voltar ao catálogo
Foto de Guamirim-chorão

Foto: (c) Enrique Salazar, some rights reserved (CC BY), uploaded by Enrique Salazar (cc-by) via iNaturalist

Guamirim-chorão

Myrcia rostrata

Myrtaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 10,5 mAltura
  • Médio portePorte
MadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: folha-miúda-branca, cambuí, carvãozinho, folha-miúda, guamirim, guamirim-de-folha-miúda, jambo-do-mato, murta, guamirim-de-folha-fina, guamirim-de-folhas-finas, pau-tinta, anavinga, lanceira

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertence à família Myrtaceae, ordem Myrtales, dentro do clado das rosídeas entre as angiospermas, segundo a classificação do The Angiosperm Phylogeny Group (APG II). A espécie foi descrita como Myrcia rostrata DC., com publicação em Prodr. 3:255, de 1828. Entre os sinônimos botânicos mais citados na literatura estão Myrcia catharinensis O. Berg e Myrcia gracilis var. opaca O. Berg, embora a espécie possua sinonímia bastante extensa. O nome do gênero, Myrcia, deriva de Myrtus (do grego myrtos), designação clássica e antiga atribuída ao mirto, planta da mesma família. Já o epíteto rostrata faz referência ao ápice em forma de bico das folhas, do latim rostrum, que significa "bico".

Descrição botânica

Apresenta-se como arbusto, arvoreta ou árvore semidecídua. Os exemplares de maior porte alcançam cerca de 10,5 m de altura e 25 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo) na fase adulta. O tronco é um tanto tortuoso, com fuste em geral curto, de até 5 m de comprimento, e ramificação simpodial que forma uma copa rala e irregular. A casca chega a 20 mm de espessura: externamente (ritidoma) é cinza, levemente rugosa e com fissuras longitudinais, enquanto a casca interna tem coloração avermelhada. As folhas jovens variam do vermelho-vinoso ao verde e exibem leve pilosidade nas duas faces, com 3,0 cm a 6,5 cm de comprimento por 0,6 cm a 1,6 cm de largura; tornam-se glabras em ambas as faces, cartáceas, verde-escuras na face adaxial e verde-claras na abaxial, de formato elíptico-lanceolado, base aguda e ápice rostrado. Possuem pequenas bolsas secretoras impressas na face abaxial, nervura central canaliculada na face superior e proeminente na inferior, de 18 a 20 pares de nervuras secundárias levemente salientes e reticuladas na face abaxial, e nervura marginal simples a 1 mm da borda; o pecíolo mede de 2 mm a 6 mm de comprimento por 0,4 cm a 1,5 cm de largura. As inflorescências são panículas axilares com poucas flores, maiores ou menores que a folha, medindo de 1,5 cm a 4 cm de comprimento, e as flores têm tonalidade esbranquiçada. O fruto é uma baga globosa a elipsoide, glabra, com sépalas persistentes, de 5 mm a 8 mm de comprimento, abrigando 1 a 2 sementes; quando maduro fica vermelho e tem polpa carnosa. As sementes têm testa membranácea e embrião com radícula reta.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícolaenergético
Produtos e utilizações

Como espécie melífera, fornece néctar e pólen, sendo valorizada na apicultura. A madeira é densa, com massa específica aparente de 0,87 g/cm³ a 12% de umidade, cerne vermelho, textura média e grã direita; é pouco resistente e de baixa durabilidade natural. Apesar disso, presta-se a construções rurais e à fabricação de embalagens, e gera lenha e carvão de boa qualidade. Não serve, contudo, para a produção de celulose e papel. Em sua casca e lenho foram identificados saponinas, taninos, antra-derivados, esteroides e triterpenoides.

