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Foto de Guabiroba

Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF

Guabiroba

Campomanesia guaviroba (DC.) Kiaersk.

Myrtaceae Mata AtlânticaCerrado
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
FrutíferasMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: guaviroveira-de-porco, gabiroba-amarela, gabiroba, capoteira, guabiroba-de-árvore, guabiroba-de-porco, guabiroba-graúda, guavirova, guabiroba-grande, guabirobão, gabirovão, guabiroba-preta, guabirobeira, guaviroba

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Myrtaceae, a espécie foi descrita por Kiaerskou em 1893 e tem como sinônimo botânico mais citado Psidium guaviroba DC. O nome do gênero, Campomanesia, homenageia o naturalista espanhol P. Rodrigues de Campomanes. Já o epíteto guaviroba deriva do tupi: a junção de guavi (ou guabi), que remete a fruta para comer, com roba, que quer dizer amarga — algo como fruta amarga. A planta apresenta ainda uma sinonímia extensa registrada na literatura.

Descrição botânica

Árvore perenifólia (sempre-verde), os maiores indivíduos chegam a cerca de 20 m de altura e 50 cm de DAP quando adultos; em regiões mais distantes do litoral, porém, costuma assumir formas que vão de arbustivas a arbóreas. O tronco tende a ser tortuoso, com pequenas caneluras ou achatamentos e fuste em geral curto. A ramificação é dicotômica, esparsa e longa, originando copas amplas e pouco densas, de folhagem verde-clara bem característica; os ramos podem ser glabros ou apresentar leve pilosidade. A casca alcança até 5 mm de espessura, com a porção interna de tom claro a acinzentado e fortemente descamante, como nas demais guabirobeiras. As folhas, verde-claras e de textura papirácea a levemente cartácea, medem de 8 a 12 cm de comprimento por 4 a 5 cm de largura, com formato elíptico, base normalmente obtusa e ápice brevemente acuminado; possuem pontuações glandulares pequenas e escuras. As flores nascem em pedúnculos unifloros, axilares ou agrupados na base dos ramos novos, com os maiores atingindo cerca de 2,5 cm, e seus botões florais são maiores e mais largos que os das outras espécies do gênero. O fruto é uma baga globosa comestível, de 15 a 28 mm de diâmetro, que pode surgir isolada ou aos pares; verde quando imaturo, torna-se amarelo ou alaranjado ao amadurecer, tem sabor agridoce e abriga de 6 a 14 sementes. As sementes são achatadas, de cor castanha, medindo entre 3 e 8 mm de diâmetro.

Uso e ecologia
paisagismorecuperação de áreasalimentícioenergéticomadeireiroapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa, com massa específica aparente de 0,86 g/cm³; o alburno é amarelado e o cerne, marrom-violáceo. Trata-se de uma madeira resistente, compacta e com boa durabilidade natural. Apesar disso, não tem aplicação industrial e seus usos são restritos — serve para tabuado em geral e desdobro —, já que a árvore raramente atinge porte comercial. O tronco fornece lenha de boa qualidade. Os frutos são comestíveis, embora pouco apreciados. A espécie não se presta à produção de celulose e papel. Pela copa arredondada, densa e bem formada, presta-se como árvore ornamental, indicada para o paisagismo de praças e avenidas.

Aspectos ecológicos

Classificada como secundária tardia, ocorre sobretudo em capoeiras e capoeirões, nas submatas dos pinhais do Planalto Meridional, e mais raramente no interior de florestas primárias da encosta atlântica. No bioma Mata Atlântica, está associada à Floresta Estacional Decidual (formação Submontana, na bacia do Alto Uruguai, no RS e em SC), à Floresta Estacional Semidecidual (formações Submontana e Montana, em MG, PR e SP), à Floresta Ombrófila Densa (das Terras Baixas à Alto-Montana, em MG, RJ e SP, podendo alcançar até 66 indivíduos por hectare) e à Floresta Ombrófila Mista com araucária (formação Montana, no PR). Aparece também em matas ciliares da Bahia, de Mato Grosso do Sul, do Paraná, do Rio de Janeiro e de São Paulo, com até três indivíduos por hectare; em levantamentos de florestas ciliares do Brasil extra-amazônico, Rodrigues e Nave a registraram em 8,7% dos trabalhos. Ocorre ainda em áreas alagáveis (Londrina, PR), em ecótono entre savana e Floresta Estacional Semidecidual (SP) e em restingas do Espírito Santo e de São Paulo.

