voltar ao catálogo

Embaúba-vermelha

Cecropia glazioui

Urticaceae Mata Atlântica
  • até 18 mAltura
  • Médio portePorte
FrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: imbaúba, embaúba, embaúba-dos-piriquitos, imbauva, embaúva

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pelo sistema do Angiosperm Phylogeny Group (APG II, 2003), a espécie pertence à divisão Angiospermae, clado Eurosídeas I, ordem Rosales e família Urticaceae. Na classificação de Cronquist, era enquadrada na ordem Urticales e na família Cecropiaceae. O gênero é Cecropia e a espécie, Cecropia glazioui Snethlage, descrita pela primeira vez em 1923. O nome genérico remete a Cecrops, figura mitológica meio homem e meio serpente, em alusão também ao caule oco que serviria como instrumento de sopro; o epíteto específico homenageia o botânico Glaziou. Neste volume adotou-se a grafia glazioui, conforme a Recomendação 60C.1(a) do Código Internacional de Nomenclatura Botânica.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore perenifólia (sempre-verde), com troca contínua das folhas, que na fase adulta alcança cerca de 18 m de altura e 40 cm de diâmetro à altura do peito. O tronco é ereto, cilíndrico e oco, com frequentes raízes adventícias em forma de escora; em seu interior costumam viver formigas do gênero Azteca. A ramificação é monopodial e a copa, pequena e mais ou menos corimbosa, com ramos glabros ou pubescentes. A casca atinge até 5 mm de espessura, sendo a parte externa lisa e marcada pelas cicatrizes das folhas e pecíolos antigos. As folhas são alternas ou verticiladas, simples, arredondadas, de textura cartácea a subcoriácea, divididas em 8 a 12 lobos e medindo de 25 cm a 80 cm de diâmetro quando maduras; as incisões vão de 1/3 a 1/2 do centro e os lobos têm ápice arredondado a obtuso, raramente acuminado. A face superior é pubérula e a inferior pubescente, com diferentes tipos de tricomas e indumento aracnoideo concentrado na margem e nas nervuras; há de 10 a 17 pares de nervuras secundárias no segmento mediano. O pecíolo mede de 55 cm a 80 cm de comprimento e é pubescente. As estípulas, vermelho-escuras por fora e vináceas por dentro, medem de 8 cm a 15 cm de comprimento por 4 cm a 9 cm de largura. As inflorescências masculinas surgem aos pares e pêndulas, com pedúnculo comum de 2 cm a 7 cm e espata de cerca de 22 cm, verde-clara; reúnem de 4 a 12 amentilhos de 8 cm a 22 cm de comprimento. As femininas, também aos pares e pêndulas na maturação, têm pedúnculo comum de 8 cm a 28 cm, espata de até 15 cm e de 4 a 8 amentilhos de 7 cm a 28 cm. As flores estaminadas têm perianto pubescente, e as pistiladas, perianto carnoso. Os frutos são elipsoides a ovais, com cerca de 2 cm de comprimento, e as sementes, oblongas a ovais, com testa lisa.

Uso e ecologia
paisagismorecuperação de áreasmedicinalalimentícioapícolamadeireiro
Produtos e utilizações

A madeira é leve (densidade aparente de 0,41 g/cm³), com cerne e alburno indistintos e de cor esbranquiçada, textura uniforme, macia ao corte, de baixa resistência mecânica e pouco durável. É aproveitada na fabricação de brinquedos, caixotaria, forros, saltos para calçados, palitos de fósforo, lápis, compensados e aeromodelos, além de jangadas e flutuadores. A espécie também serve à produção de papel e celulose. Como lenha tem qualidade muito ruim, mas é usada no fabrico de pólvora. Os frutos são comestíveis e as flores fornecem pólen, com potencial apícola. No campo medicinal, atua contra bronquite e tosse, com efeito hipotensor e diurético; em Arraial do Cabo (RJ), pescadores preparam chá das flores para auxiliar a digestão. Entre seus constituintes fitoquímicos estão a isovitexina, flavonoide de ação anti-hipertensiva, além de outros taninos e flavonoides. A folha, bastante áspera, é usada como lixa de madeira, e os pecíolos servem para confeccionar gaiolas e armadilhas para captura de pássaros.

