Guabiroba-miúda
Campomanesia rhombea
- até 15 mAltura
- Médio portePorte
Também conhecida como: guaviroveira-da-folha-crespa, guabiroba-da-folha-miúda, guabirobeira, guabirobeira-de-folha-miúda, gabiroba, gabirobeira, guabiroba, gabiroba-de-árvore, catarina
Botânica
Seguindo a classificação do The Angiosperm Phylogeny Group (APG III), a espécie pertence à ordem Myrtales e à família Myrtaceae, dentro do gênero Campomanesia (subtribo Myrtinae), no clado das rosídeas. O binômio que a identifica é Campomanesia rhombea O. Berg. A espécie acumula uma sinonímia extensa, registrada nos trabalhos de Legrand e Klein e de Landrum. Os nomes populares variam conforme a região: no Rio Grande do Sul fala-se em guabiroba-da-folha-miúda, guabiroba-miúda, guabirobeira e guabirobeira-de-folha-miúda; em Santa Catarina, gabiroba, gabirobeira, guabiroba e guabirobeira; já em São Paulo, gabiroba-de-árvore. Quanto à origem dos nomes, o gênero Campomanesia homenageia o naturalista espanhol P. Rodrigues de Campomanes, enquanto o epíteto rhombea deriva do grego rhombos (arruda), uma referência à semelhança das folhas com as da arruda (Ruta graveolens).
Árvore de folhagem persistente (perenifólia), os exemplares adultos mais desenvolvidos chegam a cerca de 15 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco costuma ser delgado e tortuoso, com fuste curto que não passa de 3 m. A ramificação é dicotômica e forma uma copa ampla, coberta por folhagem densa de tom verde-escuro; os ramos jovens trazem pelos finos e curtos. A casca atinge até 5 mm de espessura, sendo a camada externa (ritidoma) escura e bastante descamante, traço comum às demais gabirobas (Campomanesia spp.). As folhas são cartáceas e elípticas, opacas, de 1,5 cm a 3,5 cm de comprimento por 0,7 cm a 1,4 cm de largura, com pecíolos acanalados de cerca de 3 mm; quando secas no herbário, exibem coloração castanha. A nervura central é praticamente plana na face superior, e as 4 ou 5 nervuras laterais aparecem como sulcos discretos. Na face inferior das folhas mais velhas, essas nervuras ficam salientes e esbranquiçadas, e as axilas das nervuras costumam apresentar pequenos tufos de pelos. As flores são solitárias, axilares e opostas em direção à base dos ramos, sustentadas por pedúnculos finos de 1 cm a 2,5 cm; os botões medem cerca de 4 mm e trazem duas bractéolas lineares de 2 mm a 4 mm. O fruto é uma baga globosa pequena, amarelada, com várias sementes e por volta de 8 mm de comprimento. As sementes são achatadas e castanhas, com 3 mm a 8 mm de diâmetro.
Uso e ecologia
Os frutos são comestíveis. A madeira é moderadamente densa (massa específica aparente de cerca de 0,76 g/cm³), resistente, compacta e de boa durabilidade natural, com alburno amarelado e cerne marrom-violáceo; ainda assim, não possui valor comercial e tem uso apenas local, servindo também como lenha. A espécie é considerada inadequada para a produção de celulose e papel. No paisagismo, sua copa arredondada e densa e o porte bem formado fazem dela uma boa opção ornamental, indicada para praças, avenidas e sedes de fazenda pela sombra que proporciona. Em plantios ambientais, tolera inundação.
Pertence ao grupo sucessional das secundárias, variando da secundária inicial à secundária tardia. Tem dispersão ampla, porém pouco expressiva, aparecendo sobretudo nas submatas dos pinhais. Dentro do bioma Mata Atlântica, ocorre na Floresta Estacional Decidual (formação Submontana) no Rio Grande do Sul; na Floresta Estacional Semidecidual (formação Submontana) em São Paulo, com até três indivíduos por hectare; e na Floresta Ombrófila Mista, marcada pela araucária (formação Montana), no Paraná e no Rio Grande do Sul. Também é encontrada em ambientes fluviais ou ripários (mata ciliar) no Rio Grande do Sul.
A floração acontece em outubro no Rio Grande do Sul e de outubro a novembro em Santa Catarina. Os frutos amadurecem entre novembro e janeiro no Rio Grande do Sul e de dezembro a fevereiro em Santa Catarina.
Espécie hermafrodita, polinizada principalmente por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão dos frutos e sementes ocorre essencialmente por zoocoria, ou seja, com a participação de animais.
Plantio e silvicultura
Os frutos são recolhidos diretamente do solo, esmagados e lavados em peneira fina para separar a semente da polpa. Em seguida, as sementes secam à sombra por no máximo um dia. Cada quilograma reúne de 13 mil a 28 mil sementes. Não é preciso aplicar tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento recalcitrante, o que limita sua conservação por longos períodos.
A semeadura pode ser feita em sementeira, com cobertura leve, ou colocando-se duas sementes diretamente em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou ainda em tubetes de polipropileno de tamanho médio. Caso seja necessária a repicagem, deve ocorrer quando as mudas atingirem de 3 cm a 5 cm de altura. A germinação é hipógea, com plântulas criptocotiledonares, e a emergência começa entre 30 e 60 dias. O tempo mínimo de permanência em viveiro é de cerca de 6 meses após a semeadura. A espécie também pode ser propagada vegetativamente, por estacas.
Trata-se de uma espécie esciófila, capaz de suportar baixas temperaturas. O hábito é variável: vai de fustes retilíneos com crescimento monopodial a troncos irregulares, levemente tortuosos e com bifurcações a partir de 2 m de altura. Recomenda-se o plantio misto ou em vegetação matricial, sempre sob cobertura. É tradicionalmente empregada no Sistema de Faxinal, no Sul do país, dentro de arranjos agroflorestais (SAFs).
Há poucos registros de crescimento em plantios, mas o que se sabe é que seu desenvolvimento é lento.
A precipitação média anual fica entre 1.400 mm e 2.300 mm no Rio Grande do Sul, com chuvas distribuídas de forma uniforme e sem deficiência hídrica no Planalto Sul-Brasileiro. A temperatura média anual varia de 16,5 °C (Curitiba, PR) a 23,3 °C (Posse, GO); no mês mais frio, de 9,4 °C (São Joaquim, SC) a 21,7 °C (Posse, GO); e no mês mais quente, de 17,2 °C (São Joaquim, SC) a 25,5 °C (Foz do Iguaçu, PR). A mínima absoluta registrada foi de -10,4 °C, em Caçador, SC. As geadas variam de 0 a 30 por ano em média, podendo chegar a 57 no máximo na região Sul; também há ocorrência de neve em parte de sua área de distribuição, como em São Joaquim, SC, onde neva quase todos os anos. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Cfa (subtropical com verão quente) no Rio Grande do Sul, Cfb (temperado com verão ameno) no Paraná e no Rio Grande do Sul, e Cwa (subtropical com inverno seco e verão quente) em São Paulo.
Desenvolve-se em solos férteis e bastante úmidos, chegando a ocupar terrenos brejosos.