Floração e frutificação

A floração acontece de setembro a novembro no Paraná e de outubro a dezembro em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Os frutos amadurecem em março em Santa Catarina e de março a maio no Paraná.

Fauna associada

Espécie hermafrodita, é polinizada principalmente por abelhas — em especial a abelha-europeia ou africanizada (Apis mellifera) — e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão de frutos e sementes é zoocórica, destacando-se a atuação do macaco-bugio ou guariba (Alouatta guariba). Por frutificar de forma abundante, atrai pássaros e outros animais silvestres que se alimentam de seus frutos.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos são recolhidos no chão, depois esmagados e lavados em peneira fina para separar as sementes da polpa; em seguida, as sementes ficam à sombra por no máximo um dia. Análises do Laboratório de Análise de Sementes da Embrapa Florestas registraram 1.000 sementes com massa de 48,22 g, o equivalente a cerca de 20.740 sementes por quilo, com 18,3% de umidade. Não é necessário tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento fisiológico recalcitrante, o que limita seu armazenamento.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita em sementeira, com cobertura leve, ou colocando-se duas sementes por saco de polietileno (no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro) ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio. Quando preciso, a repicagem para recipientes individuais deve ocorrer com as mudas entre 3 e 5 cm de altura. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 30 e 72 dias e taxa irregular, oscilando de 10% a 91%; o tempo mínimo de permanência em viveiro é de cinco meses. A espécie também se propaga por estacas.

Características silviculturais

Espécie esciófila e tolerante a baixas temperaturas. O hábito é variável, indo de fuste retilíneo com crescimento monopodial a indivíduos de tronco irregular, levemente tortuoso e com bifurcações já a partir de 2 m de altura. Recomenda-se o plantio misto ou em vegetação matricial sob cobertura. Em sistemas agroflorestais, em Santa Catarina, a planta tem sido mantida em áreas de pastagem.

Crescimento e produção

Não existem dados sobre o desempenho em plantios, mas no campo o crescimento das plantas é lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 770 mm, no Rio de Janeiro, a 3.200 mm, em São Paulo, com chuvas bem distribuídas no Planalto Sul-Brasileiro e periódicas nas demais áreas. A deficiência hídrica é nula na região Sul (exceto no norte do Paraná), de pequena a moderada no inverno nos planaltos do centro e leste de São Paulo e no sul de Minas Gerais, moderada no inverno no Espírito Santo e em Mato Grosso do Sul, e de moderada a forte no oeste da Bahia. A temperatura média anual fica entre 16,5 ºC (Curitiba, PR) e 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ); a do mês mais frio, entre 12,2 ºC (Curitiba) e 21,7 ºC (Vitória, ES); e a do mês mais quente, entre 19,7 ºC (Bocaina de Minas, MG) e 26,9 ºC (Vitória). A mínima absoluta registrada foi de -6,4 ºC, em Colombo (PR). As geadas são frequentes nos planaltos do PR, de SC e do RS e acima de 1.000 m nas serras do Mar, da Mantiqueira e da Bocaina; pouco frequentes no Planalto Centro-Leste do Paraná e no sudeste paulista; e ausentes no restante da área. Conforme a classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, Am, As, Aw, Cfa, Cwa e Cwb, conforme a região.

Solos

Cresce naturalmente em terrenos de relevo medianamente ondulado, sobre solos de origem basáltica de fertilidade média a alta, bem como em solos úmidos e compactos de planícies, várzeas e áreas de aclive suave.