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Foto de Faveira-benguê

Foto: Marcio Santos Ferreira (CC BY) via GBIF

Faveira-benguê

Parkia multijuga

Fabaceae Amazônia
  • até 40 mAltura
  • Muito grandePorte
Crescimento rápidoMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: faveira, grosso, bajão, faveira-arara-tucupi, pinho-cuiabano

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (chamada de Leguminosae no sistema de Cronquist) e à subfamília Mimosoideae, a espécie foi descrita por Bentham e publicada em 1875. Seu binômio é Parkia multijuga Bentham, tendo Dimorphandra megacarpa Rolfe como sinônimo botânico. Pela classificação do Angiosperm Phylogeny Group (APG II), está situada na ordem Fabales (Rosales em Cronquist) e no clado das Eurosídeas I. O nome do gênero homenageia o explorador escocês Mungo Park. Recebe diferentes denominações conforme a região: faveira no Amazonas, bajão em Mato Grosso, faveira-arara-tucupi no Pará e pinho-cuiabano em Rondônia.

Descrição botânica

Árvore perenifólia que, na fase adulta, pode alcançar cerca de 40 m de altura e 100 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto e praticamente cilíndrico, ocasionalmente oco na base, com fuste que chega a 15 m de comprimento. A ramificação é dicotômica, formando uma copa densa, globosa ou em formato de guarda-chuva, com ramos semi-erguidos. A casca atinge até 10 mm de espessura; a parte externa (ritidoma) tem coloração que vai do creme-arroxeado ao creme-amarelado e exala forte cheiro de legume, enquanto a casca interna libera uma seiva aquosa amarelada a arroxeada. As folhas são compostas bipinadas, dispostas em espiral, com até 50 cm de comprimento; as pinas, alternas, medem de 10 a 15 cm, e os folíolos têm de 8 a 10 mm de comprimento por 2,5 a 3 mm de largura. O pecíolo, pubérulo quando jovem e espesso na base, apresenta uma glândula elíptica destacada, e a raque exibe uma glândula circular nos entrenós. As inflorescências formam capítulos globulares eretos sobre a folhagem, com botões protegidos por brácteas rômbicas. As flores são abundantes, aromáticas, de cor creme-amarelada e com muitos estames externos. O fruto é um legume lenhoso, indeiscente, plano e curvado, de 20 a 25 cm de comprimento por 7 a 10 cm de largura, estipitado e escuro quando maduro, preso a um pedúnculo erguido; cada vagem guarda em torno de 14 sementes cor-de-vinho, que medem de 2 a 5 cm.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasenergético
Produtos e utilizações

A madeira é leve, com massa específica aparente entre 0,44 e 0,52 g/cm³ a 12% de umidade (densidade verde de 1,09 g/cm³) e massa específica básica de 0,40 g/cm³. Cerne e alburno são indistintos, variando do branco-palha ao marrom-pálido-amarelado, com grã que vai de direita a revessa, textura média e brilho moderado. Apresenta baixa resistência a organismos xilófagos e é moderadamente difícil de preservar, mesmo sob pressão. A secagem em estufa é muito rápida, com encanoamento e torcimento moderados no programa de secagem 1. Quanto à trabalhabilidade, é fácil de serrar, aplainar (acabamento ruim) e lixar (acabamento bom a excelente), e regular na furação, com acabamento ruim. Seus anéis de crescimento são distintos. A madeira presta-se a molduras, acabamentos, divisórias, móveis, compensados, caixas, engradados, brinquedos, entre outros usos; no Equador, serve para a construção de canoas. Também é adequada para celulose e papel e fornece lenha de boa qualidade. Por ser muito ornamental, graças à folhagem brilhante e ao porte elegante, a árvore é bastante usada em paisagismo, sobretudo na arborização de grandes avenidas e praças. Além disso, é importante na recuperação de áreas degradadas e de preservação permanente, principalmente por seu rápido crescimento.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária inicial, com dispersão irregular e descontínua, que se estabelece tanto no interior da floresta primária quanto em vegetação secundária. No bioma Amazônia, está associada à Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Amazônica), tanto de terra firme quanto de várzea alta, no Estuário Amazônico.

Floração e frutificação

No Pará, floresce entre março e maio, e os frutos amadurecem de novembro a fevereiro.

Fauna associada

Espécie hermafrodita cuja polinização é feita por morcegos (síndrome quiropterófila). A dispersão de frutos e sementes é autocórica, do tipo barocórica, ou seja, por ação da gravidade.

Plantio e silvicultura
Sementes

As vagens devem ser colhidas diretamente da árvore quando começam a cair naturalmente, ou recolhidas do solo após a queda; em seguida, são expostas ao sol para secar, o que facilita a abertura manual e a extração das sementes. Cada quilo reúne cerca de 110 sementes. Como tratamento pré-germinativo, recomenda-se a escarificação mecânica com lixa nos dois lados maiores, seguida de imersão em água por 24 a 72 horas; esse processo faz surgir na superfície uma espessa camada de mucilagem, que protege o embrião e garante o suprimento inicial de água na primeira fase da germinação. As sementes têm comportamento ortodoxo e mantêm a viabilidade por mais de quatro meses de armazenamento. Em laboratório, não houve germinação nem na luz nem no escuro. Para determinar o grau de umidade, a secagem em estufa a 130 ºC (por duas horas ou mais) e a secagem em forno de micro-ondas funcionam como alternativas rápidas e tão precisas quanto o método oficial a 105 ºC por 24 horas.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sementeiras e depois repicar as plântulas para sacos de polietileno de pelo menos 20 cm de altura por 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio, fazendo a repicagem de 2 a 3 semanas após a germinação. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar, embora Duarte considere os cotilédones de posição hipógea. Ao germinar, a plântula forma uma curvatura em crossa e, quando se solta totalmente dos cotilédones, alcança de 10 a 15 cm de comprimento, já com a primeira folha embrionária reproduzindo a estrutura das folhas definitivas; a segunda folha surge logo na transição entre o epicótilo e a folha primária. A emergência começa de 20 a 40 dias após a semeadura e o poder germinativo costuma ser alto, acima de 80%. A espécie apresenta nodulação radicular em associação simbiótica com Rhizobium.

Características silviculturais

As árvores exibem fuste reto ou levemente inclinado. A espécie é indicada para plantio misto.

Crescimento e produção

Existem poucos registros de crescimento da faveira-benguê em plantios. Os dados disponíveis indicam grande variação: de lento, com produção volumétrica de até 8,40 m³/ha/ano aos 16 anos no Pará, a rápido, chegando a 27,50 m³/ha/ano aos 11 anos no norte de Mato Grosso.

Clima

A precipitação anual média chega a 2.400 mm em Rondônia, sob regime de chuvas periódicas, com deficiência hídrica de pequena a moderada no Amazonas e em Rondônia. A temperatura média anual varia de 25,2 ºC (Porto Velho, RO) a 26,7 ºC (Manaus, AM); a do mês mais frio fica entre 23,5 ºC e 26,0 ºC e a do mês mais quente entre 25,8 ºC e 27,6 ºC, com mínima absoluta de 10 ºC em Porto Velho. Não há ocorrência de geadas. Pela classificação de Koeppen, enquadra-se em Af (tropical superúmido) nos arredores de Belém (PA), Am (tropical chuvoso, com estação seca curta) no Amazonas e no Pará, e Aw (tropical quente com estação seca no inverno) em Rondônia.

Solos

Desenvolve-se exclusivamente em solos argilosos e aluviais.