 cm de largura; ao se abrir, libera a semente envolvida por uma asa membranosa formada pelo meso-endocarpo, contendo em geral uma semente, às vezes duas. A semente é lisa, brilhante, oblonga e achatada, de tegumento duro, com 2 a 3 cm de comprimento e 1,5 a 2 cm de largura, lembrando uma ficha — daí o nome popular ficheira usado em algumas regiões.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícola
Produtos e utilizações

A madeira do guapuruvu é leve, com massa específica aparente de 0,32 a 0,40 g/cm³ a 12% de umidade e massa específica básica de 0,27 g/cm³. Tem alburno branco-palha, não diferenciado do cerne, com manchas amareladas e rosadas; a superfície é lisa, sedosa e irregularmente lustrosa, de textura média a grossa e grã irregular a reversa, sem cheiro ou sabor perceptíveis. É pouco resistente a organismos xilófagos, mas absorve bem soluções preservantes sob pressão e seca com facilidade, podendo endurecer na superfície em condições severas. É fácil de cortar e beneficiar, embora dificulte a fixação de pregos e parafusos. Entre os empregos estão miolo de compensados, portas, brinquedos, saltos de calçados, embalagens leves, aeromodelismo, palitos de fósforo, lápis, forros, tabuados, canoas de um só tronco e peças internas; chapas e laminados também servem para móveis, fôrmas de concreto e caixotaria. Produz lenha de baixa qualidade (poder calorífico de 4.544 Kcal/kg) e não é indicada para carvão. É considerada excelente para polpa e papel de fibra curta, com fibras de 1,10 a 1,59 mm, embora exija mistura com fibras mais longas para papelão. Das sementes extrai-se uma goma endospérmica rica em galactomananas; a casca contém tanino usado em curtumes; a forragem tem de 17% a 24% de proteína bruta e de 5% a 9% de tanino.

Aspectos ecológicos

É uma espécie pioneira a secundária inicial. Além de aparecer na floresta primária, é frequente na vegetação secundária, onde domina capoeiras altas e matas secundárias, podendo formar agrupamentos densos em grandes clareiras; já na floresta alta e densa é rara, e não se destaca pela longevidade. É característica da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), sobretudo na planície aluvial e no início das encostas, ocupando o dossel superior; em São Paulo ocorre de forma espontânea e subespontânea na Floresta Estacional Semidecidual. Levantamento fitossociológico nesse estado registrou 45 árvores por hectare.

Floração e frutificação

A floração ocorre de julho a novembro em São Paulo, de agosto a novembro no Rio de Janeiro, de setembro a outubro em Minas Gerais, de setembro a dezembro no Paraná e de outubro a dezembro em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem de março a agosto no Paraná, de abril a agosto em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, de abril a outubro em São Paulo e de julho a agosto em Minas Gerais. Em plantios, a floração e a frutificação começam entre 6 e 8 anos de idade.

Fauna associada

Planta hermafrodita, é polinizada principalmente por abelhas de pequeno porte, como Apis mellifera (abelha-europeia ou africanizada), Friesella schrottkyi (mirim-preguiça), Plebeia remota, Paratrigona subnuda (jataí-da-terra), Tetragonisca angustula (jataí) e Trigona spinipes (irapuá), além das mamangabas Bombus morio e Bombus atratus. A dispersão dos frutos e sementes é anemocórica (pelo vento) e autocórica, principalmente barocórica (por gravidade). Seus galhos são preferidos pelo joão-de-barro (Furnarius rufus) para a construção de ninhos.

Plantio e silvicultura
Sementes

As sementes devem ser colhidas antes da abertura dos frutos, quando os pedúnculos já estão secos, e a extração é feita manualmente; a produção varia de ano para ano e conforme a exposição da copa. Cada quilo reúne de 500 a 673 sementes. Como o tegumento é duro, há dormência a ser superada, com várias opções: imersão em água a 65ºC mantendo as sementes por 18 horas na mesma água fora do fogo; imersão de 4 a 10 minutos em água fervente seguida de 72 horas de repouso na água; escarificação manual com material abrasivo no lado oposto ao hilo; escarificação mecânica; ou imersão por 5 minutos em ácido sulfúrico concentrado. Um método prático é deixá-las 2 minutos em água fervente e depois 12 horas na mesma água. Para escala industrial recomenda-se a escarificação mecânica. As sementes têm comportamento ortodoxo: com germinação inicial de 90%, mantêm a viabilidade por até 22 anos em câmara fria (3ºC a 5ºC e 92% de UR). Em laboratório, a areia é o melhor substrato, a 25ºC ou 30ºC.