Aspectos ecológicos

É uma espécie pioneira que germina apenas em locais abertos; em pequenas clareiras na floresta chegou-se a registrar 100% de germinação. Rara nas florestas primárias, é comum em bordas de mata e em formações secundárias (capoeiras e capoeirões), onde por vezes se torna abundante. Está associada ao bioma Mata Atlântica, na Floresta Estacional Semidecidual (formações submontana, montana e alto-montana), na Floresta Ombrófila Densa, na Floresta Ombrófila Mista (com araucária) e ainda em ambientes ripários (mata ciliar) e na restinga. As frequências variam conforme a formação, chegando a até 33 indivíduos por hectare na Floresta Ombrófila Densa.

Floração e frutificação

A floração ocorre de dezembro a fevereiro em São Paulo, de março a janeiro no Paraná, de julho a agosto em Minas Gerais e de agosto a dezembro em Santa Catarina. Os frutos amadurecem de setembro a outubro em Minas Gerais e de novembro a fevereiro no Paraná.

Fauna associada

A espécie é dioica. A polinização ocorre pelo vento (anemofilia) e por abelhas (melitofilia). A dispersão de frutos e sementes é feita por animais (zoocoria), sobretudo por morcegos, entre eles Artibeus fimbriatus, Artibeus lituratus, Artibeus jamaicensis e Sturnira lilium. A planta é muito importante para a fauna: o bicho-preguiça consome seus brotos, folhas e infrutescências, e os frutos, produzidos anualmente em grande quantidade, atraem inúmeras aves e outros animais. No interior do caule vivem formigas agressivas do gênero Azteca, que recebem abrigo e alimento (uma mucilagem secretada pelas brácteas dos brotos) e, em troca, defendem a árvore contra intrusos.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando começarem a ser parcialmente comidos por aves. Em seguida, são acondicionados em sacos plásticos para facilitar a separação das sementes, que são muito pequenas e retiradas por lavagem em água corrente sobre peneira fina. Cada quilo reúne cerca de 2 milhões de sementes. Não há necessidade de tratamento pré-germinativo. As sementes mantêm a viabilidade por até 1 ano, e a temperatura ideal para a germinação em laboratório fica entre 25 ºC e 30 ºC.

Produção de mudas

A semeadura deve ser feita logo após a colheita, em canteiros semissombreados com substrato orgânico; as sementes não devem ser cobertas, apenas irrigadas com suavidade. A germinação é epígea (fanerocotiledonar), com emergência iniciando de 20 a 30 dias após a semeadura e poder germinativo em torno de 50%. Recomenda-se investigar a presença de fungos micorrízicos arbusculares, já que outras espécies do gênero apresentam essa associação simbiótica.

Características silviculturais

É uma espécie heliófila, que não suporta baixas temperaturas. Apresenta excelente derrama natural e, quando jovem, rebrota após cortes, mesmo depois de perturbação pelo fogo. O plantio recomendado é a pleno sol. O número cromossômico é 2n = 28.

Crescimento e produção

Não há dados disponíveis sobre o desenvolvimento da espécie em plantios, mas seu crescimento é considerado rápido.

Clima

A precipitação média anual varia de 770 mm, no Rio de Janeiro, a 3.200 mm, em São Paulo, com chuvas bem distribuídas do litoral paulista ao extremo nordeste do Rio Grande do Sul e periódicas nas demais regiões. A deficiência hídrica vai de nula nessas áreas mais úmidas a moderada no inverno em diversos pontos do Sudeste. A temperatura média anual oscila entre 16,6 ºC (Resende, RJ) e 24,3 ºC (Ilhéus, BA); a do mês mais frio fica entre 12,8 ºC e 22,1 ºC, e a do mais quente, entre 19,7 ºC e 26,5 ºC. A mínima absoluta registrada foi de -3 ºC, em Itatiaia (RJ). As geadas vão de ausentes a frequentes acima de 1.100 m de altitude nas serras da Cantareira, da Mantiqueira e da Bocaina. Pela classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, As, Aw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

Na natureza, a embaúba-vermelha cresce em fundos de vale e no início das encostas, em solos argilosos com teores médios a elevados de matéria orgânica. Também se desenvolve bem em solos de textura arenosa a franco-arenosa, com indícios de lençol freático elevado.