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Foto de Farinha-seca

Foto: mauro halpern (CC BY 2.0) via flickr

Farinha-seca

Albizia niopoides

Fabaceae Mata AtlânticaCerradoPantanalCaatinga
  • até 35 mAltura
  • Muito grandePorte
Raras / ameaçadasMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: angico-branco, mulateira, frango-assado, canela-de-corvo, coxa-de-frango, farinha-seca-de-mico, manga-do-mato, pé-de-frango

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (antes tratada como Leguminosae) e à subfamília Mimosoideae, a farinha-seca tem como nome científico aceito Albizia niopoides (Bentham) Burkart, descrita em 1952. Entre seus sinônimos botânicos mais citados estão Albizia hasslerii (sensu Bernardi) e Pithecellobium hassleri Chodat, embora a espécie possua uma lista bem mais extensa de sinônimos. Na classificação do APG II ela se enquadra na ordem Fabales, dentro do clado das eurosídeas I (em sistemas anteriores, como o de Cronquist, aparecia em Rosales). O nome do gênero Albizia foi criado em homenagem a Filipe de Albizzi, nobre florentino do século 18, em cujo jardim se cultivou e descreveu a primeira espécie do grupo, trazida dos bosques ao sul do Mar Cáspio, no Irã.

Descrição botânica

Árvore semidecídua que, na fase adulta, pode alcançar cerca de 35 m de altura e 80 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo). O tronco é reto e cilíndrico, com fuste de até 12 m. A ramificação é marcadamente dicotômica — característica que ajuda a identificar exemplares de crescimento livre — e a copa, aplanada e em formato de "V", concentra a folhagem verde-escura nas pontas dos ramos. A casca chega a 11 mm de espessura; a externa (ritidoma) é amarelada, lisa e pulverulenta, traço dendrológico marcante da espécie, muitas vezes com pequenos ocos abertos por um coleóptero. Já a casca interna tem tom amarelo-suave, textura arenosa e odor desagradável. As folhas são alternas e bipinadas, de 10 a 20 cm de comprimento, com 8 a 14 pares de pinas (cada uma de 4 a 7 cm) e uma glândula no pecíolo; cada pina reúne de 40 a 80 folíolos pareados, pequenos e estreitos, de 2 a 5 mm de comprimento por cerca de 1 mm de largura, verde-lustrosos na face superior e claros e finamente pilosos na inferior. As flores brancas medem 5 mm, com numerosos estames soldados ao tubo, reunidas em panículas terminais ou laterais formadas por vários capítulos de 1 cm de diâmetro. O fruto é uma vagem chata castanho-clara, de 5 a 10 cm de comprimento por 1 a 2 cm de largura, contendo de 5 a 10 sementes ovaladas, castanhas, de 5 mm.

Uso e ecologia
madeireiroenergéticopaisagismorecuperação de áreasagroflorestalapícola
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (massa específica aparente de 0,75 g/cm³), de cor amarelo-suave, com alburno pouco distinto do cerne. É relativamente macia, de textura grossa e grã ondulada ou entrelaçada, pouco resistente, sujeita ao azulado e de secagem muito difícil, lembrando a limba africana (Terminalia superba). Sem valor comercial expressivo, é aproveitada sobretudo em caixotaria e tabuado, além de servir como lenha e carvão; a espécie também é considerada adequada para a produção de papel. Em plantios mistos no Paraná e em São Paulo, registraram-se, por exemplo, altura média de 5,36 m e DAP médio de 5,4 cm aos 9 anos em Latossolo Vermelho Distroférrico. No paisagismo, é uma árvore elegante, indicada para arborizar praças e grandes jardins, com uso já observado em Araçatuba (SP).

Aspectos ecológicos

Classificada como espécie pioneira a secundária (inicial ou tardia), a farinha-seca é frequente na colonização de pastagens, muitas vezes a partir da regeneração por brotação de raízes. Em floresta primária, aparecem apenas indivíduos adultos no estrato superior do dossel, pois a espécie não se regenera à sombra, estabelecendo-se somente em clareiras, bordas de mata e áreas abertas. Ocorre na Mata Atlântica, em Floresta Estacional Decidual (formações das Terras Baixas e Submontana, em Goiás e no Rio Grande do Sul) e em Floresta Estacional Semidecidual (formações Submontana e Montana, no Paraná e em São Paulo), com até 14 indivíduos por hectare. Está presente também no Cerrado, em cerradão (São Paulo), e no Pantanal Mato-Grossense, com até sete indivíduos por hectare. Aparece ainda em ambientes ripários (Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná) e em brejos de altitude do Nordeste, em Pernambuco, onde pode atingir até 30 indivíduos por hectare.

