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Falsa-espinheira-santa

Maytenus aquifolia

Celastraceae Mata Atlântica
  • até 12 mAltura
  • Médio portePorte
MedicinaisOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: espinheira-santa, folha-de-serra, pau-de-serra, cancorosa, canchim, carvalho, espinheira-santa-falsa, guatambu-de-espinho, cancrossa

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pertencente à família Celastraceae e à ordem Celastrales, a espécie foi descrita por Mart. e publicada em Flora 24 (2): 4, em 1841. Já recebeu os sinônimos Maytenus aeruifolium Mart. e Maytenus oxyodonta Reiss. O nome do gênero Maytenus tem origem na palavra maitén, do idioma indígena chileno mapuche, usada para nomear uma celastrácea arbórea nativa do Chile, a Maytenus boaria L.

Descrição botânica

Planta perenifólia que pode assumir hábito de arbusto, arvoreta ou árvore, alcançando, nos exemplares adultos de maior porte, cerca de 12 m de altura e 20 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é liso e de fuste curto, com casca de até 5 mm de espessura cujo ritidoma exibe estrias longitudinais. A ramificação é cimosa, e os ramos jovens são glabros e de seção cilíndrico-achatada. As folhas são simples, alternas e de consistência subcoriácea, com lâmina de 6 a 19 cm de comprimento por 2 a 6 cm de largura; o limbo varia de elíptico a estreitamente elíptico e tem sempre a margem espinescente, guarnecida por numerosos dentes ou espinhos dispostos regularmente, que lembram uma serra grossa. O ápice é mucronado, a base cuneada a obtusa, a nervura principal é saliente nas duas faces e o pecíolo mede de 0,5 a 1 cm. As inflorescências formam fascículos multifloros, reunindo de 10 a 20 flores. As flores são bissexuadas e pouco vistosas, com pedicelo de 4 a 7 mm bracteolado na base, sépalas ovais de cerca de 4 mm, pétalas ovais de aproximadamente 5 mm por 3 mm e estames com filetes alargados na base. O fruto é uma cápsula bivalvar, orbicular, de pericarpo maduro castanho-amarelado. As sementes são eretas, suborbiculares, elipsoides ou obovais, por vezes angulosas, e ficam totalmente envolvidas por um arilo carnoso de cor branca que as recobre por inteiro.

Uso e ecologia
medicinalpaisagismorecuperação de áreasenergético
Produtos e utilizações

A madeira é moderadamente densa (0,70 g/cm³ a 15% de umidade), com alburno e cerne pouco diferenciados e de tom esbranquiçado; tem resistência mecânica média, baixa durabilidade, textura média e grã revessa. Em razão das pequenas dimensões disponíveis, tem pouco valor comercial para serraria ou peças roliças, e seu uso como lenha e carvão também é limitado pelo porte reduzido; para celulose e papel é considerada inadequada. O destaque está no uso medicinal: a espécie tem eficácia comprovada no tratamento de gastrite e úlcera e propriedades muito próximas às da Maytenus ilicifolia, com a qual divide quase todos os nomes populares. Entre seus constituintes fitoquímicos figuram terpenos (como a maitensina), taninos, flavonoides, mucilagens, antocianos e açúcares. Apesar do crescimento lento, possui qualidades ornamentais que a tornam adequada à arborização urbana, sobretudo em ruas estreitas e sob fiação elétrica.

Aspectos ecológicos

Não possui classificação sucessional definida e desenvolve-se predominantemente no sub-bosque da Floresta Estacional Semidecidual. No bioma Mata Atlântica, é encontrada na Floresta Estacional Decidual (formação das Terras Baixas) no Rio Grande do Sul; na Floresta Estacional Semidecidual (formações Submontana e Montana) em Minas Gerais, no Paraná e em São Paulo, com densidade de até 43 indivíduos por hectare; e na Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária), formação Montana, no Paraná. Ocorre ainda em ambientes fluviais ou ripários em Minas Gerais, no Paraná e em São Paulo, nesse caso com densidade de até um indivíduo por hectare.

Floração e frutificação

A floração acontece de junho a outubro e a frutificação, com frutos maduros, de outubro a março, ambas registradas em São Paulo.

Fauna associada

É uma espécie monoica, polinizada essencialmente por abelhas e por diversos insetos pequenos. A dispersão de frutos e sementes é principalmente zoocórica, com destaque para a atuação das aves.

Plantio e silvicultura
Sementes

A colheita é feita na árvore, quando os frutos atingem a maturação — momento marcado pela abertura das valvas, pelo pericarpo de cor vermelho-escura e pelo arilo exposto. Depois de colhidos, os frutos devem ser mantidos à sombra até abrirem completamente e liberarem as sementes, das quais o arilo é então retirado manualmente. O número de sementes por quilo vai de 10.090, a 44% de umidade, a 36.496, a 6% de umidade. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo. As sementes têm comportamento ortodoxo no armazenamento, mas perdem rapidamente a viabilidade quando guardadas fora de câmara fria.

Produção de mudas

Recomenda-se semear em sacos de polietileno ou em tubetes de polipropileno de tamanho médio (120 cm³), repicando, quando preciso, assim que as plântulas tiverem de 4 a 5 folhas. A germinação é epígea ou fanerocotiledonar: sementes escuras germinam em torno de 82% e as enrugadas, cerca de 63%, enquanto as claras não germinam; semeadas logo após a coleta e a remoção do arilo, alcançam de 70% a 80% de germinação. As mudas chegam a 25 cm de altura por volta de 9 meses após a semeadura. A propagação vegetativa também é possível por micropropagação, a partir de segmentos nodais e apicais de plantas jovens.

Características silviculturais

Tolera tanto a luz direta quanto o sombreamento e aparece na terceira e na quarta fase de sucessão, além de suportar baixas temperaturas. Não tem dominância apical definida, ramifica-se desde a base e apresenta desrama natural fraca, o que exige podas frequentes de condução e de galhos. Para o plantio, indica-se o sistema consorciado ou em linhas, em floresta secundária no estágio de capoeirão. Estudos com populações naturais indicam que a maior parte da variabilidade genética está concentrada dentro das próprias populações.

Crescimento e produção

O crescimento é lento.

Clima

A precipitação média anual varia de 1.100 mm, no Rio de Janeiro, a 2.000 mm, no Rio Grande do Sul, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano no Sul e periódicas no restante da área. A deficiência hídrica é nula na maior parte da Região Sul (exceto no norte do Paraná), pequena no verão do sul do Rio Grande do Sul e de pequena a moderada no inverno do centro e leste de São Paulo e do sul de Minas Gerais. A temperatura média anual oscila entre 16,3 ºC (Caxias do Sul, RS) e 23,7 ºC (Rio de Janeiro, RJ), com mínima absoluta de -8,4 ºC (Guarapuava, PR) e ocorrência de 0 a 13,4 geadas por ano, podendo chegar a 33 no centro-sul do Paraná. Segundo Köppen, abrange os tipos Am no Espírito Santo, Aw em Minas Gerais, Cfa no noroeste e norte do Paraná, no Rio Grande do Sul e no nordeste de São Paulo, Cfb no centro-sul do Paraná e no Rio Grande do Sul, Cwa em Minas Gerais e São Paulo, e Cwb no sul de Minas Gerais.

Solos

Cresce sobretudo em várzeas aluviais e em solos argilosos profundos de drenagem lenta. Em plantios, desenvolve-se melhor em solos férteis, bem drenados e de textura argilosa.