Foto: Alfredo F. Fuentes Claros (CC0) via GBIF
Falso-timbó
Lonchocarpus guilleminianus (Tul.) Malme
- até 25 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: cabelouro, carrancudo, embira-de-sapo, embira-de-macaco, embiradanta, óleo-amarelo, embira-de-carrapato, pau-carrapato, embira-branca, feijão-cru, imbira-de-caboclo, imbira-de-sapo, piaca, pau-luiz, árvore-da-chuva, rabo-de-bugio, rabo-de-macaco, rabo-de-mico, caneleira-parda, gonovira, gonovira-pintada, timbó-carrapateiro
Botânica
Pertence à família Fabaceae (antiga Leguminosae), subfamília Faboideae, e foi descrita por Malme a partir de material de Tul., tendo Lonchocarpus neuroscapha como o sinônimo mais citado na literatura, embora a espécie reúna ampla sinonímia. O nome do gênero Lonchocarpus alude ao formato característico do fruto, que lembra a ponta de uma lança (do grego lonchos, lança, e carpo, fruto).
Árvore que perde parte da folhagem no inverno e, em fase adulta, pode alcançar cerca de 25 m de altura e 50 cm de diâmetro à altura do peito. O tronco é cilíndrico, de reto a ligeiramente tortuoso, com fuste de até 20 m, e a casca chega a 5 mm de espessura, sendo a parte interna lisa, acinzentada e com lenticelas. A ramificação é cimosa, com ramos lenticelados e indumento que varia de ferrugíneo-pubérulo a glabro. As folhas são compostas, em geral com 7 a 9 folíolos (às vezes 5 ou 11); os folíolos têm forma variável, de oval-oblonga a oboval-lanceolada, medem de 3 a 13 cm de comprimento por 1,5 a 5 cm de largura, com a face inferior pilosa e a superior glabra ou pouco pilosa. Por abrigarem carrapatos, essas folhas deram origem a vários nomes populares da espécie. As inflorescências são axilares, pseudo-racemosas e densas, com 6 a 14 cm de comprimento. As flores são hermafroditas, com corola de 8 a 9 mm que pode variar do branco ao roxo, incluindo tons intermediários. O fruto é uma sâmara oblonga a semielíptica, geralmente falcada, esverdeada a marrom-amarelada, de 5 a 9,5 cm de comprimento por 1,9 a 2,3 cm de largura, contendo de 1 a 4 sementes ovais e amareladas, que medem de 0,5 a 1 cm de comprimento.
Uso e ecologia
A madeira tem densidade moderada a alta (0,61 a 0,83 g/cm³ a 15% de umidade) e oferece resistência moderada ao ataque de organismos xilófagos. É empregada na construção civil, em caixotaria, dormentes, cabos de ferramentas e peças torneadas, além de servir para produção de celulose e papel. Na Bahia, a espécie é usada como lenha. Suas flores perfumadas e vistosas a tornam interessante para fins ornamentais. Por se adaptar a terrenos secos e de baixa fertilidade, e também a solos úmidos com inundações periódicas, é recomendada para recuperação de áreas degradadas de preservação permanente.
Do ponto de vista sucessional, comporta-se como pioneira a secundária, podendo ser inicial ou tardia. É frequente em capoeiras, pastagens, beiras de estradas e margens de lagoas, onde tende a apresentar maior porte e pilosidade mais densa; eventualmente alcança o dossel de florestas secundárias. Ocorre na Mata Atlântica, em Floresta Estacional Semidecidual (formações Submontana e Montana, em Minas Gerais, Paraná e São Paulo, com até 15 indivíduos por hectare), em Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas (norte do Espírito Santo e São Paulo) e, mais raramente, em Floresta Ombrófila Mista do sul do Paraná. No Cerrado, é encontrada em cerradão paulista. Também aparece em ambientes ripários do Distrito Federal, de Minas Gerais e do Paraná.
A floração varia conforme a região: de setembro a dezembro em São Paulo, de outubro a março no Paraná, de novembro a janeiro no Rio Grande do Sul e de dezembro a fevereiro em Santa Catarina. Os frutos amadurecem entre janeiro e fevereiro no Rio Grande do Sul e de junho a agosto no Paraná.
A polinização é feita basicamente por abelhas, com destaque para a abelha-europeia ou africanizada (Apis mellifera). A dispersão é autocórica, predominantemente por gravidade (barocórica) e também pelo vento (anemocórica).
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando maduros, com tom pardacento, e secados ao sol para facilitar a abertura manual e a extração das sementes, que então secam à sombra por mais 2 a 3 dias. Cada quilo contém entre 6.000 e 6.100 sementes. Não é indispensável tratamento pré-germinativo, mas mergulhar as sementes em água fria por 2 horas antes da semeadura pode estimular a germinação. O armazenamento deve ser feito a frio (5 ºC), ainda que as sementes percam a capacidade de germinar em poucos meses.
A semeadura pode ser realizada diretamente nos recipientes (sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno de tamanho médio) ou em canteiros, para repicagem posterior. A germinação é epígea e fanerocotiledonar, com emergência entre 10 e 15 dias após a semeadura e taxa de 70% a 90%. Por volta dos 6 meses, as mudas já têm tamanho adequado para o plantio definitivo. As raízes formam associação simbiótica com Rhizobium, gerando nódulos do tipo mucunóide com baixa atividade da nitrogenase.
Espécie heliófila que suporta temperaturas baixas. Apresenta hábito tortuoso, sem dominância apical clara, com ramificação pesada e bifurcações; como a desrama natural é fraca, requer podas frequentes de condução e de galhos. Recomenda-se o plantio misto, e a espécie talvez possa ser usada no sombreamento de cafezais em sistemas agroflorestais.
Cresce com rapidez no campo, atingindo cerca de 3,5 m de altura aos 2 anos de idade.
A precipitação média anual varia de 1.100 mm (Rio de Janeiro) a 2.100 mm (Bahia), com chuvas bem distribuídas no Sul (exceto no norte do Paraná) e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica vai de nula, no Sul, a moderada no inverno em áreas como o norte do Paraná e o sul de Mato Grosso do Sul. A temperatura média anual oscila entre 13 ºC (Campos do Jordão, SP) e 24,9 ºC (Rio Branco, AC), podendo a mínima absoluta chegar a -7,7 ºC em Campos do Jordão, onde também ocorrem de 0 a 30 geadas por ano em média (máximo de 81). Segundo Köppen, abrange os tipos Af, Aw, Cfa, Cfb, Cwa e Cwb, conforme a região.
Pouco exigente quanto ao solo, desenvolve-se em terrenos pedregosos de textura arenosa a areno-argilosa, tanto em ambientes secos quanto úmidos.