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Foto de Cupiúva

Foto: Tarciso Leão from Saint Paul, MN (CC BY 2.0) via Wikimedia

Cupiúva

Tapirira guianensis

Anacardiaceae AmazôniaCerradoMata AtlânticaPantanal
  • até 30 mAltura
  • Grande portePorte
MedicinaisMadeireirasOrnamentaisRecuperação de áreas

Também conhecida como: pau-pombo, cupiúba, saboeiro, tatapiririca, pau-pombo-vermelho, fruta-de-pombo, mangueirinha, peito-de-pomba, pombeiro, tapirirá, tapiririca, tatapirica, camboatá, cubiúba, cupiúva-vermelha, cedro-í, copiúva, peito-de-pombo, tapiriri, aroeirana, cedro-novo

Botânica
Taxonomia e nomenclatura

Pela classificação de Cronquist, a cupiúva pertence à divisão Magnoliophyta (angiospermas), classe Magnoliopsida (dicotiledôneas) e ordem Sapindales. Está na família Anacardiaceae, gênero Tapirira, e foi descrita por Aublet como Tapirira guianensis, em publicação de 1775. O sinônimo botânico mais citado na literatura é Tapirira myriantha Triana & Planch., embora a espécie possua sinonímia bastante extensa. Quanto à etimologia, o nome do gênero deriva de tapiriri, termo da língua caraíba, enquanto o epíteto guianensis faz referência à sua origem nas Guianas.

Descrição botânica

Trata-se de uma árvore perenifólia que, na fase adulta, pode alcançar cerca de 30 m de altura e 80 cm de diâmetro à altura do peito (medido a 1,30 m do solo). O tronco é curto, podendo ser reto ou tortuoso, com fuste de até 6 m. A ramificação é cimosa ou dicotômica e a copa, larga e pouco densa, exibe folhagem verde-opaca, ramos glabros e esgalhamento amplo. A casca chega a 5 mm de espessura; externamente é cinza-escura a acastanhada, com manchas brancas, áspera e fissurada longitudinalmente nos exemplares maiores, enquanto a casca interna tem coloração avermelhada, semelhante a tijolo ou vinho. As folhas são compostas, alternas e imparipinadas, com 15 a 30 cm de comprimento e de 5 a 11 folíolos pouco pubérulos a glabros; os folíolos variam bastante em forma, número e tamanho, em geral obovados ou elípticos, às vezes oblongos, de consistência membranácea a coriácea, sem estípulas, medindo de 4 a 12 cm de comprimento por 3 a 4 cm de largura, com ápice acuminado e base obtusa. As inflorescências são panículas axilares de 7 a 37 cm, sendo as masculinas maiores e mais floríferas que as femininas. As flores são minúsculas, unissexuais por redução (raramente andróginas) e de coloração esverdeada a branco-amarelada. O fruto é uma drupa ovóide-oblonga e subtruncada, de 1 a 1,5 cm de comprimento e cerca de 0,8 cm de largura, com epicarpo violáceo que escurece para marrom e mesocarpo delgado; uma única planta pode produzir até 400 mil frutos. Cada fruto abriga uma semente, com taxa de poliembrionia de 2%.

Uso e ecologia
madeireirorecuperação de áreaspaisagismomedicinalapícola
Produtos e utilizações

Moderadamente densa (massa específica aparente de 0,51 a 0,66 g/cm³ e básica de 0,42 g/cm³), a madeira tem cerne róseo-pálido a róseo-claro uniforme e alburno bege-claro com tons rosados, bem diferenciado. Apresenta textura fina a média, grã direita, superfície lisa e brilho suave; nas faces longitudinais recém-cortadas costumam surgir pontos escuros de resina dos canais secretores radiais, facilmente removíveis com leve polimento. Não tem cheiro nem gosto perceptíveis. Sua durabilidade natural é baixa frente a organismos xilófagos, mas mostra-se permeável a soluções preservantes sob pressão; a secagem é difícil, com tendência a rachaduras, empenamentos, colapso e endurecimento superficial. Macia ao corte, é leve e fácil de trabalhar, ainda que com propriedades mecânicas modestas. Presta-se a brinquedos, compensados, embalagens, caixotaria leve, ferramentas e implementos, móveis comuns, entalhes, saltos de calçados, cabos de vassoura e de ferramentas, lambris, tabuado, carpintaria, marcenaria, construção civil, obras externas, esteios, mourões, vigas, estacas, caixões e, na construção naval, em convés. Serve ainda para carvão e lenha e é considerada boa para a fabricação de papel. As cascas são taníferas, com cerca de 9% de tanino. Na medicina popular, as folhas — tóxicas — são usadas como vesicante; casca e folhas entram em decocção contra dermatoses e em infusão contra sífilis, atribuindo-se-lhe efeito depurativo.

Aspectos ecológicos

A cupiúva é uma espécie pioneira, secundária inicial ou clímax exigente em luz. É típica dos tabuleiros de planícies quaternárias com solos arenosos e de encostas íngremes, podendo dominar formações secundárias em estágio de capoeirão no Paraná e em Santa Catarina, onde por vezes responde por cerca de 60% da cobertura superior. Nessas regiões, surge na vegetação secundária após cerca de 30 anos de sucessão; já no Pará é encontrada em florestas secundárias de 10 a 70 anos. Estudos populacionais em ambiente ripário de Uberlândia (MG) a classificam como generalista, com indivíduos adultos tanto em áreas inundáveis quanto em terrenos mais secos. Habita a Floresta Estacional Semidecidual e a Floresta Ombrófila Densa da Mata Atlântica, além de restingas; a Floresta Ombrófila Densa de terra firme na Amazônia; o cerrado, o cerradão e o campo cerrado no Cerrado; e o Pantanal Mato-Grossense. Aparece ainda em ambientes ripários, babaçuais, brejos de altitude, dunas, florestas de brejo, de igapó, de mussununga e turfosas, com densidades que chegam a 270 indivíduos por hectare em matas ciliares.

