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Foto de Faveira-de-bolota

Foto: João Medeiros (CC BY 2.0) via Wikimedia

Faveira-de-bolota

Parkia platycephala

Fabaceae CaatingaCerradoAmazônia
  • 5 a 18 m (excepcionalmente até 30 m)Altura
  • Médio portePorte
FrutíferasMadeireirasOrnamentaisMelíferasRecuperação de áreas

Também conhecida como: faveira, visgueiro, fava-de-bolota, badoqueiro, fava-danta, fava-de-boi, faveira-beloco, sabiú

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação do APG III, a faveira pertence à família Fabaceae (Leguminosae em sistemas mais antigos, como o de Cronquist), dentro da subfamília Mimosoideae e da ordem Fabales. Seu nome científico é Parkia platycephala Bentham, com primeira publicação registrada em Hook., Journ. Bot. 4: 329. O nome do gênero Parkia homenageia o viajante escocês Mungo Park, enquanto a origem do epíteto platycephala permanece desconhecida.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore decídua. Embora os exemplares maiores possam chegar perto de 18 m de altura e 60 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, tomado a 1,30 m do solo) — e, em casos excepcionais, a 30 m e 100 cm de DAP na fase adulta —, é mais comum encontrá-la na forma de árvores baixas, com 5 m a 9 m de altura e DAP entre 20 cm e 50 cm. O tronco apresenta-se cilíndrico e irregular, por vezes ramificado já próximo ao chão e, em outras ocasiões, com fuste que alcança até 10 m. A ramificação é dicotômica e origina uma copa pequena e irregular. A casca chega a 10 mm de espessura, sendo a externa (ritidoma) esbranquiçada, lisa a rugosa e descamante. As folhas são bipinadas, reunindo de 6 a 14 jugos e de 30 a 100 jugos de folíolos delgados. As inflorescências formam capítulos esféricos de cor púrpura, suspensos por longos pedúnculos — porém mais curtos que os de Parkia pendula —, e as flores, também purpúreas, surgem nesses capítulos sustentados por pedúnculos filiformes. Os frutos são vagens de pericarpo espesso, com 8 cm a 15 cm de comprimento e 2 cm a 3 cm de largura, que abrigam de 20 a 26 sementes e variam em cor do marrom-claro ao preto. As sementes, alojadas nesse pericarpo grosso, têm formato ovoide a ovalado, superfície lisa, lustrosa e marrom, medindo cerca de 8,43 mm de comprimento, 5,67 mm de largura e 3,48 mm de espessura.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasapícolaalimentícioenergia
Produtos e utilizações

As vagens maduras da faveira são uma forragem de alta qualidade para a suplementação de ruminantes; a maturação e a queda ocorrem ao longo de um período extenso, entre o fim de agosto e o fim de novembro. O gado solto consome as vagens diretamente do solo, mas elas também são coletadas por silvicultores e comercializadas com pecuaristas. A espécie tem forte vocação melífera, fornecendo néctar e pólen. Sua madeira presta-se bem à produção de energia, sobretudo carvão e lenha, e é aproveitada na fabricação de caixotaria, compensados e brinquedos — embora não sirva para celulose e papel. A faveira também é indicada para arborização e tem grande relevância na recuperação de áreas degradadas e de preservação permanente, em boa parte graças ao seu crescimento acelerado. Quanto à madeira em si, apresenta massa específica aparente entre 0,74 e 0,76 g/cm³ e massa específica básica de 0,74 g/cm³, coloração esbranquiçada, textura de média a grossa, grã revessa, resistência mecânica média e baixa durabilidade.

