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Foto de Embaúba-prateada

Foto: (c) B. Phalan, some rights reserved (CC BY), uploaded by B. Phalan (cc-by) via iNaturalist

Embaúba-prateada

Cecropia hololeuca

Cecropiaceae Mata AtlânticaCaatinga
  • 6 a 12 mAltura
  • Médio portePorte
Raras / ameaçadasFrutíferasMedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: ambaitinga, embaíba, embaúba-branca, embaúba, umbaúba-branca, embaúva-branca, embaúva-preta, imbaúba-branca

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Seguindo o sistema de classificação de Cronquist, a espécie pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e ordem Urticales, dentro da família Cecropiaceae. Foi descrita como Cecropia hololeuca por Miquel (Martius, Fl. Bras., 1853), tendo Cecropia leucocoma Miquel como sinônimo botânico. Quanto à etimologia, o nome do gênero Cecropia remete a Cecrops, figura mitológica filha da Terra com forma meio humana e meio serpente, ou ainda ao termo grego que significa chamar ou ecoar, em referência ao caule e aos ramos ocos das plantas do gênero, aproveitados na confecção de instrumentos de sopro. Já o epíteto hololeuca une os termos gregos holos (todo) e leuco (branco), aludindo aos pelos esbranquiçados que recobrem as folhas.

Descrição botânica

Trata-se de uma arvoreta ou árvore perenifólia que, na fase adulta, alcança de 6 a 12 m de altura e diâmetro do tronco entre 20 e 30 cm. O tronco é reto e cilíndrico, marcado por anéis e grandes cicatrizes deixadas pelas folhas. A ramificação é do tipo cimoso típico e forma uma copa bastante aberta, cuja folhagem prateada é a marca registrada da espécie. A casca chega a 12 mm de espessura; externamente é cinza-clara, lisa, com lenticelas e anéis nos nódulos. As folhas são peltadas, podem chegar a 60 cm de comprimento e dividem-se em 6 a 10 lobos profundos; são coriáceas e têm ambas as faces revestidas por um denso tomento branco como a neve. Os lobos atingem até 35 cm, sendo os superiores cerca de duas vezes maiores que os inferiores, todos oblongo-obovais, de ápice largo e arredondado, com nervuras robustas e bastante salientes na face dorsal. O pecíolo mede de 30 a 45 cm, é glabro ou coberto por pelos aracnoides brancos, sem triquílios na base. As estípulas, de 10 a 40 cm, variam externamente do amarelo-pálido ao acastanhado, ou do branco-sedoso ao viloso, sempre com densos pelos aracnoides. As flores reúnem-se em numerosas pseudoespigas sustentadas por um pedúnculo axilar comum, protegido por uma espata que cai cedo. As inflorescências masculinas surgem aos pares, com pedúnculo de 5 a 12 cm de comprimento e 5 a 8 mm de diâmetro, esverdeado na base e vináceo em direção ao ápice, glabro ou com pelos brancos vilosos. As inflorescências femininas também aparecem aos pares e ficam pendentes na frutificação. O fruto é elipsoide a oblongo, reunido em infrutescência marrom-escura com grande número de sementes; cada fruto individual é um aquênio de 2 a 4 mm. A semente é marrom-escura e mede de 2 a 4 mm de comprimento.

Uso e ecologia
madeireiropaisagismorecuperação de áreasmedicinalalimentícioapícola
Produtos e utilizações

A madeira presta-se à fabricação de objetos leves, como palitos de fósforo, lápis, brinquedos, peças de aeromodelismo, tamancos, saltos de calçado, flutuadores, jangadas, caixotaria leve e compensados. No interior de Minas Gerais, os caules jovens já foram aproveitados como calhas para a condução de água. Por ser oca internamente, com o vão dividido em câmaras separadas por lamelas transversais, e por ter densidade baixa (0,43 g/cm³), a madeira é leve. Seu alburno e cerne não se diferenciam e exibem cor branco-palha-clara uniforme; a superfície é lisa e lustrosa, a textura grossa e a grã direita, sem cheiro ou sabor perceptíveis. Em condições adversas, é extremamente vulnerável a organismos xilófagos, mas absorve bem soluções preservantes em tratamento sob pressão. Como combustível, fornece lenha de baixo poder calorífico e é indicada para produção de carvão químico. A espécie também serve à produção de polpa para celulose e papel, com bom rendimento e resistência. Da casca extrai-se estopa para a confecção de cordas. Entre seus constituintes químicos estão o alcaloide cecropina, o glicosídeo ambaína, o ácido gálico e resina.

