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Foto de Grinalda-de-noiva

Foto: Luísa Moura (CC BY) via GBIF

Grinalda-de-noiva

Cassia leptophylla Vogel

Caesalpiniaceae Mata Atlântica
  • até 20 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: canafístula, cássia-fastuosa, chuva-de-ouro, medalhão-de-ouro, falso-barbatimão, canafístula-de-legumes-quadrangulares, canudo-de-pito

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e ordem Fabales. Está classificada na família Caesalpiniaceae (Leguminosae: Caesalpinioideae), no gênero Cassia, com o nome científico Cassia leptophylla Vogel, publicado em Syn. Cass. 13, de 1837. Tem como sinônimo botânico Cassia leptophylla sensu Bentham. O nome do gênero, Cassia, tem origem em uma antiga denominação hebraica ou grega.

Descrição botânica

Árvore semidecídua que, na fase adulta, alcança cerca de 20 m de altura e 60 cm de DAP (diâmetro medido a 1,30 m do solo). O tronco tem seção cilíndrica e base normal, variando de reto a um pouco tortuoso. A ramificação é dicotômica ou simpódica, e a copa é alta, arredondada e com poucas folhas; já em exemplares isolados ela se torna densa e frondosa. A casca chega a 20 mm de espessura: a parte externa (ritidoma) é acinzentada, com pequenas aletas dispostas irregularmente e separadas por escamas transversais, enquanto a casca interna é verde-clara a amarelada, de textura curto-fibrosa e estrutura reticulada. As folhas são compostas, paripinadas, alternas e espiraladas, com ráquis sem alas, medindo de 20 a 35 cm de comprimento e pecíolos de 1 a 3 cm, sem glândulas; as estípulas são lanceoladas e muito caducas. Há de 8 a 13 pares de folíolos opostos, brilhantes na face superior e com pecíolulos de 3 mm; cada lâmina mede de 1 a 5 cm de comprimento por 0,8 a 2 cm de largura, com os pares da base sempre menores, forma oval a oblongo-lanceolada, margem inteira, ápice agudo e base arredondada levemente assimétrica, com nervura central saliente na face inferior. As inflorescências surgem em racemos terminais densos e vistosos, de 10 a 30 cm, com formato circular que lembra uma coroa ou buquê de noiva. As flores são amarelas e medem de 4 a 8 cm. O fruto é um legume seco e indeiscente, quadrangular, longo e em forma de foice, com 20 a 50 cm de comprimento por 1,5 a 3 cm de largura, contendo muitas sementes e liberando um forte odor característico quando maduro. As sementes são ovaladas, com cerca de 1,2 mm, de cor castanho-clara, distribuídas em vários compartimentos transversais do legume e também com odor próprio na maturação.

Uso e ecologia
paisagismoarborização urbanarecuperação de áreasmadeireiroapícolaenergético
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (densidade aparente de 0,64 g/cm³) e moderadamente durável. O cerne tem cor pardo-escura acastanhada, com tons enegrecidos, e o alburno é nitidamente distinto, de cor branco-escura; a textura é média, a grã irregular e a superfície lisa ao toque. Serrada ou roliça, presta-se a obras internas e externas leves, caixotaria, confecção de brinquedos e laminados. Como combustível, fornece lenha de boa qualidade, com teor de lignina mais cinza de 31,08%. Não é apropriada para a produção de celulose e papel.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária inicial. É rara no interior de florestas primárias, onde aparece de forma irregular e descontínua, sendo típica de formações secundárias como capoeiras e capoeirões. No bioma Mata Atlântica, ocorre na Floresta Estacional Semidecidual (formação Submontana) em São Paulo; na Floresta Ombrófila Densa no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina; e na Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária), em formação Montana no Paraná, com frequência de 1 a 2 indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração ocorre de novembro a janeiro no Rio Grande do Sul, de novembro a março no Paraná e de dezembro a janeiro em São Paulo. Ela é acroscópica, ou seja, voltada para o ápice: as flores da base abrem primeiro e as da ponta da inflorescência por último. Os frutos amadurecem de maio a agosto no Rio Grande do Sul, de junho a julho em São Paulo e de julho a setembro no Paraná.

Fauna associada

A espécie é monoica e tem como principais polinizadores abelhas de várias espécies. A dispersão é autocórica, ocorrendo tanto por gravidade (barocoria) quanto por animais (zoocoria).

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos quando ficam escuros, retirados diretamente da árvore ou recolhidos do chão, e abertos mecanicamente; o rendimento de peso líquido em relação ao bruto fica entre 10% e 15%. Cada quilo contém de 5.700 a 8.000 sementes. Como o tegumento é impermeável, é necessário quebrar a dormência, recomendando-se o corte do tegumento na região da radícula e a escarificação mecânica por 3 a 30 minutos; a imersão em água fervente ou em ácido sulfúrico, em diferentes concentrações e tempos, não se mostrou eficaz. As sementes têm comportamento ortodoxo e mantêm viabilidade por mais de um ano no armazenamento, mas são facilmente atacadas por carunchos.

Produção de mudas

Recomenda-se semear duas sementes por recipiente, diretamente em saco de polietileno ou em tubete grande de polipropileno. A repicagem, quando necessária, deve ser feita com as mudas entre 4 e 6 cm de altura. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa de 15 a 35 dias após a semeadura. Com o tratamento de dormência, o poder germinativo fica entre 50% e 97%; sem ele, ou com tratamentos ineficazes, cai para 0% a 8%. As mudas ficam prontas para o plantio cerca de 7 meses após a semeadura. As raízes não estabelecem associação com Rhizobium.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila e tolerante ao frio. Seu hábito é irregular, com bifurcações frequentes desde a base e desrama natural deficiente, o que exige podas de condução e de galhos, sobretudo quando jovem; depois, retiram-se apenas os galhos secos. É indicada para plantio misto a pleno sol e rebrota da cepa após o corte.

Crescimento e produção

O crescimento é lento. Aos 8 anos de idade, registrou um incremento médio anual em volume de 4,20 m³/ha/ano.

Clima

A precipitação média anual vai de 1.400 mm em São Paulo a 2.100 mm no Rio Grande do Sul. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano no Sul (exceto no norte do Paraná) e periódicas no leste paulista. A deficiência hídrica é nula no Sul (exceto no norte do Paraná) e de pequena a moderada no leste de São Paulo. A temperatura média anual varia de 17,2 ºC (Irati, PR) a 22,3 ºC (Jaú, SP); a média do mês mais frio fica entre 12,2 ºC (Irati, PR) e 14,3 ºC (Porto Alegre, RS), e a do mês mais quente entre 22,4 ºC (Telêmaco Borba, PR) e 24,7 ºC (Porto Alegre, RS). A mínima absoluta chega a -7 ºC (Irati, PR). O número de geadas por ano vai de 0 a 12 em média, com máximo absoluto de 33 no Paraná. Na classificação de Köppen, ocorre em clima Cfa no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, Cfb no Paraná e Cwa em São Paulo.

Solos

Desenvolve-se naturalmente em solos argilo-arenosos, bem drenados e de fertilidade química média a alta.