Aspectos ecológicos

A faveira é uma espécie pioneira, presente em formações secundárias (capoeiras) e em áreas abertas de terrenos elevados do Agreste nordestino, além de campinas amazônicas. Ela se reproduz com mais intensidade nas proximidades de povoados, comportamento associado à ação do gado bovino, que estimula e dispersa as sementes pelo campo. Ocorre no bioma Caatinga (Savana Estépica, no nordeste da Bahia), no bioma Cerrado (Cerrado stricto sensu na Bahia, em Goiás, no Maranhão, no Piauí e em Tocantins; e Cerradão no Ceará e no Piauí, com frequência de até 51 indivíduos por hectare), bem como em ambientes fluviais e ripários (mata ciliar) na Bahia, em zonas de transição entre Cerrado e Caatinga, em carrasco (Crateús, CE) e em encraves de Cerrado na Chapada do Araripe, no Ceará.

Floração e frutificação

A floração acontece em junho no Ceará e de junho a julho no Maranhão. Os frutos amadurecem em agosto no Ceará, de agosto a setembro no Maranhão, de agosto a novembro no Piauí e em dezembro na Paraíba.

Fauna associada

Espécie hermafrodita, é polinizada principalmente pela abelha Apis mellifera e, durante a noite, visitada por morcegos — em especial Phyllostomus discolor e P. hastatus, padrão comum às espécies de Parkia. A dispersão de frutos e sementes se dá sobretudo por zoocoria: o gado bovino solto come as vagens caídas no chão e, após a passagem pelo rúmen, regurgita as sementes, espalhando-as pelo campo.

Plantio e silvicultura
Sementes

As vagens devem ser colhidas direto da árvore assim que começa a queda natural, ou recolhidas no chão sob a planta-mãe logo após caírem; em seguida são abertas à mão para retirada das sementes. A produção varia bastante de uma árvore para outra, podendo ultrapassar 100 kg de vagens por exemplar. Um quilo reúne de 2.100 a 8.750 sementes. Por terem o tegumento impermeável à água, as sementes germinam pouco sem tratamento; para quebrar a dormência, os métodos mais eficazes são a escarificação mecânica com lixa e a imersão em ácido sulfúrico (98% p.a.) por 15 a 45 minutos. As sementes têm comportamento ortodoxo e, guardadas em sala, conservam a viabilidade por mais de um ano.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e, depois, repicar as plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, fazendo a repicagem de 2 a 3 semanas após a germinação. A germinação é epígea e as plântulas fanerocotiledonares; a emergência começa de 28 a 42 dias após a semeadura. Em viveiro, o poder germinativo costuma ser alto, em torno de 80%, mas em substrato de areia sob telado plástico pintado de branco caiu para 44%, num intervalo de 5 a 23 dias. A espécie não forma associação simbiótica com Rhizobium.

Características silviculturais

Heliófila, a faveira não suporta temperaturas baixas. Seu hábito é variável e em geral irregular: perde a dominância apical, bifurca-se desde a base ou forma galhos grossos, embora a forma monopódica não seja incomum, e há derrama natural. Pode ser cultivada a pleno sol, em plantios puros ou mistos, e tem capacidade de brotar da touça ou da cepa.

Crescimento e produção

Há poucos registros sobre o desempenho da faveira em plantios, mas observa-se que seu desenvolvimento em campo é rápido.

Clima

A precipitação média anual vai de 550 mm, na Bahia, a 1.700 mm, no Maranhão, com chuvas periódicas e deficiência hídrica de forte a muito forte durante quase todo o ano no interior do Nordeste. A temperatura média anual oscila entre 21,6 °C (Areia, PB) e 27 °C (Floriano, PI); a média do mês mais frio fica entre 19,7 °C (Areia, PB) e 25,5 °C (Bom Jesus do Piauí, PI), e a do mês mais quente entre 23 °C (Areia, PB) e 30,2 °C (Floriano, PI). A mínima absoluta registrada foi de 10,4 °C, em Correntina, BA, em 25 de julho de 1987. Não há ocorrência de geadas. Pela classificação de Köppen, enquadra-se em As na Paraíba, Aw no oeste da Bahia, no Ceará, no nordeste de Goiás, no Maranhão, no sul do Piauí e em Tocantins, e BSh no nordeste da Bahia, em Pernambuco e no Piauí.

Solos

Desenvolve-se em depressões e demais terrenos baixos, sobre solos profundos e de fertilidade mediana.