Aspectos ecológicos

Classifica-se como espécie pioneira a secundária inicial, ou ainda clímax exigente de luz. Sua dispersão é ampla, porém irregular e descontínua dentro de sua área de ocorrência, e costuma surgir em pequenas clareiras de menos de 60 m². No bioma Mata Atlântica, é encontrada em contatos de transição entre a Floresta Estacional Semidecidual e a Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária), na Floresta Estacional Decidual, na Floresta Estacional Semidecidual (com até 88 indivíduos por hectare), na Floresta Ombrófila Densa (com até 30 indivíduos jovens por hectare), na Floresta Ombrófila Mista (com até 175 indivíduos por hectare com DAP acima de 6,4 cm) e na vegetação de restinga, em São Paulo. No Cerrado, ocorre tanto no cerrado stricto sensu quanto no cerradão. É também comum em ambientes fluviais ou ripários, campos de murundu, campos pedregosos, campos rupestres e florestas de brejo.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: de janeiro a setembro no Ceará, de setembro a dezembro em São Paulo, de outubro a dezembro em Minas Gerais e de novembro a dezembro no Paraná. Os frutos amadurecem de dezembro a janeiro em Minas Gerais, de dezembro a fevereiro em São Paulo e de janeiro a fevereiro no Paraná.

Fauna associada

Trata-se de espécie monoica. A polinização é feita sobretudo por abelhas, por diversos insetos pequenos e por moscas-das-flores (sirfídeos, da família Syrphidae). A dispersão dos frutos e sementes é essencialmente zoocórica, com destaque para as aves. Em Lavras (MG), registrou-se o consumo dos frutos por inúmeras espécies, como guaracava-de-barriga-amarela (Elaenia flavogaster), maria-cavaleira-de-crista-curta (Myiarchus ferox), bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), siriri (Tyrannus melancholicus), sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), tiê-preto (Tachyphonus coronatus), sanhaço (Thraupis sayaca), saí-azul (Dacnis cayana) e tico-tico (Zonotrichia capensis), entre muitas outras. Entre os mamíferos, destaca-se o macaco-bugio ou guariba (Alouatta guariba).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começarem a cair de forma espontânea. Em seguida, são acondicionados em sacos plásticos até iniciarem a decomposição, o que facilita a separação das sementes por meio de lavagem em água corrente. Cada quilo reúne cerca de 4 mil sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento recalcitrante e perdem a viabilidade rapidamente, de modo que o armazenamento não é recomendado, já que não há métodos eficazes conhecidos.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita em sementeiras ou diretamente em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou ainda em tubetes de polipropileno de tamanho médio. Quando necessária, a repicagem deve acontecer de 4 a 6 semanas após a germinação ou quando a plântula atingir de 4 cm a 6 cm de altura. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 25 e 35 dias após a semeadura, em geral com taxa superior a 50%. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 6 meses depois da semeadura.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila que tolera o frio. Em plantio, apresenta crescimento monopodial com ramificação leve e desrama natural quando cultivada em espaçamentos reduzidos. Recomenda-se o plantio misto para essa espécie.

Crescimento e produção

Há poucos dados disponíveis sobre o crescimento da espécie. Ainda assim, o desenvolvimento em campo é considerado rápido, podendo alcançar com facilidade 2 m de altura aos 2 anos de idade.

Clima

A precipitação média anual varia de 760 mm, no Ceará, a 2.400 mm, no Maranhão, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano na Região Sul (exceto no norte do Paraná) e regime periódico nas demais regiões. A deficiência hídrica é nula no Sul (salvo o norte do Paraná), de pequena a moderada no inverno no Distrito Federal e sul de Goiás, e de moderada a forte no Ceará, no norte do Maranhão e no oeste da Bahia. A temperatura média anual oscila entre 13,4 ºC (Campos do Jordão, SP) e 26,1 ºC (São Luís, MA); a média do mês mais frio vai de 8,2 ºC a 25,7 ºC e a do mês mais quente, de 20,7 ºC (Rio Negro, PR) a 27 ºC (São Luís, MA), com mínima absoluta de -7,7 ºC em Campos do Jordão. O número de geadas por ano fica entre 0 e 30 em média, podendo chegar a 81 na Região Sul e em Campos do Jordão. Segundo a classificação de Köppen, a espécie ocorre nos tipos Af, Am, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb, abrangendo desde climas tropicais úmidos do litoral até subtropicais e temperados de altitude.

Solos

Desenvolve-se naturalmente em diversos tipos de solo.