Floração e frutificação

A floração ocorre de junho a novembro em Mato Grosso do Sul e de outubro a janeiro em São Paulo. Os frutos amadurecem de julho a outubro no Paraná, de agosto a dezembro em Mato Grosso do Sul e em setembro e outubro em São Paulo. Em plantios, o início da reprodução acontece por volta dos 6 anos de idade.

Fauna associada

Espécie monóica, tem a polinização feita principalmente por abelhas e diversos pequenos insetos. A dispersão dos frutos e sementes é autocórica, predominantemente barocórica, ou seja, por ação da gravidade.

Plantio e silvicultura
Sementes

As vagens maduras, de tom pardacento, devem ser colhidas direto da árvore antes de abrirem naturalmente e depois postas para secar ao sol, o que facilita a liberação das sementes. Cada quilo reúne de 36.000 a 36.600 sementes (a 9,9% de umidade). Por apresentarem dormência tegumentar moderada, recomenda-se imergi-las em ácido sulfúrico por 1 minuto para superá-la; o uso de água quente ou fervente mostrou-se ineficaz, embora alguns autores indiquem imersão em água a 80 ºC por 3 minutos. As sementes são ortodoxas: armazenadas sob frio, mantêm o poder germinativo por pelo menos 1 ano, e em condições controladas de clima conservaram até 83% da germinação inicial aos 12 meses, contra 59% e 39% em ambiente não climatizado (em sacos de plástico e de papel, respectivamente). O teste de tetrazólio pode substituir o de germinação na avaliação da viabilidade. Para o teste de germinação em laboratório, servem os substratos papel-toalha, papel mata-borrão, areia ou vermiculita, a 20 ºC, 25 ºC ou 30 ºC.

Produção de mudas

A semeadura pode ser direta, em sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno, ou feita em canteiros para posterior repicagem, recomendada de 1 a 2 semanas após a germinação. O sistema radicial é profundo. A germinação é epígea (fanerocotiledonar): com a dormência superada, a emergência começa entre 6 e 15 dias e o poder germinativo passa de 75%; sem esse tratamento, a emergência leva de 10 a 40 dias e a germinação fica abaixo de 30%. Em cerca de 4 meses as mudas alcançam tamanho adequado para o plantio no campo. As raízes formam nódulos que fixam nitrogênio atmosférico.

Características silviculturais

Espécie heliófila e medianamente tolerante a baixas temperaturas, tem hábito irregular e precisa de desrama para melhorar a qualidade do fuste. Pode ser plantada a pleno sol, em povoamentos puros ou mistos, e rebrota a partir da touça ou cepa. É indicada para sistemas agroflorestais em solos de fertilidade química média: sua copa leve e alta a torna interessante para a arborização de culturas e de pastagens, como se observa há décadas no oeste de São Paulo, e no exterior vem sendo estudada para diversos arranjos agroflorestais. Vale registrar que a espécie consta na lista de plantas ameaçadas de extinção do Paraná, na categoria rara, e também na lista do Parque Nacional de Ilha Grande (Paraná e Mato Grosso do Sul), na mesma categoria.

Crescimento e produção

Há poucos dados sobre o desempenho da farinha-seca em plantios, mas o crescimento é considerado lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.100 mm, em Mato Grosso do Sul, a 2.000 mm, no Pará. O regime de chuvas é uniforme, sem estação seca definida, no Sul (exceto o noroeste do Paraná), e estacional, com chuvas concentradas no verão, nas demais regiões. A deficiência hídrica de inverno vai de pequena (norte do Paraná) a moderada (oeste de São Paulo, noroeste do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul) e de moderada a forte (oeste de Minas Gerais e centro de Mato Grosso). A temperatura média anual fica entre 18,3 ºC (Telêmaco Borba, PR) e 26,7 ºC (Itaituba, PA), com mínima absoluta de -5,3 ºC registrada em Guaíra (PR). O número de geadas por ano vai de 0 a 10, com máximo absoluto de 18 no Paraná, embora predominem locais sem geadas ou com ocorrência rara. Pela classificação de Köppen, a espécie aparece nos tipos Am, As, Aw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

Cresce de forma espontânea em solos profundos e bem drenados, de fertilidade química média a alta.