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Guaiapá

Dasyphyllum tomentosum

Asteraceae Mata Atlântica
  • até 15 mAltura
  • Médio portePorte
MadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: açucará, agulheiro, cambará-de-espinho, espinheiro, espinho-de-agulha, espinho-de-judeu, goiapá, lava-mão, sucará, açucará-piloso, lavra-mão, catarina

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de classificação APG III, a espécie pertence à ordem Asterales e à família Asteraceae (chamada de Compositae no sistema de Cronquist), dentro do clado das Euasterídeas II. O binômio aceito é Dasyphyllum tomentosum (Spreng.) Cabrera, publicado em 1959. Entre os sinônimos botânicos figuram Flotovia tomentosa Sprengel, Chuquiraga paniculata D. Don, Flotovia paniculata (Don.) DC e Chuquiraga tomentosa (Spreng.) Baker. O nome do gênero une as palavras gregas dasys (peludo) e phyllon (folha), referência às folhas sedosas e ásperas em ambas as faces; já o epíteto tomentosum vem do latim tomentosus (peludo), aludindo às brácteas do involucro, densamente cobertas de pelos sedosos.

Descrição botânica

Árvore perenifólia (sempre-verde) que, em seus exemplares maiores, chega a cerca de 15 m de altura e 40 cm de diâmetro à altura do peito na fase adulta. O tronco é cilíndrico, reto ou um pouco tortuoso, inclinado, de base normal e fuste geralmente curto. A ramificação é simpódica e a copa é alta, densa em folhagem e de contorno irregular; os ramos jovens são tomentosos e podem apresentar espinhos axilares geminados ou nenhum espinho. A casca atinge até 1 cm de espessura: a externa (ritidoma) é rugosa, pardacenta, com fissuras profundas e sinuosas que se separam em escamas grossas e longas, exibindo feixes de espinhos retos e robustos; a interna tem cor marfim com estrias mais escuras, textura arenosa e estrutura compacta e heterogênea. As folhas são simples, alternas, subcoriáceas, glabras, de formato elíptico a elíptico-lanceolado, com ápice agudo, base atenuada e três nervuras, medindo de 8 a 15 cm de comprimento por 2,5 a 6 cm de largura, margem inteira e pecíolo de 8 a 15 mm. As flores reúnem-se em capítulos numerosos, agrupados em panículas densas e axilares; podem ser hermafroditas ou femininas (quando o androceu não se desenvolve), com corola branca ou amarelada, profundamente dividida em cinco partes, uma delas separada das demais e todas com pelos no ápice. O fruto é um aquênio densamente aveludado, e as sementes, pequenas, têm aspecto de pincel.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticoapícolapaisagismorecuperação de áreas
Produtos e utilizações

A madeira presta-se a mourões de cerca, na forma serrada ou roliça, e à produção de lenha, mas não é adequada para celulose e papel. A espécie tem ótimo potencial melífero, fornecendo néctar e pólen às abelhas. Por suas qualidades ornamentais, é indicada para o paisagismo, e também é recomendada para recuperar terrenos erodidos e degradados. A madeira é moderadamente densa, com massa específica aparente de 0,81 g/cm³ a 15% de umidade; o alburno não se distingue do cerne, sendo bege e macio, de grã grosseira e textura fibrosa.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie pioneira a secundária inicial, de dispersão ampla e marcante. É comum nas submatas dos pinhais, no interior e nas bordas dos capões, e mais raramente na vegetação secundária. No bioma Mata Atlântica, aparece na Floresta Estacional Semidecidual (formação Submontana) do Paraná e na Floresta Ombrófila Mista, com araucária (formação Montana), no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde ocorre na densidade de cerca de um indivíduo por hectare. Também é registrada em mosaico de Floresta Tropical Supermontana no Planalto de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, com até dois indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração acontece de abril a agosto no Paraná e de julho a setembro em Santa Catarina. Os frutos amadurecem entre setembro e outubro, no Paraná.

Fauna associada

A polinização é feita sobretudo por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e das sementes ocorre pelo vento (anemocoria).

Plantio e silvicultura
Sementes

Para colher e beneficiar, os frutos devem ser macerados, o que solta as sementes acondicionadas em feixes parecidos com um pincel. Cada quilo reúne cerca de 2,2 milhões de sementes. Não é preciso tratamento pré-germinativo. A conservação é difícil: a viabilidade em armazenamento não passa de três meses. As sementes são fotoblásticas positivas em laboratório.

Produção de mudas

Como o aproveitamento das cipselas é baixo e elas são pequenas, o ideal é semear em sementeiras e transferir as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, repicando-as de 3 a 5 semanas após a germinação. A germinação é epígea, com plântulas fanerocotiledonares; a emergência começa entre 24 e 60 dias após a semeadura, com poder germinativo baixo (apenas 10% a 20% das sementes são viáveis). As mudas alcançam tamanho adequado para o plantio cerca de seis meses após a semeadura. No viveiro, a espécie suporta sombreamento de intensidade média, já que as plântulas a pleno sol crescem bem mais devagar que as mantidas à sombra.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila, embora no estágio de muda se comporte como umbrófila, e tolera baixas temperaturas. O crescimento é monopodial, com derrama natural satisfatória; em plantios de espaçamento amplo, recomenda-se podar os galhos. Do ponto de vista ecológico, o melhor sistema é o plantio puro a pleno sol, mas a espécie também pode entrar em plantios mistos como tutora de espécies umbrófilas. Em floresta secundária, regenera-se muito bem de forma natural, sendo viável aproveitar mudas dessa regeneração; brota da touça e de outras partes do tronco, de modo irregular.

Crescimento e produção

Há poucos registros sobre o crescimento da espécie em plantios, mas sabe-se que ele é lento.

Clima

A precipitação anual média vai de 1.400 mm, no Paraná, a 2.300 mm, no Rio Grande do Sul, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano e deficiência hídrica nula no Planalto Sul-Brasileiro. A temperatura média anual oscila entre 15,5 °C (Caçador, SC) e 17,4 °C (Porto União, SC); a do mês mais frio fica entre 10,7 °C (Caçador, SC) e 12,3 °C (Rio Negro, PR), e a do mês mais quente entre 19,9 °C (Curitiba, PR) e 21,9 °C (Porto União, SC). A mínima absoluta registrada foi de -10,4 °C, em Caçador, SC. As geadas são frequentes no Planalto Sul-Brasileiro, em média de 0 a 30 por ano, podendo chegar a 57 na região Sul, onde a temperatura mínima absoluta pode atingir -17 °C em alguns pontos. Na classificação de Köppen, ocorre nos tipos Cfa (Planalto de Ibiúna, SP, e Paraná), Cfb (centro-sul do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e Cwb (sul de Minas Gerais).

Solos

Desenvolve-se em solos úmidos ou rochosos, de baixa fertilidade, ricos em alumínio e de textura franco-arenosa. O pH médio gira em torno de 4,87.