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Foto de Farinha-seca

Foto: Mateusbotanica2020 (CC BY-SA 4.0) via wikimedia

Farinha-seca

Albizia edwallii

Fabaceae Mata Atlântica
  • até 25 mAltura
  • Grande portePorte
MadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: angico-branco, angico-pururuca, pau-gambá, catarina, canela-de-corvo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Fabaceae (antiga Leguminosae) e à subfamília Mimosoideae, a espécie é classificada como Albizia edwallii (Hoehne) Barneby & Grimes, do gênero Albizia, ordem Fabales. Já foi descrita sob os sinônimos Pithecolobium edwalii Hoehne e Albizia austrobrasilica A. Burkart. O nome do gênero homenageia Filipe de Albizzi, nobre florentino do século 18 em cujo jardim foi cultivada a primeira espécie do grupo, trazida de bosques ao sul do Mar Cáspio, no Irã. Já o epíteto edwallii presta homenagem ao Dr. Gustav Edwall. A descrição original foi publicada em 1996, nos Memoirs of the New York Botanical Garden.

Descrição botânica

Árvore semidecídua, ou seja, que troca parte da folhagem ao longo do ano, podendo alcançar cerca de 25 m de altura e 70 cm de diâmetro à altura do peito quando adulta. O tronco é reto e cilíndrico, com fuste de até 10 m, e a casca chega a 10 mm de espessura, sendo cinzenta, áspera e marcada por cicatrizes transversais. A ramificação é racemosa, e os ramos mais novos são recobertos por pelos de tom ferrugíneo; no aspecto geral, lembra a timbaúba (Enterolobium timbouva). As folhas são compostas, bipinadas e paripinadas, em geral com 5 a 10 pares de pinas e até 40 cm de comprimento. Cada pina reúne de 23 a 30 pares de folíolos discolores, oval-oblongo-lanceolados e acuminados, medindo de 10 a 16 mm. As inflorescências formam panículas terminais de 15 a 20 cm. As flores, brancas, agrupam-se em capítulos globosos de 5 a 8 mm de diâmetro, com 15 a 20 flores cada e estames de cerca de 15 mm. O fruto é um legume reto, achatado, papiráceo e lustroso, de 12 a 20 cm de comprimento por 2 a 3 cm de largura, com abertura em duas valvas e até dez sementes. As sementes são ovais e comprimidas, com cerca de 1,1 cm de comprimento por 0,6 cm de largura.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasenergéticocelulose e papelagroflorestal
Produtos e utilizações

A madeira é branca, moderadamente densa (0,65 g/cm³), pouco porosa, macia e de resistência mediana, porém com baixa durabilidade em condições naturais. Indicada para obras internas, caixotaria e tabuado em geral, é uma matéria-prima potencialmente valiosa, ainda pouco explorada. Fornece lenha de boa qualidade e presta-se à fabricação de papel. Na análise fitoquímica foram detectadas pequenas quantidades de amido, alcaloides, cumarina e antraderivados, além de teores muito elevados de esteroides e triterpenoides. Por sua copa leve, alta e de forma delicada, que oferece boa sombra, é muito apreciada no paisagismo e na arborização de ruas e praças. Também é recomendada em plantios mistos para a recuperação de áreas degradadas e de preservação permanente.

Aspectos ecológicos

Trata-se de uma espécie secundária inicial, de dispersão ampla, mas pouco frequente, sobretudo ao longo da bacia do rio Uruguai. Costuma ocorrer no interior de florestas primárias, em capoeiras, em pequenas depressões do terreno e em matas de várzea. No bioma Mata Atlântica, é registrada na Floresta Estacional Decidual (formações das Terras Baixas, Submontana e Montana, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com até três indivíduos por hectare), na Floresta Estacional Semidecidual (formação Submontana, em São Paulo, com um indivíduo por hectare), na Floresta Ombrófila Mista, com araucária (formações Montana e Alto-Montana, no Paraná, no Rio Grande do Sul e no Itatiaia, com até dois adultos por hectare) e, mais raramente, na Floresta Ombrófila Densa do vale do Itajaí, em Santa Catarina. Também aparece em matas ciliares de Santa Catarina e de São Paulo.

Floração e frutificação

A floração acontece de outubro a dezembro no Paraná e em novembro no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os frutos amadurecem de janeiro a março em Santa Catarina, em março em São Paulo, de abril a junho no Paraná e de maio a junho no Rio Grande do Sul.

Fauna associada

É uma espécie hermafrodita e predominantemente autógama (de autofecundação). A polinização é feita sobretudo por abelhas e pequenos insetos. A dispersão das sementes é autocórica, principalmente barocórica, ocorrendo pela ação da gravidade.

Plantio e silvicultura
Sementes

As vagens devem ser colhidas direto da árvore assim que ficam pardacentas, antes de abrirem naturalmente, e depois postas para secar ao sol, o que favorece a abertura dos frutos e a liberação das sementes. Cada quilo reúne de 15.000 a cerca de 25.786 sementes. Como apresentam dormência tegumentar moderada, recomenda-se imergi-las em água quente a 80 ºC por 3 minutos antes da semeadura. Quanto ao armazenamento, a semente é classificada como ortodoxa.

Produção de mudas

A semeadura pode ser feita diretamente em sacos de polietileno, em tubetes de polipropileno ou em canteiros para posterior repicagem, que deve ocorrer de 1 a 2 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 6 e 45 dias após a semeadura e taxa que vai de 39% a 75%. As plântulas devem ser repicadas ao atingirem de 3 a 4 cm de altura, cerca de 25 a 30 dias após germinarem. O sistema radicular é profundo. As raízes formam nódulos abundantes e esféricos em simbiose com bactérias do gênero Rhizobium, como observado no viveiro da Embrapa Florestas.

Características silviculturais

Espécie heliófila, exige sol pleno e tolera moderadamente baixas temperaturas. Como tem hábito irregular, precisa de desrama para melhorar o fuste; também rebrota da touça ou cepa. Pode ser cultivada a pleno sol, em plantios puros ou mistos, e é recomendada para sistemas agroflorestais, já que sua copa leve e alta favorece a arborização de culturas.

Crescimento e produção

Há poucas informações sobre seu desempenho em plantios. No campo, contudo, o desenvolvimento das plantas é lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.200 mm, em São Paulo, a 2.500 mm, no maciço do Itatiaia (RJ), com chuvas bem distribuídas no Planalto Meridional e mais sazonais no Itatiaia e em São Paulo. A deficiência hídrica vai de nula, no Planalto Sul-Brasileiro (exceto no norte do Paraná) e no Itatiaia, a pequena ou moderada no inverno, nos planaltos do centro e do leste paulista. A temperatura média anual fica entre 16,5 ºC (Curitiba, PR) e 20,3 ºC (Florianópolis, SC), com mínima absoluta de -6,4 ºC registrada em Colombo (PR). As geadas são frequentes no inverno do Planalto Sul-Brasileiro e acima de 1.100 m no Itatiaia, e raras nos planaltos paulistas, com média de 0,5 a 10,7 por ano. Segundo Köppen, o clima é Aw e Cwa em São Paulo, Cfa no Itatiaia, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, e Cfb no Planalto Sul-Brasileiro.

Solos

Cresce naturalmente em terrenos de profundidade variável e fertilidade diversa, mas na maioria das vezes em solos pobres e ácidos, com pH entre 3,5 e 5,5, textura de franca a argilosa, úmidos e bem drenados.