Produção de mudas

Recomenda-se semear uma semente por recipiente a 2 cm de profundidade, em laminado de 18 cm de altura por 7 cm de diâmetro, saco de polietileno de 20 cm por 7 cm ou tubete grande de polipropileno; a semeadura direta no campo pode ser testada. Quando necessária, a repicagem se faz de 1 a 3 semanas após a germinação ou quando as plântulas atingem de 4 a 7 cm. A germinação é epígea, começa entre 5 e 35 dias e é alta, com média de 80% (sem o tratamento de dormência, pode demorar até 1 ano). O período em viveiro é de 3 a 4 meses, mas a partir de 2 meses já se obtêm mudas aptas ao plantio definitivo. Convém adicionar adubos orgânicos decompostos ao substrato; mudas de maior diâmetro de colo surgem sem sombreamento, e o melhor desenvolvimento ocorre com insolação direta apenas pela manhã. As raízes não formam associação com Rhizobium nem com fungos micorrízicos arbusculares. A espécie também se multiplica com facilidade por estacas de ramos finos.

Características silviculturais

Espécie essencialmente heliófila, não tolera baixas temperaturas, embora seja medianamente resistente ao frio em microclimas favoráveis. Tem crescimento monopodial, fuste reto, ramificação apenas no topo e desrama natural intensa quando jovem; a poda de condução só é necessária em plantas atingidas por geadas. Pode ser plantada a pleno sol, em povoamentos puros ou mistos, sobretudo para tutorar espécies secundárias a clímax. Por crescer rápido e ter copa ampla, indica-se espaçamento mínimo de 16 m² por planta ou densidade inicial de no máximo 300 árvores por hectare. Rebrota após o corte, tanto da base quanto em qualquer altura do tronco, especialmente após geadas. É recomendada para sistema silviagrícola, associada a culturas perenes como a bananeira ou de ciclo curto como a mandioca, com rotação provável de corte entre 10 e 15 anos no Sul do país, e também para proteger cafezais contra geadas no norte do Paraná. Não é adequada para sombrear cacaueiros, pois cresce e se eleva rápido demais.

Crescimento e produção

Em condições adequadas de ambiente e cultivo, o guapuruvu está entre as espécies de crescimento mais rápido das regiões Sul e Sudeste, mantendo forma retilínea. A produtividade volumétrica máxima registrada foi de 45 m³/ha/ano aos 10 anos. Na Argentina, uma parcela experimental plantada em espaçamento 2 x 2 m apresentou, após 10 anos, altura média de 21 m, DAP médio de 20,4 cm e 90% de sobrevivência. Estima-se rotação a partir de 5 anos para produção de pasta de papel, e aos 20 anos, em espaçamento 5 x 5 m, a árvore pode chegar a 30 m de altura e 80 cm de DAP.

Clima

A precipitação média anual nas áreas de ocorrência vai de 1.100 mm no Rio de Janeiro a 2.400 mm em São Paulo, com chuvas bem distribuídas no Sul e em parte do litoral do Sudeste e concentradas no verão no interior do Sudeste e na Bahia. A deficiência hídrica é nula nos litorais de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e parte do Rio de Janeiro; de pequena a moderada no inverno no Planalto Central e no leste de São Paulo; e moderada no inverno no leste de Minas Gerais, no Vale do Paraíba, no Rio de Janeiro, no nordeste do Espírito Santo e na faixa costeira interior da Bahia, com estação seca de até 4 meses. A temperatura média anual fica entre 18,8ºC (Araranguá, SC) e 24,3ºC (Ilhéus, BA), com mínima absoluta de -3,4ºC (Indaial, SC). Geadas são em média de 0 a 2 por ano, com máximo de 5, mas predominam regiões sem geada ou com geadas pouco frequentes. Pelo sistema de Köppen, abrange os tipos tropical (Af e Aw), subtropical de altitude (Cwb e Cwa) e subtropical úmido (Cfa) do litoral de Santa Catarina ao nordeste gaúcho.

Solos

A espécie é pouco exigente quanto à fertilidade química do solo, pois ocorre naturalmente em todo o Vale do Paraíba, onde as terras são pobres em nutrientes em razão da exaustão provocada por cultivos antigos. Em plantios, porém, desenvolve-se melhor em solos férteis, profundos, úmidos, bem drenados e de textura franca a argilosa. Solos rasos, pobres, arenosos ou muito secos não são apropriados.