Foto: Alan Valentino (CC BY) via GBIF
Embiriba
Eschweilera ovata
- até 28 mAltura
- Grande portePorte
Também conhecida como: biriba, imbiriba, sapucarana, biriba-branca, biriba-preta, tauarizinho
Botânica
Pela classificação do The Angiosperm Phylogeny Group (APG II), a espécie pertence à divisão Angiospermae, clado das Asterídeas e ordem Ericales (na proposta de Cronquist, era situada em Lecythidales), dentro da família Lecythidaceae. O binômio aceito é Eschweilera ovata (Cambessèdes) Miers, descrito originalmente em 1874 nas Transactions of the Linnean Society of London. Entre seus sinônimos mais citados estão Lecythis ovata Cambessèdes e Eschweilera luschnathii (Berg) Miers, embora a espécie acumule uma sinonímia ampla, catalogada por Mori e Prance. Quanto à etimologia, o gênero Eschweilera homenageia F. G. Eschweiller, médico e botânico de Regensburgo, na Alemanha, enquanto o epíteto ovata deriva do latim ovatus, em referência ao formato ovoide.
Trata-se de uma planta de porte arbustivo a arbóreo, perenifólia (sempre-verde) na renovação das folhas. Os maiores exemplares chegam perto de 28 m de altura e 60 cm de DAP quando adultos, mas em ambientes pouco favoráveis podem não passar de 3 m. O tronco costuma ser reto, com fuste de até 7 m. A ramificação é racemosa e a copa, piramidal e densa. A casca atinge cerca de 10 mm de espessura: a parte externa (ritidoma) é pardo-amarelada, lisa e levemente fissurada, com fissuras que se interligam e se desprendem em tiras finas, enquanto a casca interna é branca. As folhas são simples, alternas, elípticas e subcoriáceas, com lâmina de 5 a 14 cm de comprimento por 3 a 6 cm de largura, base obtusa e arredondada, ápice agudo a acuminado, margem inteira e ligeiramente revoluta, apresentando de 8 a 10 pares de nervuras laterais e pecíolos canaliculados de 5 a 8 mm. As inflorescências formam racemos terminais ou nas axilas das folhas superiores, de 3 a 12 cm de comprimento, com eixos não ramificados, glabros e quase pretos quando secos, e pedicelos de 10 a 15 mm. As flores são hermafroditas, amarelas e brancas, bastante perfumadas, com 3 a 4 cm de diâmetro, seis pétalas creme e androceu amarelo-claro cujo capuz se enrola duas vezes, com apêndices sempre desprovidos de anteras; as sépalas são verdes, oblongas ou ovadas, medindo de 4 a 7 mm por 3 a 7 mm. Os frutos são turbinados, em geral assimétricos na base, com 3,0 a 3,5 cm, pericarpo de 2 a 3 mm de espessura, tampa apiculada e de 1 a 4 sementes. As sementes são listradas e possuem arilo lateral amarelado e bem desenvolvido.
Uso e ecologia
As flores são ricas em pólen e têm bom potencial apícola. As sementes, ou castanhas, são comestíveis. A madeira é densa (massa específica aparente de 1,03 g/cm³ a 12% de umidade), de coloração pardo-amarelada a oliváceo-clara, compacta, uniforme, resistente e moderadamente durável; nas regiões onde a espécie ocorre, é bastante usada em construção civil e naval, como mastros, vigas, dormentes, mourões, estacas de fundação, postes, ripas de telhado, escoras, pontes e em marcenaria. Também rende lenha de boa qualidade, embora seja inadequada para celulose e papel. A árvore é ornamental e recomendada para paisagismo.
