Foto: Fabrício Mil Homens Riella (CC BY) via GBIF
Embiruçu
Pseudobombax grandiflorum
- até 25 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: buruçu, imbiruci, imbiruçu, paineira-rosa, embiruçu-da-mata, paina-do-campo, paineira-branca, paineira-lisa, cedro-de-água, paina-amarela, paineira-amarela, cedro-d’água, embiriçu, paina-de-arpoador, paina-do-brejo, imbiruçu-do-cerrado
Botânica
Pertencente à família Bombacaceae, o embiruçu tem como nome científico Pseudobombax grandiflorum (Cavanilles) A. Robyns, publicado em 1963. Seu sinônimo botânico mais citado na literatura é Bombax grandiflorum Cav. O nome do gênero, Pseudobombax, quer dizer literalmente "falso" Bombax, em alusão à paina; já o epíteto grandiflorum faz referência às flores de grande tamanho. A denominação popular embiruçu tem origem no tupi mbira-assu, que significa "embira grande".
Trata-se de uma árvore decídua que, em idade adulta, pode alcançar cerca de 25 m de altura e 90 cm de diâmetro à altura do peito (DAP, medido a 1,30 m do solo). Indivíduos que crescem diretamente sobre afloramentos calcários costumam perder e renovar a folhagem mais cedo do que os que vivem no entorno desses afloramentos, o que aponta para mecanismos eficazes de economia de água. O tronco é reto a ligeiramente tortuoso, longo, liso e sem espinhos. A ramificação é racemosa, com galhos esparsos e irregulares. A casca chega a 10 mm de espessura, sendo a parte externa de cor cinza-clara e profundamente sulcada na vertical, enquanto a interna é vermelha. As folhas são compostas, digitadas e pecioladas, reunindo de 4 a 11 folíolos, com estípulas que caem cedo; os pecíolos medem de 7 a 35 cm e têm estrias longitudinais. Os folíolos são sésseis ou apresentam pequenos pecíolos de 0,3 a 1 cm (raramente 2 cm), com lâmina de formato variável (elíptica, oval, oboval ou elíptico-oblonga), ápice obtuso a acuminado, margem inteira, face superior glabra e a inferior glabra ou pouco escamosa, medindo de 5,5 a 28 cm de comprimento por 2,5 a 10,5 cm de largura, e de 10 a 32 nervuras laterais. As inflorescências surgem em cimeiras de duas flores, subterminais e pedunculadas. As flores são grandes, vistosas, brancas, hermafroditas, solitárias, terminais, actinomorfas e pentâmeras, com cálice em forma de cúpula, escamoso por fora e revestido de pelos dourados por dentro; as pétalas são carnosas e pilosas, e o odor das flores é intensamente adocicado e desagradável, variando conforme o estágio de abertura. O fruto é uma cápsula repleta de sementes pretas envoltas em paina. As sementes são pequenas, achatadas, arredondadas, de cor marrom-clara e cobertas por pelos branco-amarelados (a paina), que são muito leves, elásticos e brilhantes.
Uso e ecologia
Por ser muito leve e ter propriedades físico-mecânicas de baixas a médias, além de grande vulnerabilidade ao ataque de organismos xilófagos, a madeira presta-se sobretudo à caixotaria leve e ao miolo de compensados. Também pode ser empregada em marcenaria, miolo de portas, ceparia, muletas, painéis, embalagens e tamancos. A madeira do embiruçu é muito leve, com densidade aparente de 0,26 a 0,39 g/cm³ a 15% de umidade; o cerne é bege levemente rosado, com finas estrias longitudinais pardacentas, e o alburno, pouco distinto, é bege-claro. A superfície é um pouco brilhante e áspera ao toque, a textura é grossa, a grã é direita e o cheiro e o gosto são imperceptíveis. A durabilidade natural é muito baixa diante de organismos xilófagos, exigindo cuidados contra a degradação biológica, mas a estrutura anatômica sugere boa permeabilidade a soluções preservantes sob pressão. A lenha é de péssima qualidade. A madeira é apropriada para a fabricação de papel, com fibras de 96 mm de comprimento e teor de lignina com cinza de 24,7%. A paina que recobre as sementes pode servir de enchimento para colchões, almofadas e travesseiros.
