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Foto de Guajuvira

Foto: (c) Florencia Grattarola, some rights reserved (CC BY), uploaded by Florencia Grattarola (cc-by) via iNaturalist

Guajuvira

Patagonula americana

Boraginaceae Mata Atlântica
  • 10 a 15 m (até 30 m)Altura
  • Médio portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: apé-branco, guajubira, guaraiúva, pau-d'arco, goarapovira, guaiabi, guaiabi-branco, guaiabira, guaiaibira, guaibi, guaijibira, guaiuíra, guaiuvira, guaiuvira-branca, guajibira, guajivira, guajubira-branca, guajuvira-branca, guajuvira-preta, guarajuva, guarapovira, guarapuvira, guatuvira

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Cronquist, a guajuvira pertence à divisão Magnoliophyta (Angiospermae), classe Magnoliopsida (Dicotiledonae), ordem Lamiales e família Boraginaceae. A espécie foi descrita por Linnaeus em 1753 como Patagonula americana. Já recebeu, ao longo do tempo, os sinônimos Cordia patagonula Alt. e Patagonula australis Salisb. Quanto ao nome, o termo Patagonula faz referência à Patagônia, região árida do extremo sul da Argentina que Linnaeus apontou, de forma equivocada, como origem da planta; o epíteto americana indica a procedência geográfica do exemplar-tipo.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore semicaducifólia que, em geral, mede de 10 a 15 m de altura e apresenta DAP de 20 a 40 cm, podendo atingir 30 m de altura e 100 cm de DAP quando adulta. O tronco costuma ser tortuoso e irregular, com reentrâncias e caneluras na base e quinas que sobem até cerca de 1,5 m; é só raramente cilíndrico. O fuste tende a ser curto em exemplares isolados, mas pode chegar a 10 m dentro da floresta, sendo comum a presença de brotações ao longo do tronco. A copa é estreita, alongada, ascendente e densamente ramificada, com aspecto bastante característico, e a ramificação é racemosa. A casca alcança até 8 mm de espessura: a externa é geralmente acinzentada, com leves fissuras longitudinais e placas retangulares que se desprendem, enquanto a interna é branca a amarelada e fibrosa. As folhas são simples, alternas, oblongo-elípticas, subcoriáceas, discolores, com bordas levemente serreadas da metade ao ápice, agrupadas nos ramos, medindo de 3 a 10 cm de comprimento por 1 a 3 cm de largura. As flores, brancas ou beges e perfumadas, têm cerca de 5 mm e formam panículas terminais. O fruto é uma drupa subglobosa de 4 a 6 mm, com ápice agudo, que conserva o cálice persistente em forma de hélice e as pétalas, estrutura que favorece a dispersão pelo vento. A semente é globosa, marrom-escura, com até 3 mm de diâmetro e 5 mm de comprimento, terminada em ponta no ápice.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalapícolaenergético
Produtos e utilizações

A madeira é densa (0,75 a 0,90 g/cm³ a 15% de umidade; massa específica básica de 0,64 g/cm³). O alburno é abundante e de tom amarelado a ocráceo, enquanto o cerne varia de pardo-escuro-castanho a preto, por vezes com reflexos rosados e veios pretos que formam belos desenhos. A superfície é lustrosa e lisa, de textura média e uniforme, grã direita a irregular, sem cheiro nem gosto perceptíveis, com aparência atrativa nos cortes longitudinais. O cerne é durável a céu aberto e bastante resistente ao apodrecimento em contato com o solo, ainda que o alburno se deteriore. A madeira é dura, o que dificulta um pouco o trabalho manual e mecânico e pode levantar fibras após o aplainamento, mas recebe muito bem verniz, lembrando as qualidades do carvalho-europeu e da nogueira-americana. Por ter boa elasticidade e flexibilidade, presta-se a peças curvadas. É empregada na construção civil (vigas, caibros, ripas, batentes, tacos e tábuas de assoalho), em obras externas (postes, mourões, estacas, dormentes e cruzetas), em cabos de ferramentas, peças torneadas, carrocerias, fôrmas para calçados, móveis de luxo e folhas faqueadas decorativas. Fornece lenha de boa qualidade, de fácil combustão e queima prolongada, e serve à produção de celulose e papel (fibras de 1,14 mm; lignina com cinza de 32,99%). Quanto à composição química, registram-se taninos nas folhas, quinonas no lenho do tronco, aldeído cinâmico e cumarina na casca e no lenho, além de forte presença de substâncias tanantes na casca e no lenho. Na medicina popular, decoctos das folhas têm ação emoliente, o chá da casca é usado contra problemas do fígado, diarreias, tumores intestinais e colesterol e como fortificante dos nervos, e o cataplasma de folhas é aplicado como antibiótico natural sobre feridas. Os indígenas caingangues aproveitam o cerne flexível para fazer arcos de caça, e os galhos servem a cabos de ferramentas e à confecção de cangas para carros de boi.