Floração e frutificação

A floração ocorre de julho a dezembro em Minas Gerais e em São Paulo, de setembro a dezembro na Bahia, de outubro a novembro em Santa Catarina, de outubro a janeiro no Pará, em dezembro no Paraná e de dezembro a fevereiro em Pernambuco. Os frutos amadurecem de janeiro a maio em Minas Gerais, de dezembro a janeiro em Santa Catarina, de janeiro a março em São Paulo, de janeiro a maio no Paraná, de março a julho em Sergipe, de abril a junho em Pernambuco e de maio a junho no Pará.

Fauna associada

Trata-se de espécie polígamo-dióica ou dióica (há autores que a consideram monóica). A polinização é feita sobretudo por abelhas e diversos insetos pequenos, incluindo sirfídeos (Diptera: Syrphidae); na Amazônia, o principal polinizador é a abelha Melipona seminigra. A produção de frutos depende fortemente dos polinizadores, sendo muito baixa na ausência deles, ainda que a floração em massa atraia grande diversidade de insetos oportunistas. A dispersão é essencialmente zoocórica, realizada por vários animais, entre eles o bugio ou guariba (Alouatta guariba), o muriqui ou mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides) e o sagui-comum (Callithrix jacchus). Saguis também se alimentam das exsudações dos troncos e galhos da árvore.

Plantio e silvicultura
Sementes

Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore quando começam a cair espontaneamente. Em seguida, despolpam-se manualmente e lavam-se em água corrente sobre uma peneira, deixando as sementes secar à sombra. Quando a semeadura é feita no próprio local de plantio, dispensa-se a despolpa, semeando-se os frutos inteiros. Vale notar, porém, que frutos não despolpados germinam de apenas 2% a 10%, contra 97% a 99% das sementes limpas, que germinam de forma mais rápida e uniforme. Há de 20.000 a 20.700 sementes por quilo. Não é preciso tratamento pré-germinativo. As sementes são recalcitrantes e perdem a viabilidade rapidamente, de modo que o armazenamento não é recomendado e não há métodos eficazes conhecidos para conservá-las.

Produção de mudas

Indica-se semear em sementeiras e repicar para sacos de polietileno ou tubetes de polipropileno médio assim que as plântulas atingirem de 4 a 6 cm de altura. A germinação é epígea (fanerocotiledonar) e a emergência começa entre 10 e 30 dias após a semeadura, normalmente com taxa elevada — em laboratório, a 30 ºC e em vermiculita, registraram-se 25%. As mudas crescem rápido e ficam aptas ao plantio definitivo de 4 a 5 meses após a germinação. Recomenda-se usar canteiros semissombreados com substrato organo-argiloso.

Características silviculturais

Quando jovem, a cupiúva é esciófila (tolerante à luz difusa); na fase adulta, torna-se heliófila. Não suporta baixas temperaturas. Seu hábito inicial é satisfatório, com dominância apical bem definida e ramificação leve, mas a desrama natural é fraca, o que exige podas frequentes de condução e de galhos. Após queda natural, os indivíduos têm grande capacidade de emitir rebrotas perpendiculares ao tronco-mãe; à medida que o tronco caído apodrece, cada rebrota pode formar raízes adventícias e originar uma nova planta. Em sistemas agroflorestais, é recomendada para sombreamento de pastagens em Minas Gerais, pela copa irregular que projeta sombra densa de 4 a 6 m de diâmetro. Na Bolívia, é indicada para enriquecer quebra-ventos, como fileira central em cortinas de três ou mais fileiras, plantada a 4 ou 5 m entre árvores. No Sul da Bahia, é mantida no sistema de cabruca, em que a Mata Atlântica raleada abriga o cultivo de cacau.

Crescimento e produção

Há poucos dados de crescimento da espécie em plantios, mas o desenvolvimento em campo é rápido.

Clima

A precipitação anual média varia de 800 mm, no Rio de Janeiro, a 3.000 mm, no Pará. As chuvas são uniformemente distribuídas no litoral de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo e no litoral sul do Rio de Janeiro; uniformes ou periódicas na faixa costeira da Bahia e em áreas de Alagoas e Pernambuco; e periódicas nos demais locais. A deficiência hídrica vai de nula, nesses litorais sem estação seca, a moderada ou forte no inverno do oeste de Minas Gerais, do centro de Mato Grosso, do oeste da Bahia, do Ceará e do norte do Maranhão. A temperatura média anual fica entre 18,1 ºC (Diamantina, MG) e 26,7 ºC (Itaituba, PA, e Manaus, AM); a média do mês mais frio varia de 15,3 ºC a 26 ºC e a do mais quente de 20 ºC a 28,2 ºC, com mínima absoluta registrada de -2,2 ºC (Uberaba, MG). As geadas são raras (média de 0,5 e máximo de três por ano). Na classificação de Köppen, ocorre nos tipos Af, Am, As, Aw, Cfa, Cwa e Cwb.

Solos

A espécie cresce naturalmente nos tabuleiros das planícies quaternárias do litoral, em solos predominantemente arenosos de origem marinha. Está adaptada a solos de extrema acidez e baixa fertilidade química e é altamente tolerante ao alumínio, desenvolvendo mecanismos que inibem a toxidez desse elemento.