Aspectos ecológicos

É uma espécie pioneira e está entre as árvores mais bonitas da flora brasileira, conferindo fisionomia inconfundível às matas onde vive, graças à folhagem prateada que se destaca no verde da vegetação. Habita tanto a floresta primária quanto formações secundárias, como capoeiras e capoeirões. Ocorre na Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), nas formações baixo-montana e de tabuleiro do norte do Espírito Santo, e na Floresta Estacional Semidecidual, na formação baixo-montana e no domínio da Caatinga, em Minas Gerais.

Floração e frutificação

A floração acontece em mais de um período ao longo do ano, com pico entre março e outubro em Minas Gerais. Os frutos amadurecem de julho a setembro em São Paulo e de julho a novembro em Minas Gerais. Quando introduzida no Paraná, a planta começou a frutificar aos 6 anos, no período de maio a junho.

Fauna associada

A espécie é dioica e tem a polinização realizada sobretudo por abelhas e por diversos insetos de pequeno porte. A dispersão é zoocórica, feita principalmente por morcegos, em especial Artibeus lituratus, e por aves.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos direto da árvore quando maduros, condição facilmente identificada pelos danos causados por pássaros. Depois, são mantidos amontoados em sacos plásticos por alguns dias, para iniciar a decomposição e facilitar a maceração em água. As sementes vêm envoltas por um halo mucilaginoso que precisa ser removido por lavagem e secagem ao sol; elas são separadas filtrando-se a suspensão dos frutos e secando-se o filtrado ao sol. Cada quilo reúne cerca de 9 mil sementes. A espécie apresenta dormência tegumentar e, na natureza, suas sementes são ingeridas por aves, cujos sucos digestivos ampliam o poder germinativo; ainda não há tratamento definido para superar essa dormência. As sementes têm alta longevidade natural e integram o banco de sementes do solo. Em laboratório, as melhores taxas de germinação, entre 85% e 100%, foram obtidas com temperaturas alternadas de 10ºC a 35ºC, sob alternância de luz e escuro.

Produção de mudas

A semeadura é feita em sementeiras, com posterior repicagem das plântulas para sacos de polietileno de no mínimo 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, ou para tubetes de polipropileno de tamanho médio. A repicagem deve ocorrer de 2 a 4 semanas após o início da germinação. A germinação é epígea e começa entre 20 e 60 dias após a semeadura, com poder germinativo geralmente baixo, de até 50%. As mudas alcançam tamanho adequado para o plantio cerca de 6 meses depois da semeadura. Recomenda-se usar canteiros semissombreados com substrato argiloso.

Características silviculturais

A embaúba-prateada é heliófila e não tolera baixas temperaturas. Seu crescimento é monopodial e a desrama natural é satisfatória. O método de regeneração indicado é o plantio a pleno sol; após danos provocados por geadas, a planta rebrota a partir do colo.

Crescimento e produção

O crescimento é rápido. Em Santa Helena, no oeste do Paraná, em espaçamento de 4 x 4 m e Latossolo Vermelho eutroférrico, a espécie apresentou, aos 10 anos de plantio, altura média de 14,04 m, DAP de 20,6 cm e 81,2% de plantas vivas, com incremento volumétrico estimado em 12 m³/ha/ano com casca, calculado a partir das médias de DAP e altura. O pico de crescimento volumétrico ocorreu aos 9 anos após o plantio, atingindo incremento de 13 m³/ha/ano.

Clima

A precipitação média anual em sua área de ocorrência vai de 1.000 mm, em Minas Gerais, a 2.500 mm, em Pernambuco. As chuvas variam de uniformemente distribuídas, no litoral do Rio de Janeiro, a periódicas, concentradas no verão. A deficiência hídrica é nula no litoral fluminense, moderada com estação seca pouco marcada no norte do Espírito Santo, e forte, com até 6 meses de seca, no centro-norte mineiro. A temperatura média anual varia de 18,1ºC (Diamantina, MG) a 25,5ºC (Recife, PE); a média do mês mais frio vai de 15,3ºC a 23,9ºC e a do mês mais quente, de 20ºC a 26,6ºC, nessas mesmas localidades. A mínima absoluta registrada foi de -2,2ºC, em Uberaba (MG). As geadas são ausentes a pouco frequentes, com até cinco por ano em São Paulo. Pelos tipos climáticos de Köppen, ocorre em clima tropical (Af, Am e Aw) e subtropical de altitude (Cwb e Cwa), tendo sido plantada no Paraná em clima subtropical úmido (Cfa).

Solos

Em condições naturais, cresce em solos ácidos e de baixa fertilidade, em relevos que vão de ondulado a fortemente ondulado. Em plantios experimentais, desenvolve-se melhor em solos com boas propriedades físicas, fertilidade química adequada, boa drenagem e textura argilosa.