Considerada uma espécie climácica que também se comporta como pioneira antrópica, a embiriba é muito comum na Floresta de Tabuleiro do norte do Espírito Santo, sobretudo em vegetação secundária (capoeiras). No bioma Amazônia, aparece na Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas do Amapá e do Pará. Na Mata Atlântica, ocupa a Floresta Estacional Semidecidual de Terras Baixas em Minas Gerais e Pernambuco (até 28 indivíduos por hectare) e a Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas em Alagoas, Bahia, norte do Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco e Sergipe, onde pode alcançar 39 indivíduos por hectare, ou cerca de 200 por hectare se considerados desde plântulas até adultos. Surge ainda nas formações Submontana e Montana de Pernambuco (até 45 indivíduos por hectare). Entre outros ambientes, é encontrada em matas ciliares da Paraíba, em brejos de altitude do Nordeste, nos cacauais do sul da Bahia, no ecótono savana/restinga do extremo norte do litoral paraibano, em florestas inundáveis do Tocantins e em restingas da Bahia, Paraíba, Pernambuco e Sergipe.
A floração varia conforme a região: de setembro a outubro no Maranhão; de setembro a maio na Bahia; em novembro no Mato Grosso; de novembro a maio em Pernambuco; em dezembro em Alagoas; de dezembro a maio no Espírito Santo; de dezembro a julho no Pará; e em janeiro no Amapá. Os frutos amadurecem de dezembro a abril em Pernambuco; de janeiro a fevereiro no Pará; de fevereiro a abril na Bahia; em agosto no Espírito Santo; e de setembro a dezembro no Maranhão.
É uma espécie hermafrodita e alógama, com tendência ao cruzamento (endogamia biparental). A polinização fica a cargo principalmente de abelhas do grupo Euglossinae e do gênero Xylocopa. A dispersão ainda foi pouco estudada nessa espécie, e observa-se que boa parte das sementes cai perto das árvores-mãe; ainda assim, pesquisas com outras Lecythidaceae sugerem que a família é dispersa sobretudo por morcegos, aves, pequenos roedores e primatas.
Plantio e silvicultura
Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore assim que começam a abrir espontaneamente; em seguida, são postos para secar à sombra até completarem a abertura e soltarem as sementes. Cada quilo reúne de 460 a 550 sementes, que não exigem tratamento pré-germinativo. De comportamento fisiológico recalcitrante, perdem a viabilidade rapidamente quando armazenadas em condições ambientais.
Recomenda-se semear 1 a 2 sementes em recipientes com no mínimo 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência iniciando entre 25 e 45 dias após a semeadura e taxa irregular, de 40% a 80%. As mudas ficam aptas para o plantio cerca de 9 meses após a semeadura.
Espécie heliófila, não suporta baixas temperaturas. Seu crescimento é irregular, com ramificação pesada e sem dominância apical, exigindo podas de condução e de ramos; brota da touça. Pode ser plantada a pleno sol em consórcio misto com espécies pioneiras e secundárias, em vegetação matricial arbórea, em faixas abertas em capoeiras ou em linhas. Em sistemas agroflorestais, é mantida no sistema de cabruca, dentro da mata atlântica raleada sobre o cacau, no sul da Bahia. As populações estudadas mostram alta diversidade genética e grande potencial para conservação genética in situ e ex situ, além de coleta de germoplasma voltada à produção de mudas para restauração de áreas degradadas e ao melhoramento florestal.
Há poucos dados sobre o desenvolvimento da embiriba em plantio. Seu crescimento é lento, mas chega a alcançar produção volumétrica de até 6 m³/ha/ano aos 14 anos de idade, no sul da Bahia.
A precipitação média anual fica entre 1.100 mm (Minas Gerais e Pernambuco) e 2.600 mm (Pernambuco e Amapá), com chuvas periódicas na maior parte da área e regime uniforme a periódico no litoral baiano e em trechos de Alagoas e Pernambuco. A deficiência hídrica vai de nula a forte conforme a localidade. A temperatura média anual situa-se entre 21,6 ºC (Areia, PB) e 26,5 ºC (Macapá, AP), com mínima absoluta registrada de 10 ºC (Linhares, ES, em 1979) e ausência de geadas em toda a área. Pela classificação de Köppen, abrange os tipos Af no litoral sul da Bahia, Am no Amapá, Bahia, Espírito Santo, Pará e norte do litoral paraibano, As em Alagoas, litoral norte da Bahia, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, e Aw no nordeste do Espírito Santo, norte do Maranhão, Minas Gerais e Tocantins.
Na natureza, a embiriba se desenvolve em solos de baixa fertilidade e com pouca capacidade de reter umidade.