O embiruçu é classificado como espécie pioneira a secundária inicial, fotoblástica positiva e típica colonizadora de clareiras, com comportamento característico de espécie secundária. Aparece tanto no interior de florestas primárias quanto, principalmente, em formações secundárias como capoeiras e capoeirões. Na Mata Atlântica, ocupa a Floresta Estacional Semidecidual nas formações submontana e montana de Minas Gerais (com 2 a 17 indivíduos por hectare) e a Floresta Ombrófila Densa, das terras baixas à montana, no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, além de restingas no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. No bioma Cerrado, ocorre em cerrado lato sensu e cerradão, em Minas Gerais. Está presente ainda em ambientes ripários no Paraná, Minas Gerais e São Paulo, em áreas erodidas de calcário Bambuí na Bahia, em florestas de brejo em São Paulo e sobre afloramentos calcários em Minas Gerais.
A floração ocorre de abril a julho em Minas Gerais, de abril a agosto no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, de maio a julho no Paraná e de maio a agosto em São Paulo. Os frutos amadurecem de junho a setembro em Minas Gerais, de agosto a setembro no Paraná e de setembro a novembro em São Paulo.
A espécie é monóica e tem como principais polinizadores os morcegos da família Phyllostomidae (Anoura caudifer e A. geoffroyi) e abelhas silvestres, em especial as irapuá; a mariposa Cocytius antaeus, da família Sphingidae, pode atuar como polinizador eventual. A dispersão de frutos e sementes é feita pelo vento (anemocórica). As flores, ricas em néctar, também são consumidas por macacos-prego, que apreciam tanto as flores quanto as folhas.
Plantio e silvicultura
A espécie produz grande quantidade de sementes todos os anos. O ideal é colher os frutos diretamente da árvore assim que começam a se abrir espontaneamente, o que se percebe pela presença de flocos de plumas cor de creme no lugar dos frutos. Depois da colheita, os frutos devem ser expostos ao sol para completar a abertura, retirando-se as sementes envoltas em pluma manualmente. Cada quilo reúne de 10 mil a 15 mil sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo e mantêm a viabilidade por até 6 meses em armazenamento. Em laboratório, por ser fotoblástica positiva, a espécie germina melhor sob luz vermelha (27,5%), vermelho-longa (24,4%) e azul (22%) do que sob luz branca.
Recomenda-se semear em sementeiras para posterior repicagem, ou colocar duas sementes em sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, ou ainda em tubetes de polipropileno de tamanho médio, usando substrato organo-argiloso em embalagens individuais. A repicagem deve ser feita de 2 a 3 semanas após a germinação. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência entre 5 e 15 dias após a semeadura e poder germinativo geralmente alto, chegando a 95%. As mudas ficam aptas ao plantio cerca de 6 meses após a semeadura. Em viveiro, convém manter os canteiros parcialmente sombreados.
Espécie heliófila, o embiruçu não suporta temperaturas baixas. Seu crescimento é monopodial, com os galhos dispostos em pseudoverticilos. Pode ser plantado a pleno sol, em pequenos plantios puros ou em plantios mistos junto a outras espécies pioneiras, e rebrota da touça ou cepa. É indicado para a recuperação de áreas degradadas de preservação permanente e para a revegetação de voçorocas.
No campo, o desenvolvimento é rápido, atingindo de 3 a 4 m de altura aos 2 anos de idade.
A precipitação média anual nas áreas de ocorrência varia de 830 mm, na Bahia, a 2.700 mm, em São Paulo, com chuvas bem distribuídas no Sul (exceto o norte do Paraná) e no litoral paulista, e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica vai de nula, no Sul e litoral paulista, a forte no inverno do oeste de Minas Gerais. A temperatura média anual oscila entre 19,3 ºC (São Paulo, SP) e 25,3 ºC (Bom Jesus da Lapa, BA), com mínima absoluta registrada de -5 ºC (Telêmaco Borba, PR). As geadas variam de 0 a 10 por ano, com máximo absoluto de 18 no Paraná, predominando ausência ou baixa frequência. Conforme a classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, Aw, Cfa, Cwa e Cwb.
Cresce de forma natural em solos úmidos, tanto de boa quanto de média fertilidade, sendo mais comum nestes últimos.