Aspectos ecológicos

Espécie secundária inicial a secundária tardia, de vida longa, a guajuvira coloniza com facilidade capoeiras e áreas de roça, chegando a se espalhar de forma muito abundante no Sul do Brasil e formando agrupamentos quase puros, com crescimento relativamente rápido. Suporta inundações periódicas de curta duração e, graças ao seu amplo sistema radicial, é indicada para a proteção das margens de rios e para a recuperação ambiental. Em plantios, costuma ser muito atacada pela erva-de-passarinho (sobretudo Phoradendron linearifolium) e, em ensaios no Paraná, sofreu danos severos do serrador Oncideres dejeani e de Oncideres sp., que prejudicaram o crescimento em altura das plantas.

Floração e frutificação

A floração varia conforme a região: ocorre de julho a outubro em São Paulo, de setembro a outubro em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul e de outubro a novembro no Paraná. Os frutos amadurecem de outubro a dezembro no Rio Grande do Sul, de novembro a fevereiro no Paraná, de novembro a dezembro em Santa Catarina e de dezembro a janeiro em São Paulo. Em plantio, a planta começa a se reproduzir por volta dos 5 anos de idade.

Fauna associada

Planta hermafrodita, tem como principais polinizadores as abelhas e diversos insetos de pequeno porte; suas flores são melíferas. A dispersão dos frutos é sobretudo anemocórica, favorecida pelo cálice persistente em forma de hélice que funciona como uma vela ao vento, e também autocórica, principalmente barocórica, pela ação da gravidade.

Plantio e silvicultura
Sementes

Recomenda-se colher os frutos com umidade acima de 40%, ponto em que ocorre quase total deiscência, e quando a coloração passa de amarelada para marrom-claro; as membranas que envolvem a semente devem ser retiradas à mão ou por maceração. Cada quilo contém de 22.000 a 43.934 sementes, que não apresentam dormência. A guajuvira tem sementes de vida curta: duram cerca de 30 dias e, mantidas em ambiente não controlado, perdem 92,6% da capacidade germinativa inicial já aos 60 dias. Em câmara seca, à temperatura ambiente e com umidade relativa de 50%, sementes que partiam de 83% de germinação ainda apresentaram 45% aos 19 meses, guardadas em saco de papel kraft. Há autores que classificam seu comportamento de armazenamento como indeterminado.

Produção de mudas

A semeadura é feita em sementeiras, com posterior repicagem das plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio; a repicagem deve acontecer de 2 a 3 semanas após a germinação, quando surgem as primeiras folhas definitivas. Mudas em raiz nua também pegam bem no campo. A germinação é epígea, começa entre 12 e 78 dias após a semeadura e tem poder germinativo médio de 80%, podendo chegar a 100%. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 4 meses depois da semeadura. A propagação vegetativa é possível por estaca de galho e por estacas altas do tipo mourão, que brotam e enraízam bem.

Características silviculturais

Espécie semi-heliófila, a guajuvira tolera sombreamento de baixa a média intensidade quando jovem e resiste ao frio, suportando, na fase adulta, temperaturas mínimas de até -11 ºC. Seu hábito é bastante variável, indo de copas irregulares e muito ramificadas, sem fuste definido, a formas razoáveis; como a desrama natural é deficiente, exige podas de formação e de galhos, sem as quais o aproveitamento da madeira fica comprometido. Pode ser implantada em plantio misto, associada a espécies que ofereçam sombreamento lateral e estimulem a gema apical, melhorando a forma, ou em linhas estreitas, em faixas abertas de 1 a 2 m na vegetação secundária, com liberações graduais. Rebrota da touça após o corte. Na Região Sul, é comum encontrá-la isolada em pastagens antigas, provavelmente preservada para dar sombra ao gado, e seu pegamento por estacas altas é excelente.

Crescimento e produção

O crescimento é lento a moderado. Em Foz do Iguaçu (PR), a espécie registrou incremento médio anual de 7,60 m³/ha com casca aos 11 anos. Todo o material genético testado nos experimentos da Embrapa Florestas provém de Dois Vizinhos (PR).

Clima

A precipitação anual nas áreas de ocorrência vai de 1.000 mm em São Paulo a 2.300 mm em Santa Catarina (a partir de 800 mm na Argentina). Na Região Sul as chuvas são bem distribuídas ao longo do ano, enquanto no Sudeste concentram-se no verão, com inverno seco. A deficiência hídrica é nula no Sul, pequena no Planalto Norte do Paraná e na serra do extremo sul de Mato Grosso do Sul, e moderada no centro e leste paulista (estação seca de até 3 meses); no norte da Argentina, o período seco chega a 9 meses. A temperatura média anual fica entre 16,7 ºC (Xanxerê, SC) e 21 ºC (Campo Mourão, PR), com mínima absoluta de -11,6 ºC em Xanxerê. As geadas variam de 0 a 11 por ano, com máximo absoluto de 34 na Região Sul. Os tipos climáticos de Köppen abrangem o temperado úmido (Cfb), o subtropical úmido (Cfa) e o subtropical de altitude (Cwa e Cwb).

Solos

Na natureza, a guajuvira aparece em solos secos e profundos, mas também em solos rasos. Em plantios experimentais, desenvolve-se melhor em solos quimicamente férteis, com boas propriedades físicas, bem drenados e de textura areno-argilosa a argilosa. Solos hidromórficos devem ser evitados.